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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Residência - Santa Casa já oferece especialização para médicos

  • Uma equipe liderada pelo neurocirurgião Marcos Antônio de Oliveira começa a supervisionar os programas de especialização em quatro áreas médicas na Santa Casa de Passos; os candidatos às oito vagas já participaram de processo seletivo.

    Equipe da Coordenação de Residência Médica e suas especialidades, a partir da esquerda: Dr. Diogo Kallas (Clínica Médica), Dr. André Silva (Pediatria), Dr. Marcos Antonio de Oliveira (Coordenação Geral), Dr. Marcel Lopes (Terapia Intensiva) e Dr. Cleuber Barbosa (Cirurgia Geral).
    Equipe da Coordenação de Residência Médica e suas especialidades, a partir da esquerda: Dr. Diogo Kallas (Clínica Médica), Dr. André Silva (Pediatria), Dr. Marcos Antonio de Oliveira (Coordenação Geral), Dr. Marcel Lopes (Terapia Intensiva) e Dr. Cleuber Barbosa (Cirurgia Geral).

    A partir de um processo seletivo de residência médica realizado em fevereiro, a Santa Casa de Misericórdia de Passos cumpre mais uma etapa rumo ao desenvolvimento da área da saúde no município e também na região. Mediante autorização do Ministério da Educação (MEC), a instituição passa a oferecer um curso de pós-graduação em residência médica em quatro especialidades: clínica médica, cirurgia geral, pediatria e terapia intensiva. Segundo o coordenador geral do programa, o neurocirurgião Marcos Antônio de Oliveira, outras especialidades devem entrar na lista dentro de um ano.

    A residência médica só é feita por médico formado e que deseja se especializar em uma área. Com uma carga de 60 horas semanais, o curso dura dois anos e é rigorosamente supervisionado por dois especialistas de cada área, sob a coordenação do Dr. Marcos Oliveira. “Todos os problemas, necessidades, diretrizes e exigências do programa são de responsabilidade do coordenador geral. O objetivo é proporcionar ao supervisor dos programas e aos médicos residentes as condições necessárias para seguir rigorosamente as exigências do MEC”, explica o neurocirurgião.

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    O Dr. Marcos Oliveira foi quem criou os programas de residência médica na Santa Casa de Passos, seguindo orientações do MEC, através da CNRM (Comissão Nacional de Residência Médica) e da CEREM (Comissão Estadual de Residência Médica). Esses programas são coordenados por uma equipe de especialistas, por meio da COREME (Coordenação de Residência Médica) – fundada no ano passado –, que em Passos é composta pelos seguintes médicos, que irão supervisionar o aprendizado do residente, conforme suas especialidades: Diogo Kallas, clínica médica; Cleuber Barbosa, cirurgia geral; André Silva, pediatria; Marcel Lopes, terapia intensiva; Maria 

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    Paula Vasconcelos, coordenação pedagógica; Diony Castro, coordenação financeira; e Marcos Oliveira, coordenação geral. 

    Cada um desses supervisores terá o auxílio de outros colegas também especialistas: Rodrigo Silveira (clínica médica), Juliano Cândido Batista (cirurgia geral) e Elaine Felca Beirigo Giannini (pediatria). A terapia intensiva, especialidade do médico que atua na UTI, é supervisionada pelo Dr. Marcel Lopes.

    Ao coordenador geral cabe organizar os supervisores dos programas e orientá-los sobre o trabalho a ser feito, representar os interesses desses supervisores e dos 

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    residentes médicos junto à diretoria do hospital, fazendo a integração das exigências do MEC e das necessidades dos residentes. O Dr. Marcos também representa a COREME da Santa Casa junto ao CEREM-MG, participando das reuniões plenárias em Belo Horizonte e responde todas as vistorias e exigências do CNRM do MEC. Outra atribuição do coordenador geral é elaborar o processo seletivo e avaliar os médicos residentes, proporcionando as condições necessárias estabelecidas pelo MEC.

    Processo seletivo teve 32 candidatos

    A residência médica da Santa Casa de Passos terá dois alunos por especialidade. O primeiro processo seletivo teve 32 candidatos inscritos vindos de diferentes faculdades, com as provas realizadas em fevereiro. O título da especialização é vinculado ao MEC, liberado pelo Conselho Nacional de Residência Médica.

