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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Como se prevenir da INSÔNIA

  • Noites mal dormidas podem levar a pessoa a graves complicações de saúde, como transtornos de ansiedade e depressão; as causas desse problema do sono são variadas e muitas delas podem ser evitadas.

    “A insônia é um sintoma que pode ocorrer isoladamente ou acompanhar uma doença”, explica o psiquiatra Renato Silveira Silva.”
    “A insônia é um sintoma que pode ocorrer isoladamente ou acompanhar uma doença”, explica o psiquiatra Renato Silveira Silva.”

    A literatura médica diz que entre 30 e 50% da população pode sofrer de algum tipo de insônia. As causas desse transtorno do sono, que pode ter consequências ainda mais sérias se não for tratado, são ligadas a diversos fatores orgânicos e psíquicos. “A insônia é um sintoma que pode ocorrer isoladamente ou acompanhar uma doença”, explica o psiquiatra Renato Silveira Silva. Segundo o médico, “a insônia é a dificuldade de iniciar ou manter o sono, ou ainda a percepção de um sono não reparador”, que prejudica o dia a dia da pessoa. O tempo necessário para um sono reparador varia de uma pessoa para outra. A maioria, porém, precisa dormir de sete a oito horas para acordar bem disposta. Pesquisas recentes sugerem que aqueles que consideram suficientes quatro ou cinco horas de sono por noite, na realidade, necessitariam dormir mais.

    DISTÚRBIOS QUE CAUSAM OU AGRAVAM A INSÔNIA

    • Depressão
    • Ansiedade
    • Dor Crônica
    • Fibromialgia (dor crônica que migra para vários pontos do corpo)
    • Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS)
    • Síndrome das Pernas Inquietas (alterações da sensibilidade e agitação involuntária das pernas)
    • Distúrbios Metabólicos Hormonais (por exemplo, doenças da tireoide)
    • Medicações e substâncias estimulantes, benzodiazepínicos, bebidas alcoólicas, etc.

    CUIDADOS RELATIVOS AO TRATAMENTO

    Nunca inicie e nunca interrompa a medicação por conta própria. Em qualquer caso, consulte um médico capacitado.

    É importante ressaltar que o histórico familiar positivo para insônia é um dos principais fatores de risco, esclarece.

    Não existe apenas um tipo de insônia, e podemos classificá-las como insônia inicial, quando o indivíduo tem dificuldade para iniciar o sono, insônia intermediária, quando o indivíduo acorda no meio da noite e não consegue voltar a dormir, e insônia terminal, quando acontece o despertar precoce – o indivíduo acorda sem se sentir descansado e mais cedo que o necessário. Cada um desses problemas decorre da interação de diversos fatores: predisposição genética, fatores físicos, biológicos, mentais, psicológicos e sociais. “As causas também são variadas, e é válido citar que até 10% da população geral sofre com insônia considerada crônica, sendo que as mais comuns são: 34% psiquiátricas, 29% relacionadas a movimentos periódicos e pernas inquietas, 9% de origem respiratória, 8% de doenças clínicas e 20% de causas ainda desconhecidas”, acrescenta o psiquiatra.

    FATORES

    De acordo com o Dr. Renato Silveira, em um número considerável de casos, a insônia está relacionada a fatores predisponentes, como um nível aumentado de alerta e vigilância, mesmo durante a noite, fatores desencadeadores - mudança de trabalho, perda de ente querido, situações familiares e pessoais de conflito, entre outras - e fatores permanentes, dentre os quais hábitos inadequados em relação ao sono, por exemplo: deitar em horário irregular, assistir TV ou usar o computador até altas horas. “É sabido que o uso de computador e televisão antes de dormir pode causar  insônia em algumas pessoas. Desta forma, é recomendado que as pessoas parem de assistir a televisão e de usar o computador 40 minutos antes de dormir. É desaconselhável que se tenha aparelho de TV e computadores, tablets ou celulares (aparelhos que emitem forte luz) relacionados ao espaço de dormir”, recomenda o médico.

    TV E COMPUTADOR

    Citando estudos que comprovam o uso da televisão ou do computador antes de dormir como fatores prejudiciais à qualidade do sono, Dr. Renato Silveira adverte que tais hábitos podem levar a pessoa a quadros de agitação e tensão, fatores que desencadeiam ansiedade e a própria insônia. A intensa luminosidade desses aparelhos interfere no ritmo circadiano (ritmo biológico de sono e vigília ) e isso pode ser explicado pela redução da produção de melatonina, um neurotransmissor envolvido no processo do adormecer e da manutenção de um sono saudável.

    As noites mal dormidas se refletem no dia a dia da pessoa, afetando a produtividade no trabalho e o convívio social, além da possibilidade do desenvolvimento de patologias psíquicas. Segundo Renato Silveira, diversos estudos científicos comprovam que existe uma forte associação entre a insônia e o humor depressivo. Isto é, pessoas que se queixam de alterações de sono podem desenvolver transtornos de humor. “Assim, uma avaliação cuidadosa e a intervenção precoce sobre a insônia podem prevenir a ocorrência subsequente de depressão”, observa o psiquiatra.

    Higiene do sono - afasta a insônia

    Para evitar a insônia ou iniciar sua cura, é fundamental que a pessoa mude o comportamento, principalmente antes de ir para a cama. Segundo o psiquiatra Renato Silveira Silva, hábitos saudáveis promovem uma noite de sono reparador. Para isso é preciso fazer a higiene do sono, bastando seguir uma lista de recomendações:

    Abstenção de bebida alcoólica pelo menos seis horas antes de dormir, evitar café, chá preto e outros estimulantes e energéticos como o tabaco e refrigerantes. Também é importante que a pessoa não durma durante o dia, faça um relaxamento físico e mental antes de ir para a cama, melhore o ambiente do sono (temperatura adequada, baixa luminosidade e um ambiente silencioso), estabeleça um horário regular para deitar e levantar, se possível todos os dias da semana, e evitar atividades na cama que não sejam dormir e o ato sexual. A automedicação não é recomendada para quem sofre de insônia ou tenha qualquer outro problema de saúde. No caso do transtorno do sono, a pessoa deve consultar um médico qualificado, que irá realizar uma avaliação detalhada da situação do paciente e definir o tratamento adequado para aquele tipo de transtorno apresentado.

    Segundo o psiquiatra Renato Silveira Silva, as indicações de tratamento vão desde a higiene do sono ao uso de medicamentos apropriados, pois o uso indiscriminado de certas medicações também pode levar a problemas de memória, redução da capacidade de trabalho, dificuldade e redução das habilidades sociais comprometendo atividades acadêmicas, profissionais e familiares.

    Tais medicações devem ser utilizadas pelo menor tempo possível e com acompanhamento médico, pelo risco do desenvolvimento de dependência - inclusive com desenvolvimento de sintomas físicos e psicológicos de abstinência , adverte o médico.

    Enio Modesto

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