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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Dificuldade na deglutição e suas complicações

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    Dra. Joane Mara Maia Conte - Fonoaudióloga
    Dra. Joane Mara Maia Conte - Fonoaudióloga

     

    É comum e natural que o corpo humano passe por diversas transformações ao longo do tempo. Cada etapa da vida representa mudanças, e com a chegada da terceira idade, a chamada velhice, tão temida por muitos, é que essas mudanças ficam mais perceptíveis, o que pode deixar as pessoas mais vulneráveis a doenças, já que o corpo fica mais fragilizado e algumas funções debilitadas.

     

     

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, o idoso é aquele indivíduo com mais de 65 anos de idade em países desenvolvidos, e com mais de 60 anos de idade em países em desenvolvimento.

    Baseada nessa afirmação a Fonoaudióloga Joane Conte esclarece que muitas dessas dificuldades ou disfunções  são prevenidas e/ou tratadas pela fonoaudiologia. 

     

    Em quais funções prejudicadas do idoso que a fonoaudiologia pode ajudar?

     

    Mesmo que o idoso não tenha instalado nenhuma doença, o próprio envelhecimento modifica o funcionamento de várias funções como a da deglutição (ato de engolir), fonação (voz),  audição, memória, raciocínio e a linguagem como um todo.

     

    O que ocorre com a deglutição do idoso? 

     

    A deglutição no idoso passa por muitas alterações, como a diminuição do paladar, ausência de próteses dentárias ou mal adaptadas, redução do olfato e do apetite, falta de controle da musculatura orofacial (língua, lábios e bochechas) para a deglutição dos líquidos que levam aos engasgos ou diminuição no consumo do líquido, ou ainda dificuldade para mastigar os alimentos que levam esse idoso a desistir de se alimentar. Também o uso de alguns medicamentos que provocam alteração no estado de alerta, na quantidade da saliva, entre outros. Todas essas dificuldades podem causar também constrangimento no idoso e com isso ele se isola no ato de se alimentar, podendo acarretar problemas de comunicação na convivência familiar e social, e assim, perde a oportunidade de trocar experiências que são de extrema importância para a qualidade de vida desse idoso. Essas dificuldades no ato de se alimentar provocam muitas vezes o desprazer, o desânimo e muitos dos idosos perdem o prazer de viver.

    O que é disfagia?

     

    Disfagia orofaríngea (dificuldade de engolir que pode ser desde a boca até o estômago) é um distúrbio de deglutição, que ocorre quando algo errado acontece enquanto engolimos, fazendo com que o bolo alimentar tenha dificuldades de chegar de maneira segura até o estômago. Quando isto acontece, o alimento pode cair nos pulmões e assim  o indivíduo pode comprometer a sua saúde (como a infecção pulmonar - pneumonia).É importante esclarecer que a disfagia não é propriamente uma doença, mas um sintoma. Isto significa que a disfagia tem, necessariamente, uma causa que necessita de diagnóstico médico.

     

    O que pode causar a disfagia?

     

    Vários fatores podem causar a disfagia orofaríngea associada ao envelhecimento. Então, além do envelhecimento e enfraquecimento das estruturas envolvidas na deglutição temos as dificuldades ocasionadas por doenças neurológicas comuns do idoso como: o Acidente Vascular Encefálico (derrame), traumatismos cranianos (por queda doméstica ou violência física), doença de Parkinson e Alzheimer e também o câncer de Cabeça e Pescoço. Associados à dificuldade de engolir do idoso, pode agravar a situação alimentar, a presença do refluxo gastroesofágico, também muito comum pelo “relaxamento“ ou falta de força da válvula que comunica o esôfago ao estômago. Já esse diagnóstico é estritamente da responsabilidade médica.

     

    Como é feito o diagnóstico da disfagia?

     

    A disfagia é diagnosticada por uma avaliação clínica realizada pela fonoaudióloga e exames complementares que acrescentam dados para fechar o diagnóstico, inclusive o grau de severidade e as principais causas da dificuldade. A avaliação clínica pode ser feita no consultório, na residência do paciente ou quando está hospitalizado. 

