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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Doença cerebral: Os sérios riscos do AVC

  • É a doença que mais mata no Brasil, mas pode ser evitada com uma série de medidas; neurologista explica fatores de risco e fala sobre prevenção.

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    O neurologista Marcos Antônio de Oliveira:
    “O AVC ou derrame é uma doença cerebrovascular que atinge milhares de pessoas ao redor do mundo a cada ano, muitas dessas vítimas fatais.”

    O Acidente Vascular Cerebral – o AVC ou, popularmente falando, derrame – é uma doença que mata, em média, 68 mil pessoas no Brasil por ano. Suas causas e fatores de riscos são vários, da hipertensão e doenças cardiovasculares ao consumo de álcool e drogas e sedentarismo. O avanço da idade é outro fator do AVC, cuja incidência aumenta à medida que a pessoa envelhece. Entretanto, quando o assunto é saúde, existem formas de evitá-lo e, em casos dele ocorrer, as providências adequadas ajudam a salvar a vida da pessoa.

    O neurologista Marcos Antônio de Oliveira explica que o AVC ocorre quando há uma alteração no fluxo do sangue para o cérebro, que pode se caracterizar por uma obstrução ou rompimento de vasos sanguíneos. Ao primeiro caso dá-se o nome de acidente vascular isquêmico e ao segundo, acidente vascular hemorrágico.
     
    “O AVC ou derrame é uma doença cerebrovascular que atinge milhares de pessoas ao redor do mundo a cada ano, muitas dessas vítimas fatais”, observa o médico. Segundo dados do Ministério da Saúde relativos ao ano de 2009, foram registradas 160.621 internações por doenças cerebrovasculares, com uma taxa de mortalidade de 51,8 a cada grupo de 100 mil habitantes. 
     
    O AVC é uma doença que possui diversos fatores de riscos, que vão do estilo de vida das pessoas à doenças pré-existentes, mas que pode ser prevenido. São eles: hipertensão; diabetes; colesterol elevado; consumo de álcool e drogas; estresse; tabagismo; doenças cardiovasculares, sobretudo as que produzem arritmias; sedentarismo; doenças hematológicas. 

     

     
     
     
    Até mesmo os recém-nascidos e crianças podem sofrer um AVC, embora seja raro. No entanto, a incidência da doença aumenta à medida que avança a idade da pessoa, assim como o sexo e características genéticas: homens, raça negra, histórico familiar de doenças cardiovasculares. “Esses indivíduos, portanto, devem ter mais atenção e fazer avaliações médicas mais frequentes”, adverte o neurologista.
     
    Sinais e sintomas
     
    O AVC costuma ser precedido de sinais e sintomas que podem ajudar a pessoa a buscar socorro rápido, salvar a vida e até a evitar sequelas profundas. Portanto, muita atenção se ocorrerem: dor de cabeça súbita e muito forte, náuseas, vômitos, confusão mental, fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, dificuldade ou incapacidade de movimentação, paralisia, perda repentina da fala, da consciência ou da visão; tontura; perda de equilíbrio ou de coordenação. 
     
    “O AVC é uma emergência médica. Se achar que você ou outra pessoa está tendo um, é preciso chamar o SAMU, pronto socorro ou serviço de emergência mais próximo. Somente no serviço de atendimento médico o paciente poderá receber o tratamento adequado”, orienta Dr. Marcos. 
     
    AVC

     

     
     
    Contudo, em saúde, é melhor prevenir do que remediar e o Dr. Marcos Antônio de Oliveira dá as dicas: “cuidar do corpo de forma saudável, com equilíbrio, sendo ativo e praticando atividade física regularmente”.
     
    “É necessário ter muito cuidado com seus próprios fatores de risco, controlar a hipertensão, colesterol e diabetes, através de consultas médicas periódicas e exames clínicos laboratoriais; evitar totalmente o fumo e as drogas, limitar o consumo excessivo de álcool; controlar o estresse; controlar a alimentação, com a redução do consumo de sal.”  
     
    Atendimento especial
     
    Por conta da alta prevalência da doença no Brasil, foi implantada uma linha de cuidado especial de AVC nos hospitais, com foco na prevenção e tratamento precoce. Em Passos e região, a Santa Casa de Misericórdia é o único hospital que faz parte da rede de urgência e emergência responsável pela linha de cuidados específicos para o tratamento de AVC.
     
     
     
    Pedagoga com AVC teve ajuda rápida
     
     
    Rosane Veloso Maia Lemos com o marido Jair Santos Lemos, os filhos Esthevam, Leandro e Joyce.
    Rosane Veloso Maia Lemos com o marido Jair Santos Lemos, os filhos Esthevam, Leandro e Joyce.

