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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Doença Diverticular - os cuidados que devem ser tomados

  • O médico proctologista Dr. Thales Carvalho de Lima fala sobre os cuidados que devem ser tomados no tratamento e na prevenção da doença diverticular, ou diverticulose dos cólons, e esclarece alguns dos mitos relacionados a essa patologia.

     
    Médico proctologista
    Dr. Thales Carvalho de Lima

    Segundo o proctologista, a doença diverticular dos cólons é uma enfermidade benígna no intestino grosso, que vem acometer, estatisticamente, pessoas a partir dos 60 anos, mas que pode surgir em idades mais precoces. Segundo Dr. Thales, até 40% das pessoas poderão desenvolver a doença diverticular a partir dos 60 anos, e 60% a partir dos 80 anos.

     
    “É considerada uma doença do mundo ocidental. Até meados do século XIX, mais precisamente até a revolução industrial, não havia indícios dessa doença. O estudo com maior intensidade dessa patologia se dá a partir da década de 1940, o qual além do desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas médicas de reconhecimento da enfermidade (endoscopia) houve a relação da ocorrência desta doença com o aumento da ingestão cada vez maior de alimentos processados (menor quantidade de fibras)”, explica.
     
     
     
     
    A diverticulite caracteriza-se por um processo inflamatório e infeccioso do divertículo - bolsas circulares da parede do colón e que têm ligação com o intestino grosso.

    Outro ponto alertado pelo proctologista é que há uma diferença entre a doença diverticular e a diverticulite: “A diverticulite é uma das formas de complicação da doença diverticular. Outra complicação é a forma hemorrágica que se caracteriza pela perda importante de sangue pelo ânus. A diverticulite é a complicação mais frequente dessa patologia e que se caracteriza pela inflamação e infecção dos divertículos. Quando há essa complicação é necessário o tratamento clínico, com o uso de antibióticos, analgésicos ou antiinflamatórios. Quando o quadro é mais grave o tratamento cirúrgico pode ser mandatório”, afirma.

     
     
     
    O proctologista explica ainda que o exame padrão para diagnosticar a existência de divertículos no intestino grosso é a colonoscopia.
     
     
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    O médico também esclarece que ao contrário do que muitas pessoas pensam a doença diverticular não está relacionada a problemas emocionais, tendo os distúrbios de funcionamento do intestino grosso e a baixa ingestão de fibras como os fatores principais para o desenvolvimento da doença. Doenças genéticas que comprometem o tecido conjuntivo como as síndromes de Marfan e Ehlers-Danlos, frequentemente encontram-se associadas à Doença Diverticular.

     
    O proctologista explica ainda que o exame padrão para diagnosticar a existência de divertículos no intestino grosso é a colonoscopia. 
     
     
    “Muitas vezes os pacientes realizam a colonoscopia por outros motivos e acabam encontrando a presença de divertículos no intestino. Existem outros exames que ajudam a diagnosticar a diverticulose, como a tomografia computadorizada de abdômen e exames contrastados do cólon. Mesmo com esse achado, os pacientes não devem se preocupar, pois a doença diverticular é benigna e tem tratamento”, explica o proctologista.

    Outro mito que Dr. Thales faz questão de desmistificar é o de que a doença diverticular é causada pela ingestão de sementes. “Caiu por terra a ideia de que o uso de sementes é uma das causas de complicação da doença diverticular. Não são as sementes que vão ocasionar a doença. A semente como fibra até ajuda o intestino a funcionar regularmente. Os fatores de risco são o mal funcionamento intestinal associado a dieta pobre em fibras”, salienta.

     
     
     
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    A doença diverticular é uma alteração na anatomia do intestino grosso, não havendo cura para esta patologia. Porém ela é benigna e não predispõe ao aparecimento de outras doenças, como o câncer.

    O tratamento para diverticulite depende da intensidade e gravidade dos sintomas. Algumas pessoas podem necessitar de internação hospitalar, mas geralmente o tratamento pode ser feito via domiciliar, seguindo à risca as orientações médicas e com retorno precoce, caso não haja a melhora dos sintomas.
     
    O tratamento cirúrgico se impõe em casos de diverticulite complicada ou casos de hemorragia persistente. Quadros de diverticulite de repetição não complicada, podem necessitar de cirurgia eletiva para correção de complicações advindas da cronicidade do evento.
     
     
    Renato Rodrigues Delfraro

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