     

    Quais os sintomas mais comuns da disfagia?

     

    Não se pode generalizar dizendo que todos os indivíduos com disfagia orofaríngea terão os mesmos sintomas. Porém, existem alguns sinais que podem nos fazer suspeitar da sua existência. Esses sinais são: perda de peso (mesmo com o indivíduo comendo), dificuldade para respirar ou sonolência durante a alimentação, pneumonias repetitivas, tosse ou engasgo frequentes antes, durante ou após a alimentação (seja com líquido ou sólidos) , suor excessivo durante a alimentação, alterações da coloração da pele do rosto enquanto o indivíduo se alimenta, alteração respiratória ou da voz após a alimentação chegando até à asfixia. É muito comum encontrarmos esses pacientes hospitalizados já numa condição clínica muito desfavorável.

     

    Qual a visão preventiva que a fonoaudiologia tem diante do envelhecimento?

     

    A visão principal que devemos ter hoje diante do crescimento da população idosa é a de proporcionar o máximo de prazer e independência, melhorando e mantendo o bem-estar como um meio de prolongar a duração e melhorar a qualidade de vida.

    Envelhecer com saúde significa manter a sensação de bem-estar da juventude com a sabedoria da vida, significa prevenir sempre, evitando assim tudo que leva ao adoecer.

    Vale ressaltar que o cuidado com as  funções como a voz, memória, raciocínio e a linguagem, além da deglutição, é  fundamental para manter uma vida mais longa e principalmente com mais qualidade.

     

    Quais os cuidados necessários para preservar as funções citadas acima?

     

    A melhor maneira de cuidar e preservar essas funções é modificar hábitos, mudar de atitude, deixar uma postura passiva e agir. Sabemos hoje que envelhecer de maneira saudável não é consequência da genética, mas sim de uma nova postura e atitude preventiva. Definitivamente não é natural um idoso se isolar, sentir solidão, ser calado, não comer adequadamente, ser magro, ter pneumonias, não ter diversão e deixar de se comunicar. Esse idoso pode estar necessitando de um olhar amoroso, mas, também especializado que o permita ouvir melhor ao adaptar um aparelho auditivo; que permita comer melhor por uma prótese dentária bem adaptada, por exemplo.

     

     

    ORIENTAÇÕES QUE UM FONOAUDIÓLOGO PODE DAR PARA QUEM QUER ENVELHECER DE FORMA SAUDÁVEL

     

    - Cante sempre e ouça músicas, isso faz com que a musculatura da voz e da deglutição fiquem preservadas e estimuladas;

     

    - Leia muito, daquilo que gosta e também do que não conhece, nossa memória precisa de renovação constante;

     

    - Renove conhecimentos; 

     

    - Conte sempre o que viu, o que viveu e troque experiências com todos, independente da idade, assim você mantém sua comunicação eficaz;

     

    - Pergunte quantas vezes for necessário até que você entenda ou memorize o que quer, dessa forma sua audição estará sendo estimulada, principalmente se já faz uso ou necessita da prótese auditiva;

     

    - Encontre tempo para se divertir com jogos que trabalhem o raciocínio, nosso cérebro precisa de alimento;

     

    - Seja útil sempre à você e à todos que te rodeiam;

     

    - Coma bem com as mudanças que às vezes são necessárias, o importante é saber que a nova forma de comer traz mais segurança à sua saúde;

     

    - Fique sempre ao lado daqueles que te dão atenção, carinho e amor, nada é mais importante que isso, pois esses, vão sempre proporcionar saúde à sua vida;

     

    - Faça o que lhe dá prazer mas também não esqueça de fazer o necessário para viver bem e melhor...

     

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    Foco Serviço

    Atendimento: Avenida Arouca, 200  Tel: (35) 3521-7322

    Atuação em consultoria - atendimentos clínicos, domiciliares e hospitalares. Coordenadora do Aprimoramento em Disfagia.

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