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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Santa Casa conseguiu criar estrutura dinâmica em relação ao Transplante de córneas

  • Dr. Patrick Figueiredo: “Hoje, como a demanda regional vem através da Santa Casa sempre há uma média de 15 pacientes aguardando de 4 a 6 meses na lista de espera.
    Dr. Patrick Figueiredo: “Hoje, como a demanda regional vem através da Santa Casa sempre há uma média de 15 pacientes aguardando de 4 a 6 meses na lista de espera.

    No Estado de São Paulo praticamente não existe espera para transplantes de córneas. No Brasil, esses índices mudam, pois há mais de 24 mil pessoas aguardando por um transplante, para com isso, ter a possibilidade de enxergarem melhor. Em Passos, na Santa Casa de Misericórdia, as melhorias e adequações deste serviço estão a todo vapor, graças ao trabalho encabeçado pelo médico oftalmologista responsável pelo setor de Transplante de Córnea do Serviço de Oftalmologia da Santa Casa, Dr. Patrick Figueiredo.

    Em novembro de 2011, o hospital realizou seu 100° transplante de córnea desde o início dos seus trabalhos. Só em 2011 foram concretizados 20 transplantes, com uma média de 1,37 procedimentos ao mês (acima do normal). Do total, explica Dr. Patrick, praticamente 80% foram realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Hoje, como a demanda regional vem através da Santa Casa, sempre há uma média de 15 pacientes aguardando de 4 a 6 meses na lista de espera.”

    “Primeiramente é preciso agradecer ao hospital, na pessoa do seu provedor, Dr. Vivaldo Soares Neto por ter depositado a confi ança e investido em nosso trabalho”, diz Dr. Patrick Figueiredo ressaltando que a intenção de montar uma estrutura regional para transplantes de córnea na Santa Casa surgiu quando ele ainda estava em Belo Horizonte no ano de 2.000. “Naquela época parecia relativamente fácil descentralizar o sistema, já que o país estava regularizando a legislação para tais procedimentos e estávamos participando ativamente deste processo obedecendo a critérios da portaria 3.407 de agosto de 1.998”, recorda.

    Em 2.000 finalmente foi regulamentada a criação e adequação do funcionamento dos Bancos de Olhos no país e nesta época o médico já iniciava o trabalho de adequação e credenciamento da Santa Casa junto à Secretaria Estadual de Saúde, através do MG Transplantes e Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, que demorou longos três anos e meio para se concretizar depois de muita burocracia. “Mas neste intervalo, entre 2.001 e 2.004 nossa equipe realizou 11 transplantes de córnea com autorização do MG Transplantes enquanto o credenciamento tramitava nas instâncias maiores”, lembra o oftalmologista.

    A luta para o hospital ser credenciado foi dura. Em 2.004 a Santa Casa foi sim credenciada, mas a portaria 239 obrigava a paralisação das atividades que mal haviam começado, pois previa que as córneas doadas deveriam, obrigatoriamente, ser processadas, avaliadas e distribuídas por um Banco de Olhos Regional habilitado obedecendo à regularização da portaria 902 RDC 347 e na região não havia o tal Banco de Olhos.

    “Naquela ocasião então apoiamos e colaboramos na instalação do Banco de Olhos do Hospital Alzira Velano em Alfenas, que manifestou o interesse na criação da instituição por sua característica regional, facilidade de estruturação e pessoal técnico qualificado”, diz Dr. Patrick, lembrando que um banco de olhos deve ter um espaço físico de acordo com as normas de um hospital público: pessoal técnico especializado, equipamentos para realização dos devidos procedimentos e pessoal disponível 24 horas, enfim, uma instituição complexa.

    “Naquele momento não era prioridade da Santa Casa. A instituição deveria contar com voluntários da comunidade, sem intenção política ou de obtenção de lucros e sem vínculo com clubes de serviços. Um bom Banco de Olhos Regional é sufi ciente para atender a demanda de todo o Sul de Minas. E este apoio foi plenamente ratifi cado pelo MG Transplantes através da Regional Sul em Pouso Alegre.”

    1- Transplante - retirada da córnea doente. 2- Transplante - colocação da córnea doada.
    1- Transplante - retirada da córnea doente. 2- Transplante - colocação da córnea doada.

    Após o credenciamento do Banco de Olhos de Alfenas em 2006, Dr. Patrick e equipe voltaram normalmente às atividades do setor de córnea da Santa Casa de Passos. Atualmente, no Sul de Minas há 3 centros credenciados pelo Estado para doações e captações de órgãos e transplantes de córneas: o Hospital Escola Samuel Libânio de Pouso Alegre, o Hospital Escola Alzira Velano em Alfenas e a Santa Casa de Misericórdia de Passos. 

    As córneas doadas em um destes centros são todas encaminhadas ao Banco de Olhos de Alfenas, que por sua vez faz todo o trabalho de processamento, avaliação, conservação e disponibilidade das córneas para que o MG Transplantes faça a distribuição para os pacientes que estão cadastrados na lista de espera de um destes centros regionais. Tudo é insistentemente regulamentado e fiscalizado pelo MG Transplantes através da sua Regional Sul em Pouso Alegre (CNCDO Sul). “Neste serviço de transplantes da Santa Casa ocorre uma média de 1 a 2 transplantes ao mês, muito boa para a região, considerando que é um trabalho recente, iniciado praticamente há 5 anos, se comparado ao estado de São Paulo onde há bancos de olhos há quase 50 anos, como Sorocaba”, informa Dr. Patrick Figueiredo.

    1- Transplante com toda a sutura no 3º mês pós-operatório. 2- Transplante já sem nenhuma sutura com mais de 1 ano de pós-operatório.
    1- Transplante com toda a sutura no 3º mês pós-operatório. 2- Transplante já sem nenhuma sutura com mais de 1 ano de pós-operatório.

    Dr. Patrick, que é credenciado, precisa comprovar várias exigências do Ministério da Saúde, entre elas certifi cado de especialização em córnea e transplantes por no mínimo um ano em serviço referenciado. O credenciamento, explica o médico, é renovado a cada dois anos. 

    “Como mostrada na edição 77 da revista FOCO MAGAZINE foi montada recentemente a Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes – CIHDOTT – presidida pelo Dr. Giovani Verçosa e que trabalha na questão da doação de órgãos no hospital. Eu, como médico transplantador, não posso fazer parte da equipe que trabalha as doações, mas por exigência da CIDOHTT, precisei treinar duas técnicas em Banco de Olhos que farão parte em minha equipe, a Ana Maria da Silva Marques e a Sueli Vilela de Carvalho, que estão em treinamento no Banco de Olhos do MG Transplantes em Belo Horizonte. A partir do momento que estiverem habilitadas elas farão as captações de córneas doadas na Santa Casa e o trabalho de armazenamento nos padrões do Banco de Olhos de Alfenas até que as córneas cheguem lá para o processamento e a análise”, explica Dr. Patrick, enfatizando também a importância deste serviço para a região: “São mais de 35 cidades da região atendidas até o momento!”

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