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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Dificuldades na fala e escrita

  • Uma criança que troca as letras ou pronuncia as palavras de maneira errada pode estar apresentando algum tipo de alteração cuja origem precisa ser investigada; em muitos casos o tratamento pode começar bem cedo.

     

    Pode parecer “bonitinho” e até engraçado uma criança, na fase inicial do aprendizado da fala e linguagem, pronunciar palavras com algumas letras trocadas, ou com som de chiado (parecendo estar com a “língua presa”) e até mesmo com repetição de sílabas. Muitos desses problemas, se não forem tratados adequadamente no momento certo, podem se refletir na escrita, na fase escolar, e permanecer na vida adulta. Segundo a fonoaudióloga Hellen Rose Freire Oliveira Aquino, entre os quatro e cinco anos de idade espera-se que a criança já esteja falando todos os fonemas. Caso contrário, é hora de procurar um especialista para avaliar o caso.

    A fonoaudióloga Hellen Rose Freire Oliveira Aquino.
    A fonoaudióloga Hellen Rose Freire Oliveira Aquino.

     

    “Os sons da fala seguem, geralmente, um processo de aparição e desenvolvimento que vai do mais ao menos visível. A princípio, a criança pode realizar sons como p, b, m, que são mais visíveis que os da segunda etapa: t, d, n. Os mais ocultos são os fonemas k e g e os que mais tardarão a aparecer são o s, z, x, j e, finalmente r, rr e grupos consonantais r e l”, explica a especialista.

    Estará ocorrendo algum tipo de alteração fonoarticulatória quando certos fonemas são substituídos por outros, são omitidos ou distorcidos. Por exemplo, se a criança pronuncia “tavalo” em vez de cavalo, “save”, no lugar de chave, “paiede”, quando o certo seria parede, ela está fazendo uma substituição. A omissão se caracteriza pela ausência de um ou mais fonemas, como “ato” para gato, “pesente” para presente. A distorção ocorre quando o fonema é pronunciado de forma alterada tanto que sua resultante apenas se aproxima do que seria o correto.

    “Dos quatro aos cinco anos é esperado que a criança fale todos os fonemas, mas antes disso, se a criança estiver apresentando trocas na fala ou até uma fala ininteligível, é importante uma avaliação pois algumas intervenções são necessárias antes dos quatro anos”, alerta Hellen Rose, que em sua clínica trata pacientes com diversos casos relacionados a alterações da fala e linguagem.

    Esses exemplos mencionados são os mais encontrados e não têm uma causa orgânica. A criança possui as condições neurológicas e as estruturas envolvidas na fala preservadas, mas, mesmo assim, tem uma dificuldade específica para pronunciar alguns fonemas.

    Existem também outros fatores que explicam certos problemas da fala. Eles podem ser de natureza neurológica, como uma paralisia cerebral, em que as áreas motoras do sistema nervoso podem estar lesionadas, dificultando a movimentação da musculatura responsável pela produção dos sons. Também podem ser de natureza músculo-esqueletal, como as deformidades ou alterações nos órgãos responsáveis pela fala - por exemplo, as fissuras labiais e palatais.

    Um outro fator que pode comprometer a fala da criança é o uso prolongado de chupeta e mamadeira, o hábito de chupar o dedo e a respiração bucal, em vez da nasal.  

    A fonoaudióloga explica que o desenvolvimento da linguagem e da fala, apesar de estar intimamente ligados, seguem rumos separados. A linguagem é o aspecto mais amplo, ou seja, a capacidade de se comunicar, de compreender e ser compreendido, enquanto a fala é a expressão da linguagem, isto é, a forma como transmitimos as nossas ideias. “Para que a produção dos sons da fala se dê adequadamente, é necessário que o movimento dos órgãos envolvidos ocorra com precisão, velocidade, energia, pressão e coordenação adequada de grupos musculares. Além da integridade física, a integridade neurológica e psicológica são também necessárias para haver uma boa articulação” disse.

    Deficiência na audição, herança genética e certos costumes no linguajar familiar também são a origem de outros distúrbios da fala: uma criança que demora a começar a pronunciar as primeiras palavras, no primeiro caso, outra que se apresenta com gagueira, no segundo, e aquelas que dizem palavras no modo diminutivo excessivamente, aprendidas no dia-a-dia com os pais.

    Na escola, determinados problemas de origem neurológica ou auditiva aparecem quando o aluno apresenta dificuldade para narrar e elaborar textos, ou para contar algum fato - normalmente, ela cria frases curtas. 

    Para todos os casos, Hellen Rose recomenda uma avaliação com especialista, porque para cada situação é indicado um tipo específico de atendimento. Mesmo os adultos, que não foram tratados na infância, podem melhorar sua fala ou linguagem com o tratamento correto.

     

    Enio Modesto

     

    · Respostas positivas indicam que a criança está apresentando comportamentosesperados para sua faixa etária.· Respostas negativas podem significar dificuldades no desenvolvimento.
    · Respostas positivas indicam que a criança está apresentando comportamentosesperados para sua faixa etária.· Respostas negativas podem significar dificuldades no desenvolvimento.

     

     

    Recomendações

    Cuidados para que a fala, a linguagem e a audição das crianças se desenvolvam bem:

    • Converse com a criança com naturalidade e não como se estivesse imitando a umbebê.

    •De atenção à criança: escute-a e fale com ela desde seu nascimento. Falar é um atonatural. Não force a criança.

    •Existem erros ou enganos que são esperados que a criança faça quando estáaprendendo a falar. Aceite-os e não lhe peça que fale mais devagar ou que fiquerepetindo.

    • Se há necessidade de falar muito alto com a criança, ou de ficar repetindo as coisas,para que ela preste atenção ou compreenda, procure um especialista para um examede audição.

    •Se existe alguma dúvida em relação ao bom desenvolvimento da comunicação eaudição de seu filho, consulte um especialista. Nunca deixe o tempo passar se hásuspeitas de que algo não está correndo bem.

     

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    Serviço: Hellen Rose Freire Oliveira Aquino – fonoaudióloga clínica – atendimento de crianças e adultos. Contato: 3521-7322 

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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