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Janeiro/Março 2020
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Saúde

CLIMATÉRIO como lidar com esta delicada transição

  • Sintomas fi siológicos e psíquicos soam o alerta de que o organismo feminino está entrando em um longo ciclo de transformações. Quando isto acontece, é hora de buscar ajuda médica.

    A ginecologista e mastologista Maria Lúcia Pereira.
    A ginecologista e mastologista Maria Lúcia Pereira.

    De um mês para o outro, a menstruação para de vir ou torna-se irregular – às vezes em excesso, outras em pequena quantidade. Ondas de calor, conhecidas como fogachos, percorrem o corpo, que passa a ser tomado por suores noturnos e transpiração excessiva. A secura vaginal e o desconforto durante as relações sexuais também alertam que alguma coisa está mudando. Além das alterações fisiológicas, ocorrem ainda diminuição do desejo sexual, alterações de humor, ansiedade, depressão, fadiga, irritabilidade, perda de memória e insônia. 

    Sintomas como estes, isolados ou em conjunto, podem ser o sinal de que o organismo feminino está entrando no chamado climatério - palavra que se origina do grego klimacter, cujo signifi - cado é período crítico. O climatério é o período entre o declínio da função reprodutiva da mulher e a extinção da capacidade de gerar fi lhos. Diferentemente da menopausa, que tem data certa para acontecer – é marcada pela última menstruação, geralmente por volta de 50 anos – o climatério é uma transição, que começa entre 35 e 40 e se estende até os 65 anos. Os sintomas do climatério são consequência da queda na produção do estrógeno, hormônio produzido pelo ovário e responsável pelas características femininas. Com a diminuição do estrógeno – chamada de hipoestrogenismo – aumentam as chances de fraturas, osteoporose, infarto, hipertensão, risco de trombose, aumento do colesterol ruim (LDL) e queda do bom (HDL), artrose e aterosclerose. É durante o climatério que também se multiplicam as chances de aparecimento de alguns tipos de câncer.

    A partir dos 65 anos, a tendência é os sintomas do hipoestrogenismo serem amenizados. Mas até lá, como lidar com um período tão delicado, que pode chegar a três décadas?

    Para a ginecologista e mastologista Maria Lúcia Pereira, o primeiro passo é evitar a automedicação, na tentativa de se livrar dos sintomas, e procurar ajuda médica. Ao médico cabe fazer uma abordagem criteriosa e individualizada da paciente, pois o que é bom para uma mulher, pode não ser para outra.

    Terapia Hormonal

    A base do tratamento medicamentoso para aliviar os sintomas do climatério é a terapia hormonal (TH), que vai repor os hormônios que deixaram de ser produzidos pelo organismo feminino. O tratamento por TH é mais seguro nos anos após a menopausa ou a perimenopausa – nome dado ao período que antecede o fi m da capacidade de menstruar. “Entre os benefícios da terapia hormonal estão a melhora da atrofi a genital, a melhoria da qualidade do sono, humor, concentração, reduções da perda de massa óssea e do risco de fraturas”, relata Dra. Maria Lúcia.

    A médica pondera que, como inúmeros tratamentos, a TH também tem contraindicações: não está recomendada para pacientes com históricos de acidente vascular cerebral (derrame); tromboembolismo, câncer de mama; de endométrio; doença hepática em atividade ou doenças cardíacas isquêmicas.

    Entre os efeitos colaterais mais relatados e gerados pela TH estão: sangramentos uterinos anormais; sensação de desconforto nas mamas; náuseas; vômitos; dor de cabeça; ganho de peso; reações na pele; coceira e alterações hepáticas.

    Soja

    A médica afirma que algumas pacientes temem que a TH aumente o risco de câncer. “O aumento do risco de câncer em quem faz uso da terapia hormonal é muito baixo. Eu indico a terapia hormonal porque durante este período a qualidade de vida da mulher cai tanto que compensa fazer o tratamento. Mas é preciso ressaltar que, antes de se iniciar um tratamento de terapia hormonal, a paciente vai responder a um questionário criterioso que vai avaliar os riscos e os benefícios.”

    O consumo de soja tem sido apontado ao longo dos anos como alternativa para se combater os efeitos do climatério. O mérito estaria na isofl avona, um dos compostos da soja. Sobre este assunto, a ginecologista é taxativa: “Não existe estudo científi co comprovando que a isofl avona possa trazer os mesmos benefícios da terapia hormonal. Até mesmo porque, para receber no organismo o aporte necessário de isofl avona, a mulher teria que consumir uma quantidade muito grande de soja. E convém lembrar que soja é um alimento muito calórico.”

    Exames

    Alguns exames são fundamentais para acompanhar e controlar os sintomas do climatério. O primeiro deles é a dosagem hormonal. “Algumas pacientes fi cam preocupadas em fazer dosagem hormonal todo ano. Mas a dosagem só precisa ser feita uma vez. Depois que se constata que houve queda na produção de hormônios não é preciso ficar repetindo o exame”, ressalta Dra. Maria Lúcia.

    Também não devem ser dispensados os exames de densitometria óssea - a cada três anos, após a menopausa - e a mamografi a. Para mulheres que passaram dos 40, uma mamografi a a cada dois anos é o sufi ciente. Para quem tem mais de 50, o exame deve ser anual.

    A médica enfatiza, no entanto, que, além de recorrer aos tratamentos, é preciso manter um estilo de vida saudável – conduta que deve ser adotada muito antes da chegada do climatério.

    Lívia Ferreira

     

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