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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Patologia - A área mais antiga da medicina

  • As médicas Maria Aparecida Silveira Sucena e Michelli Bárbara Pinto são especialistas na arte e na ciência do diagnóstico, elas são patologistas e contam como essa área é importante para o tratamento dos pacientes.

    As Patologistas: Dra. Maria Aparecida Silveira Sucena e Dra. Michelli Bárbara Pinto.
    As Patologistas: Dra. Maria Aparecida Silveira Sucena e Dra. Michelli Bárbara Pinto.

    Na medicina existe uma área em que o médico não lida diretamente com o paciente, mas que é de fundamental importância para o seu tratamento em caso de confirmação do diagnóstico. É a patologia, especialidade que consiste na arte e na ciência do diagnóstico exercida por profissionais altamente qualificados e em constante atualização ante as técnicas e a evolução dos conhecimentos científicos. Um patologista pode ajudar na descoberta e tratamento ainda precoce de câncer e todo tipo de doenças inflamatórias, infecciosas, degenerativas, entre outras, conforme ressaltam as médicas Maria Aparecida Silveira Sucena e Michelli Bárbara Pinto, que trabalham juntas num laboratório particular no centro da cidade e na Santa Casa de Misericórdia de Passos.

    “O exame feito pelo patologista é um ato médico complexo e cuidadoso formalizado em um laudo anatomopatológico”, explicam as duas patologistas. É com base nesse laudo que clínicos e cirurgiões decidem a melhor forma de tratamento dos pacientes, dentre as diversas opções, pois esses laudos trazem as informações técnicas específicas que fornecem com exatidão as informações sobre a doença.

    Câncer de Mama
    Câncer de Mama

    As patologistas chamam a atenção para a necessidade de se examinar todo material retirado do paciente, porque uma verruga ou um apêndice, por exemplo, pode estar escondendo uma doença perigosa que, se não for diagnosticada e tratada a tempo, pode levar a pessoa à morte. “Uma simples ‘pinta’ pode estar escondendo um tumor maligno altamente agressivo (um tipo de câncer de pele chamado melanoma) que pode se espalhar rapidamente (metástase)”, explica Maria Aparecida Sucena.

    “Já houve caso em que a lesão de pele retirada foi jogada fora e pouco tempo depois o diagnóstico foi feito na metástase, tarde demais para um tratamento curativo”, acrescenta Michelli Pinto. “Em contrapartida, já fizemos diagnóstico de câncer inicial de mama em material retirado de cirurgia plástica para redução (estética), cujo tratamento resultou em cura total”, observa a Drª Sucena. Entretanto, há quem acredite que os médicos patologistas lidam no dia-a-dia com cadáveres e investigações criminais, como ocorrem em seriados de TV. Na verdade, esse trabalho é da competência dos médicos legistas. Os anatomopatologistas, como as Dras. Sucena e Michelli Pinto, só examinam cadáveres quando há dúvida sobre a doença que levou o paciente ao falecimento. “Nosso dia-a-dia é lidar com materiais de pacientes vivos”, disse a Drª Michelli.

    Melanoma
    Melanoma

    Num laboratório de anatomopatologia são analisados desde os fragmentos de pele retirados de um paciente pelo dermatologista, do exame de Papanicolau coletado pelo ginecologista até grandes peças cirúrgicas enviadas para a investigação de cânceres, para que se possa classificar o tipo de tumor e fornecer vários detalhes importantes para o prognóstico e tratamento, como o tamanho, grau de agressividade, estágio e avaliação das margens cirúrgicas, em que se observa se o tumor foi totalmente removido na operação. “O patologista também participa ativamente de cirurgias, realizando o exame de congelação, no qual o diagnóstico é feito no momento da cirurgia para definir a melhor conduta”, explica a Drª Sucena. 

    Os patologistas e os clínicos também costumam examinar juntos os detalhes técnicos específicos dos laudos e, em alguns casos, discutem opções de tratamento. Também é frequente esses profissionais entrarem em contato um com o outro para esclarecer eventuais dúvidas e saber detalhes da doença para redigir o laudo com precisão.

    Enio Modesto

    Área mais antiga da medicina

    Embora esteja ligada às técnicas e aos altos conhecimentos científi cos, a anatomopatologia é a área mais antiga da medicina, segundo conta Maria Aparecida Sucena, lembrando que na antiguidade o médico que acompanhava o paciente em vida analisava seu cadáver para tentar fazer uma correlação entre os sintomas da doença e o que era encontrado no organismo do morto.

    “Mas hoje em dia a patologia não se baseia só no estudo dos cadáveres”, observa a Drª Michelli. “Nós saimos do estudo do cadáver para a biologia molecular. A patologia evoluiu muito com os anos”, acrescenta a Drª Sucena, explicando que essa especialidade ganhou impulso no século XIX com evolução dos microscópios, um dos principais instrumentos de trabalho dos patologistas.

    Além da medicina, a patologia presta serviços para dentistas e para veterinários. Afi nal, tumores e doenças inflamatórias, infecciosas e degenerativas são comuns também a cães e gatos.

    O importante para a saúde, seja do homem ou do animal, é obter um diagnóstico detalhado da doença, o que é primordial para a cura ou o tratamento. “O próprio paciente tem que se conscientizar e perguntar para o médico se não vai enviar o material retirado para ser examinado”, recomenda a Drª Sucena. “Quem vai falar realmente se é ou não uma doença grave é o microscópio”, acrescenta a Drª Michelli.

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