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Janeiro/Março 2020
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Saúde

MOBBING

  • Assédio moral no trabalho - prejuízo para todos

    Fenômeno caracterizado por violência psicológica extrema no trabalho, o Mobbing começa a despertar a preocupação de empresas. Vítima, agressores e o próprio empregador, todos saem perdendo se o conflito não for devidamente resolvido.

    A psicóloga organizacional Niany Mayra Farjalla.
    A psicóloga organizacional Niany Mayra Farjalla.

    Muita gente já ouviu falar do Bullying, que é a perseguição psicológica bastante comum contra certos alunos em escolas do mundo inteiro. No ambiente de trabalho, fenômeno semelhante é mais rotineiro do que muita gente pensa. Quem nunca presenciou um grupo de funcionários desprezar, insultar, constranger, dentre outras agressões verbais, o novo chefe, ou ainda se voltar contra um colega de mesmo nível e até mesmo o superior depreciar, acusar e ofender um subalterno? A esses casos, estudiosos do comportamento humano no meio organizacional dão o nome de Mobbing, um termo inglês que define a pessoa ou grupo de pessoas que exerce violência psicológica extrema, sistematicamente e por tempo prolongado, contra alguém no trabalho.

    Estudado na Europa na área da psicologia desde a década de 1980, o Mobbing começa a ganhar interesse no Brasil sob a denominação de “assédio moral”, mas no meio jurídico – havendo, no entanto, poucos estudos no que diz respeito à saúde mental.

    Devido à escassez de pesquisas nacionais, psicólogos organizacionais recorrem a estudos estrangeiros publicados no Brasil e trabalham junto às empresas para por fim a esse comportamento que causa uma série de problemas emocionais e econômicos para o trabalhador e o empregador.

    “No Brasil, ainda está bem atrasado o estudo do Mobbing, pois faltam investimentos. Só que esse fenômeno acontece em qualquer parte do mundo. A vítima vai sendo enredada num ambiente tão ruim e as consequências para o psicológico dela incluem a depressão e outros fatores, como a baixa auto-estima e doenças psicossomáticas”, explica a psicóloga organizacional Niany Mayra Farjalla.

    Situações repetitivas

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    De acordo com a profissional, é importante verificar na empresa se há ocorrência de Mobbing. Algumas situações que se repetem no dia-a-dia podem ser indícios da existência desse comportamento no meio de trabalho: excesso de atestados médicos de determinado funcionário, queda na produtividade, aumento do número de acidentes de trabalho, rotatividade de pessoal , ou seja,  demissões, dentre outros fatores que causam impacto negativo  também na empresa.

    “Os gestores não podem fechar os olhos, têm que sentar com as duas partes envolvidas e ver os motivos, como essa situação se instalou e intervir da melhor forma para todos”, disse Niany Farjalla, observando que essa interferência deve ser feita por profissional da área de saúde mental e que, quando possível, seja de fora da empresa, para garantia da imparcialidade.

    De acordo com a maioria dos estudos, há três tipos de Mobbing: ascendente, horizontal e descendente. No primeiro caso, um funcionário de nível hierárquico superior se vê agredido por um ou vários subordinados. Essa situação costuma acontecer quando alguém de fora é contratado para assumir determinada função que os empregados mais antigos julgavam merecer, ou até mesmo contra aquele colega que subiu de posto e que, por um ou mais motivos, gera descontentamento dos demais.

    A segunda situação é caracterizada quando um funcionário passa a sofrer ataque de colegas de mesmo nível profissional, seja por questões pessoais, fragilidade física, psíquica ou simplesmente por ser “diferente” dos demais em algum aspecto. O terceiro caso é o Mobbing descendente, considerado mais habitual e praticado por um chefe – diretor ou gerente, por exemplo – através de depreciação, falsas acusações, entre outras que afetam psicologicamente o trabalhador, com o objetivo de se destacar para os demais subordinados e manter sua posição de superior na organização.

     

     

    Motivações

    “O Mobbing acontece por motivos reais ou não, dentro do ambiente de trabalho, e é praticado por pessoas que têm inveja da outra ou até mesmo sentimento de inferioridade. Em Passos, muitas empresas já perceberam a necessidade de dar um suporte para os funcionários, nesse sentido”, diz Niany Farjalla. “Estão promovendo investimento na saúde global do trabalhador”, acrescentou, observando que os estudos realizados apontam que o ser humano passa 60% de sua vida trabalhando, quando está acordado, e que os danos causados à vítima afetam também a empresa e até mesmo sua família.

    “Quando ocorre algum dano para a saúde da vítima e ela se afasta do trabalho, o grupo agressor também sofre, pois acaba perdendo energia, por saber que foi o responsável. O grupo ‘adoece’ junto”, adverte a psicóloga.

    Difícil de ser prevenido, o Mobbing pode ser tratado, mas é fundamental identificar quando a perseguição está ocorrendo. “É importante que a vítima não ache isso normal. Se ocorrer, procure seu superior e explique a situação. Se a vítima for um superior hierárquico, ela deve levar o assunto para o setor de gestão de pessoas ou o médico do trabalho. Aos gestores e líderes da empresa , atenção para o ‘clima’ entre os funcionários. Façam reuniões para que o trabalhador possa falar do problema e promova treinamento comportamental”, recomenda Niany Farjalla.

     

    Epidemiologia

    De acordo com estudos realizados na Universidade Católica Dom Bosco, sob o tema “Mobbing (assédio psicológico) no trabalho”, autoria de Liliana Andolfho Magalhães Guimarães e Adriana Odalia Rimoli, esse tipo de comportamento é assunto da área de epidemiologia na Europa, por afetar 12 milhões de empregados todo ano. No Brasil, um estudo feito com trabalhadores do gasoduto Brasil-Bolívia, em Corumbá (MS), apontou uma prevalência anual de 7% de Mobbing.

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