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Saúde

Câncer de ovário: como tratar e prevenir

  • Ovários são glândulas responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos, progesterona e estrogênio, sendo em número de duas glândulas localizadas na pelve da mulher. Possuem também a função de produzir e armazenar os óvulos, enquanto durar a vida reprodutiva da mulher.

    Câncer de ovário é o câncer ginecológico mais difícil de ser diagnosticado, o de menor chance de cura e o mais letal. A maioria desses tumores são diagnosticados em fase avançada. Sua incidência está associada a vários fatores, dentre eles: fatores ambientais, genéticos e hormonais. A história familiar é o fator de risco isolado mais importante (cerca de 10% dos casos). Tal doença pode acometer a mulher em qualquer idade, porém é mais frequente após os 40 anos. Estimado para o ano de 2012, 6190 casos em todo Brasil.

    Alguns genes estão associados ao câncer de ovário, como o gene BRCA1 e BRCA2, que também podem causar câncer de mama.

    Existe uma relação entre câncer de ovário e atividade hormonal feminina. Quanto mais os ovários trabalham, mais hormônios femininos são produzidos e maior a chance de câncer nesse órgão. A gestação, a amamentação, o uso de anticoncepcionais orais, repousam a produção desses hormônios, diminuindo a chance de tumores malígnos ovarianos. Assim, mulheres que não tiveram fi lhos, que nunca amamentaram, as que tiveram menopausa tardia ou a primeira menstruação precoce e as que tiveram parentes de primeiro grau com câncer de ovário apresentam risco mais elevado de desenvolver a doença.

    Ilustração do ovário e suas relações anatômicas
    Ilustração do ovário e suas relações anatômicas

    Sintomas

    A maioria das mulheres com câncer de ovário não apresenta sintomas até a doença atingir estágio avançado. Nesse caso, os mais característicos são dor e aumento do volume abdominal, constipação, alteração na função digestiva e massa abdominal palpável.

    Diagnóstico

    Exame físico e complementares são fundamentais para o diagnóstico. Medição do marcador tumoral sanguíneo CA 125 (80% das mulheres com câncer de ovário apresentam CA 125 elevado) e ultrassonografi a pélvica são dois exames importantes para sugerir o diagnóstico da doença. A laparoscopia exploratória seguida de biópsia do tumor, além de úteis para confi rmar o diagnóstico, permite observar se há comprometimento de outras regiões e órgãos.

    Tratamento

    Quando houver suspeita de tumor de ovário, a paciente deve ser submetida a uma avaliação cirúrgica, chamada por nós de estadiamento cirúrgico. Para câncer de ovário o estadiamento completo se dá através da remoção dos ovários, útero, linfonodos (ínguas) atrás do útero e ao lado da aorta e da ressecção da gordura do intestino (epíplon).

    Deve ser realizado tratamento complementar com quimioterapia com combinação de quimioterápicos. Dependendo da evolução da doença, pode ser realizado quimioterapia antes da cirurgia para diminuição da massa tumoral.

    Recomendações

    • Consulte o oncologista em caso de suspeita desta doença;

    • Controle o peso e evite alimentos gordurosos, pois há estudos que indicam uma relação entre obesidade, alto consumo de gordura e câncer de ovário;

    • Faça exames clínicos e ultrassonografias com mais frequência, se tiver um parente de primeiro grau com história de câncer de ovário e/ou de mama;

    • Passe por avaliação do médico especialista regularmente, se você tem mais de 40 anos. O prognóstico é sempre melhor, quando a doença é diagnosticada precocemente.

    Fonte: INCA

     

    Luiz Gustavo Hermógenes Pereira (CRM-MG 56246) é médico cirurgião oncológico. Formado pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, é especialista em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande (MS) e cirurgião oncológico pelo Hospital de Câncer de Barretos (SP). Atende na Rua Santa Casa, 225 sala 10 - Passos-MG - tel.(35) 3522-6064 e (35) 3521-9172.

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