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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Câncer no estômago:

  • Saiba como tratar e previnir

    Dr. Luiz Gustavo Hermógenes Pereira - Cirurgião Oncológico.
    Dr. Luiz Gustavo Hermógenes Pereira - Cirurgião Oncológico.

    O estômago é um órgão em forma de “J” situado na parte superior do abdômen. Faz parte do sistema digestivo, cuja responsabilidade é processar os alimentos ingeridos, extraindo deles nutrientes. Os alimentos são conduzidos da garganta para o estômago, através de um tubo oco, muscular, chamado esôfago. Após deixar o estômago, os alimentos parcialmente digeridos passam para o intestino delgado e grosso para completarem a digestão. 

    Os cânceres no estômago se apresentam, geralmente, em três formas ou tipos histológicos: adenocarcinoma (95% dos tumores), linfoma (3% dos casos), e leiomiossarcoma (2% dos casos). O pico de incidência se dá em sua maioria em homens, por volta dos 70 anos. No Brasil, esses tumores aparecem em terceiro lugar na incidência entre homens e em quinto, entre as mulheres.

    Alguns sinais como perda de peso e de apetite, fadiga, sensação de estômago cheio, vômitos, náuseas e desconforto abdominal persistente podem indicar uma doença benigna (úlcera, gastrite) ou mesmo tumor de estômago. Massa palpável na parte superior do abdômen, aumento do fígado e nódulos na região inferior esquerda do pescoço e ao redor do umbigo indicam estágio avançado da doença. Na presença de alguns desses sintomas o seu médico deve ser comunicado.

    Para se realizar o diagnóstico são utilizados na prática clínica dois exames: a endoscopia digestiva alta (método mais efi ciente) e o exame radiológico contrastado do estômago. A endoscopia permite a avaliação visual da lesão, a realização de biópsias e a avaliação do tipo de tumor. Na radiografia contrastada do estômago, os raios-x delineiam o interior do órgão e o médico procura por áreas anormais ou tumores. Para prevenir o câncer de estômago é fundamental seguir dieta balanceada, composta de vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras, desde a infância. Alimentação pobre em peixes, em vitaminas A e C, ou ainda o alto consumo de alimentos defumados, enlatados, com corantes ou conservados em sal, o cigarro e o álcool são fatores de risco para esse tipo de câncer.

    Ilustração do estômago e suas relações anatômicas
    Ilustração do estômago e suas relações anatômicas

    Algumas doenças pré-existentes podem ter forte associação com esse tipo de tumor, como anemia perniciosa, gastrite atrófica e infecções pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori). Presente nos alimentos e na água potável considera-se que o H. Pylori habite o estômago de cerca de 70% da população no Brasil. Porém, em uma pequena parcela desta população ela consegue se desenvolver e multiplicar causando gastrite crônica que, sem tratamento, pode, em 20 anos, evoluir para câncer gástrico. O tratamento desta bactéria por meio de antimicrobianos é efetivo em 95% dos casos. A endoscopia digestiva consegue indiretamente diagnosticar essa bactéria. Pacientes que tenham sido submetidos a operações no estômago para combater a úlcera gástrica têm maior probabilidade de desenvolver esse tipo de câncer, assim como pessoas com parentes que foram diagnosticados com essa doença. 

    Existem três formas de tratamento para o câncer gástrico: a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia. O tratamento cirúrgico ainda é o mais eficaz para a cura da doença, retirando parte ou todo o estômago, além dos nódulos linfáticos próximos ao estômago. Para realização de tal procedimento é imprescindível que o médico cirurgião tenha realizado sua formação em oncologia cirúrgica ou em serviço de cirurgia gástrica voltada para oncologia. Um dos grandes fatores associados à possibilidade de cura desses pacientes é o correto tratamento cirúrgico desta doença.

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