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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Como tirar a calvície da cabeça?

  • Na foto, um caso de calvície avançada.
    Na foto, um caso de calvície avançada.

    Pelo menos uma vez por dia é comum você parar e se olhar no espelho, não é verdade? Para alguns, isto é um simples ato de vaidade, mas para outras pessoas pode ser motivado pela preocupação. Muitos homens percebem no espelho que o cabelo, antes cheio, agora está mais ralo e que o couro cabeludo, anteriormente, pouco visível, está bem evidente. Este é um alerta de que a calvície apareceu!

    De cada dez atendimentos no consultório do dermatologista Roberson S. Ramos, um é sobre calvície de padrão masculino, cientifi camente conhecida como Alopécia Androgenética, que é uma predisposição que provoca o afi namento dos fi os de cabelo e posterior queda. “Diferentemente das mulheres que chegam ao consultório se queixando que está caindo muito cabelo, os homens chegam reclamando que o cabelo está raleando, mas ele não percebe que está caindo. Essa é a grande armadilha da calvície masculina. Porque ao invés do paciente ter uma perda excessiva de cabelo, ele tem um crescimento diminuído de novos fi os”, explica o médico. Segundo a Organização Mundial da Saúde, de 50 a 70 por cento da população masculina vai apresentar algum grau de calvície até os 70 anos de idade. Destes, 80 por cento começam a apresentar queda de cabelo entre os 24 e 26 anos. O diagnóstico da calvície de padrão masculino é clínico, ou seja, não é necessário realizar exames para detectá-la, basta a avaliação de um especialista. “Mesmo em casos sutis é possível dar o diagnóstico dentro do consultório, comparando visualmente a região onde está raleando o cabelo de acordo com sete padrões que existem na medicina (ver ilustração na página seguinte)”, revela o dermatologista.

    Dr. Roberson Sousa Ramos - Dermatologista.
    Dr. Roberson Sousa Ramos - Dermatologista.

    O médico explica que nem toda queda de cabelo signifi ca calvície. Pode ser consequência de algum problema de saúde como doenças na tireóide, lúpus, defi ciência de minerais no organismo, como zinco e ferro, além do estresse emocional. Todas estas doenças levariam a uma queda temporária de cabelo, que é totalmente reversível. 

    Mesmo aquelas pessoas que não têm qualquer dessas doenças citadas anteriormente nem têm sinais de queda de cabelo, mas possuem histórico familiar muito forte de calvície, podem saber qual o risco de fi carem calvos no futuro. Segundo o Dr. Roberson, existe um teste genético, que custa cerca de R$ 500,00, que mapeia e detecta os genes responsáveis pela calvície. Se o paciente for portador destes genes, a probabilidade dele ficar calvo é de 80 por cento.

    Apesar de afetar a maioria dos homens, a calvície de padrão masculino pode ser tratada e estabilizada em muitos casos. “Hoje existem tratamentos bem efetivos, pois já se sabe como e por que a calvície acontece. Há tratamentos tópicos (loções usadas sobre o couro cabeludo), comprimidos e o micro transplante capilar”, descreve o dermatologista.

    Entre as loções tópicas, o tratamento mais antigo é feito com Minoxidil, uma substância que aumenta a circulação sanguínea no couro cabeludo e, por isso, estimula novos fios a nascer. Se a opção for tomar medicamentos, hoje o mais utilizado é a Finasterida, um remédio que bloqueia a enzima responsável por enfraquecer os folículos capilares. Todos os tratamentos para a calvície de padrão masculino são a longo prazo, podendo ser utilizados durante toda a vida.

    Todo o medicamento deve ser receitado e o tratamento acompanhado por um especialista, uma vez que certos remédios podem causar efeitos colaterais. No caso da Finasterida, a bula alerta sobre casos de impotência sexual e diminuição da libido durante o uso contínuo, mas, havendo interrupção do tratamento, as funções voltariam ao normal. O Dr. Roberson explica que suspender o uso do medicamento não fará o paciente ficar calvo de imediato: “Isso vai acontecer gradualmente. O paciente deve voltar a tomar o remédio quando perceber que a densidade do cabelo começou a diminuir novamente.”

    Escala de Hamilton sobre padrões de calvície.
    Escala de Hamilton sobre padrões de calvície.

    Para o paciente que apresenta uma calvície moderada ou acentuada, o tratamento mais indicado é o micro transplante capilar. “É uma técnica que retira fi os de uma área doadora do paciente e reimplanta na área calva. O custo pode chegar a 15 mil reais e o resultado dura cerca de 10 anos”, explica o dermatologista. 

    Dr. Roberson lembra que a calvície não é uma questão meramente estética, ela deve ser tratada com atenção: “Muitos homens levam a calvície numa boa, gostam da própria aparência, o que é muito saudável. O que não se pode fazer é esquecer que a região calva está sem a proteção natural do cabelo contra a radiação ultravioleta. Então, é muito comum a gente ver câncer de pele no couro cabeludo de pessoas calvas. Por isso, mais importante do que cuidar da aparência é lembrar-se de proteger o couro cabeludo com fi ltro solar ou usar bonés e chapéus quando se expuser ao sol.”

    Renata Cunha

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