    De acordo com Marcos Oliveira, a Santa Casa obteve a autorização para oferecer o curso porque possui “todas as condições técnicas de qualidade e segurança para atender aos programas de residência médica do MEC”.

    Para quem tem alguma dúvida sobre o papel do residente junto aos pacientes, o coordenador geral esclarece que o aluno é um médico generalista formado, com registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) e capacitado para atuar, embora sem título de especialista.

    “O médico residente está em treinamento para obtenção do título de especialista na área de formação, mas ele estará sempre sob supervisão do médico orientador. Os pacientes e parentes de pacientes podem ficar tranquilos porque o tratamento disponibilizado pela Santa Casa é do médico especialista credenciado ao corpo clínico. O paciente será internado em nome do médico especialista titulado, já credenciado ao corpo clínico, que assume total responsabilidade pelas condutas do tratamento dirigido aos pacientes”, observa o Dr. Marcos Oliveira.

    Carência regional por especialistas

    A Santa Casa ingressou na área do ensino médico especializado por causa de dois aspectos importantes da região de Passos, segundo o coordenador: a carência da especialidade na região e a difi culdade na contratação dos profi ssionais que se formaram em outras regiões. “Estatisticamente, existe uma tendência do médico em fixar domicílio na região onde faz a residência médica, muito mais do que na região onde faz faculdade”, explica. “Dessa forma, para a escolha das especialidades, associei as necessidades da nossa região e as especialidades que temos no nosso hospital para que, após esta etapa, possamos prosseguir com a criação do hospital de ensino”, acrescenta.

    Mas a Santa Casa não pretende parar por aí. Outras especialidades poderão ser oferecidas num prazo de um ano, segundo revela Marcos Oliveira. A COREME já está trabalhando na proposta para 2013, nas especialidades de ginecologia e obstetrícia e anestesiologia. As áreas de oncologia e nefrologia devem ser as residências médicas seguintes, segundo o coordenador.

    Enio Modesto

    Hospital avaliado em nível nacional

    Esse avanço do hospital passense tem sido possível por se tratar de uma instituição certifi cada com o título de Acreditação Plena em Nível 3 pela ONA (Organização Nacional de Acreditação), que é uma empresa que avalia hospitais, a partir de uma vistoria sobre qualidade, segurança, técnica, recursos humanos, corpo clínico, prontuários médicos e controle de sepse (septicemia ou infecção generalizada). Ao vistoriar a Santa Casa para decidir sobre a autorização da residência médica, o MEC encontrou o hospital organizado em todos os setores (por isso o nível 3, de excelência), porque, segundo Marcos Oliveira, a instituição segue rigorosamente a ONA há mais de cinco anos.

    “Dessa forma, a Santa Casa comprovou que atende todos os requisitos de um hospital de referência técnica semelhante aos grandes hospitais universitários, com o diferencial de ser um hospital acreditado pela ONA igual aos grandes hospitais privados credenciados na ANAHP, a Associação Nacional de Hospitais Particulares”, explica o coordenador do COREME.

    Os benefícios com a residência médica virão com a divulgação das práticas clínicas e cirúrgicas da Santa Casa, devendo estimular todo o corpo clínico para um envolvimento com a prática diária do ensino na instituição. Dr. Marcos também observa que o ensino faz parte da missão do hospital, que o desenvolve há mais de 15 anos. Esse trabalho começou com a enfermagem e a fisioterapia, além de promover a formação de técnicos em enfermagem. Em parceria com a Unifenas, iniciada em 2010, a Santa Casa implantou o internato de estudantes do nono e décimo período do curso de medicina.

    Para o coordenador geral, a região também deve se beneficiar com a residência médica, principalmente com a divulgação dos trabalhos científicos dos profissionais que atuam no corpo clínico do hospital e também “da boa qualidade da prestação do serviço médico”, que correspondem a uma grande porcentagem da movimentação econômico-financeiro de uma cidade”. “Neste sentido, a implantação de programas de ensino que envolva a saúde pode movimentar o setor da saúde e demais setores, não somente pela vinda de estudantes de medicina ou de residentes médicos, mas de novos pacientes de outras cidades que buscam atendimento médico de qualidade com segurança e referência internacional”, analisa Dr. Marcos.

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