     

     
     
    A ajuda imediata da família, vizinhos e até de um estranho fez a diferença entre a vida e a morte para a professora aposentada e pedagoga Rosane Veloso Maia Lemos, de 59 anos de idade. Hoje, ela recebe cuidados do marido, filhos e irmãs para superar as sequelas da doença e levar uma vida ativa, fazendo bordados. Rosane, porém, não se esquece do dia em que sofreu o derrame, isto é, o acidente vascular cerebral (AVC), e nem do esforço de todos para socorrê-la o mais rápido que puderam.
     
    Eram por volta de 7h do dia 4 de maio de 2012, logo após o café da manhã, quando Rosane se preparava para uma reunião na Secretaria de Educação da Prefeitura de Passos. Em casa, somente ela e o marido, o projetista Jair Santos Lemos. Os três filhos do casal - Esthevam, Leandro e Joyce - moram fora. No momento em que sentou na cama para calçar os sapatos, a pedagoga sentiu um formigamento no braço e, enquanto chamava o marido, sua perna já endurecia. 
     
    Rosane bordando, após ter que aprender a usar só a mão esquerda.
    Rosane bordando, após ter que aprender a usar só a mão esquerda.

    Suspeitando que se tratava de um AVC, Jair correu à casa dos vizinhos Gaspar e Eliane, que não perderam tempo em socorrê-los.  Para colocá-la no carro, eles tiveram a colaboração de um homem que passava na rua naquele instante e, mesmo sem um braço, conseguiu ajudá-los. Até mesmo o trânsito da cidade colaborou para que Rosane fosse levada rapidamente para o hospital, tanto que os semáforos estavam todos abertos.

    Até um dos filhos que estavam distantes, Leandro, estudante de medicina em Belo Horizonte, deu sua contribuição, que a família acredita ter sido determinante para que Rosane recebesse atendimento médico especializado a tempo de evitar piores consequências. “Na sala de triagem, achavam que era uma convulsão, que ela poderia esperar um pouco”, conta Joyce.
     
    Com as orientações de Leandro ao telefone, Jair e duas irmãs de Rosane (Cida e Sueli) pediram que um neurologista – Dr. Marcos Antônio de Oliveira – a atendesse urgente. “E a sorte foi essa, ela teve um atendimento relativamente rápido”, observa Joyce, contando que após duas cirurgias, 22 dias na UTI e uma semana no quarto, sua mãe teve alta. 
     
    A hipertensão (pressão alta) é um dos fatores que podem causar o AVC, mas a de Rosane era baixa e ela nunca havia apresentado qualquer sinal até aquela manhã. Segundo ela, o médico também não soube informar o que causou o derrame, mas suspeita que possa ter sido má formação de alguma veia do cérebro.
     
    Rosane e as toalhas que bordou só com a mão esquerda.
    Rosane e as toalhas que bordou só com a mão esquerda.

    A pedagoga foi para casa sofrendo com as sequelas do AVC, sem controle do tronco e alimentando-se apenas com comida pastosa. Para recuperá-la, a família contratou fonoaudióloga, fisioterapeuta e nutricionista e as irmãs Cida e Jaine passaram a auxiliá-la nas atividades diárias.

     
     
     
    Com o apoio profissional e da família, Rosane vem superando as dificuldades e até aprendeu a bordar com a mão esquerda. Ela borda toalhas de mesa com que presenteia os filhos e outros familiares. “Eu vivo super bem e dou graças a Deus por ter sido salva, por estar consciente e por ter preservado a memória: passado, presente e pensando no futuro”, agradece Rosane.
     
     
     
    Enio Modesto
     
    AS PRINCIPAIS SEQUELAS DO AVC
     
    AS PRINCIPAIS SEQUELAS DO AVC

    • Alterações motoras, como a perda ou redução da movimentação das pernas e braços;

    • Redução ou perda da fala;
     
    • Déficit visual e/ou da memória;
     
    • A gravidade das sequelas irá depender da área afetada no cérebro; 
     
    • Algumas podem ser tratadas, outras não podem ser revertidas;
     
    • A reabilitação é a única forma de melhorar o paciente e esse processo de reabilitação começa no próprio hospital para que o paciente restabeleça sua mobilidade, habilidades funcionais e independência física e psíquica;
     
    • O processo de reabilitação exige paciência e vontade do paciente, além da ajuda de um cuidador que será uma pessoa importante durante todo o tratamento;
     
    • No tratamento serão utilizados medicamentos, fisioterapia, fonoterapia e terapia ocupacional, de forma que o paciente volte a participar do convívio social e retomar a rotina diária.
     
    Fonte: Dr. Marcos Antônio de Oliveira, neurocirurgião 
     

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