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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Transplante de fígado. Uma história para servir de alerta

  • A vida do aposentado Ricardo Patrese Galdino, 51, esteve por um fio. Há quatro meses ele passou por um transplante de fígado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, e ainda se recupera. Ele quer que sua história sirva de exemplo para que outras pessoas se conscientizem quanto à importância de levar uma vida com hábitos saudáveis e sempre realizando acompanhamento médico, como forma de prevenir doenças.

    Ricardo Patrese Galdino, sua esposa Sirlei e filho Kaíke comemoram o recomeço, após o susto.
    Ricardo Patrese Galdino, sua esposa Sirlei e filho Kaíke comemoram o recomeço, após o susto.

     

     
    Ricardo é casado com a funcionária pública Sirlei Jerônimo e é pai de Kaíke. Apesar do transplante ele continua o tratamento contra a hepatite C. Ricardo teve cirrose hepática em 2009, e mesmo com a doença ele não mudou seus hábitos e continuou consumindo bebida alcoólica, o que provocou a deterioração do fígado. 
     
     “Foi tudo provocado pela bebida. A Dra. Rosana Porto foi que diagnosticou a necessidade do transplante, pois o fígado já estava comprometido e estava comprometendo outros órgãos também, como os rins e o baço. Eu estava muito inchado e em estado grave”, conta Ricardo. 
    A esposa Sirlei conta que Ricardo chegou a ser desenganado por um médico em Passos, que disse a ela que seu marido teria apenas seis meses de vida. Ele foi encaminhado para o hospital Albert Einstein pela médica infectologista Dra. Rosana Porto.
     
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    Ricardo deu entrada no Einstein depois de ser avaliado por uma equipe de especialistas do hospital. Ele foi admitido pela política de filantropia do Hospital Israelita, e recebeu todos os cuidados necessários. “No Einstein são cinco, seis transplantes de fígado por dia, é uma estrutura extraordinária, gigantesca. Em poucos dias nós tivemos que nos mudar para São Paulo, já que para fazer o tratamento nós teríamos que dar um endereço de lá”, afirma Sirlei. 

    “Em 2015, aqui em Passos, foram cinco casos de cirrose descompensada. Três morreram, e dois conseguiram se salvar através do transplante.”

    Antes do transplante, Ricardo teve pneumonia e choque anafilático. Ele foi para a UTI e chegou a ser desenganado também pelos médicos do Einstein. 

     
    Sirlei conta que chegou a receber duas ligações do Albert Einstein dizendo que havia oferta de fígado para Ricardo, porém, o órgão não estava em bom estado e não foi possível o transplante. Na terceira tentativa, segundo Sirlei, deu certo e foi possível ser realizado o transplante. 
     
    “A cirurgia começou às 7h da manhã e durou nove horas e foi bem sucedida. Ricardo teria que continuar o tratamento, com hemodiálise e medicação”, conta Sirlei.
     
    Ricardo diz que sua alimentação hoje é normal, só que ele segue à risca as orientações médicas, e não comete mais nenhuma extravagância. “Tem que ser regrada. O normal é comer de três em três horas e não comer muito, tomar bastante água e fazer sempre exames. O acompanhamento médico é fundamental, e o tratamento foi muito bom. É importante que as pessoas se conscientizem quanto à importância de doarem órgãos, doarem sangue, pois pode salvar muitas vidas”, enfatiza Ricardo.
     
    Sirlei destaca ainda a eficiência do serviço de Transporte Fora de Domicílio (TFD) da Prefeitura de Passos, que levou Ricardo a São Paulo para fazer o transplante e ainda o leva para fazer o tratamento na capital paulista.
     
    Ela diz que pretende fazer uma mobilização em Passos no dia 27 de setembro, que é o Dia Nacional da Doação de Órgãos, para que as pessoas se conscientizem quanto à importância da doação de órgãos.  
     
     
    Os riscos causados pelo consumo excessivo de bebida alcoólica 
     
     
    Dra. Rosana Porto Viana Teixeira-médica infectologista.
    Dra. Rosana Porto Viana Teixeira-médica infectologista.

    A médica infectologista Dra. Rosana Porto Viana Teixeira, que acompanhou o tratamento de Ricardo Patresi e o encaminhou para o Hospital Albert Einstein, explica que o álcool leva as células do fígado a uma corrosão. “O fígado fica enrijecido, causando primeiro a inflamação, depois a fibrose, que é uma ferida e, posteriormente, acontece a destruição da arquitetura do fígado.”

    De acordo com a médica, a cirrose é medida numa escala de 0 a 4, e quando chega ao grau 4, já pode ser considerada uma cirrose hepática. A partir do momento em que é diagnosticada a cirrose, ela pode ser compensada ou descompensada. 
     
    “Quando é compensada, o tratamento pode ser feito através de acompanhamento médico, e quando já está na fase descompensada, há necessidade do transplante. Em 2015, aqui em Passos, foram cinco casos de cirrose descompensada. Três morreram, e dois conseguiram se salvar através do transplante”, afirma Dra. Rosana. 
     
    A médica explica ainda que em casos de pessoas que bebem além do limite, é recomendável que façam exames regularmente, já que em seis meses podem ocorrer alterações no organismo. 
     
    “As pessoas têm que saber que o álcool é tóxico e pode levar à morte, assim como o cigarro. Tem que ter responsabilidade ao fazer uso de bebida alcoólica, pois quando as pessoas bebem em excesso é como se estivessem provocando um suicídio. O ideal é que essas pessoas procurem um tratamento antes da situação chegar nesse ponto mais grave. Pode ser um grupo de apoio ou então tratamento psiquiátrico. É importante também uma alimentação saudável, baseada em frutas e legumes”, finaliza.
     
    Renato Rodrigues Delfraro.

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