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Janeiro/Março 2020
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Turismo

Líbano, exótico e completo país do Oriente Médio

  • Mirna e Cério Tiso, atrás, as ruínas de Baalbek.
    Mirna e Cério Tiso, atrás, as ruínas de Baalbek.

    Com o intuito de conhecer as origens de seus avós, a empresária Mirna Esper Monteiro e o esposo e empresário, Cério Tiso Monteiro, passaram 20 dias incríveis neste país onde foram recebidos com festa pelos parentes. Beirute, a capital do Líbano, foi destruída e reconstruída 7 vezes ganhando um título, no mínimo sui gêneris: “a cidade que se recusa a desaparecer”. No Líbano, há história e encantamento, mas o conceito de família para esses povos é de se surpreender!

    Rico em história, cultura e tradição, o Líbano, pequeno país do Oriente Médio com pouco mais de dez mil quilômetros quadrados (menor que o Estado de Sergipe) é cercado por montanhas, praias e florestas de cedro, aliás, essa é a árvore símbolo que está na bandeira do país. Em manuscritos antigos e até na Bíblia, o Líbano já aparece com o nome sugestivo de paraíso terrestre por causa de suas imensas florestas de cedro, carvalhos, pinheiros e outras árvores de essências aromáticas.

    Também foi o grande celeiro do Império Romano na antiguidade. Um Mediterrâneo de tom azulado banha toda a sua costa oeste, rivalizando com montanhas cobertas de neve no inverno, reservas ecológicas, sítios arqueológicos, monumentos e gastronomia da melhor qualidade. Há no Líbano grandes complexidades sociais, é um país cheio de história, culturas, idiomas, religiões e, principalmente, ideias. Ideias de como formar o país, de como regê-lo, de como mandar, de como fazer. Mas o que mais surpreendeu o casal Mirna e Cério Tiso Monteiro, é a vontade dos libaneses de seguir vivendo e trabalhando, bem como o conceito que têm de família.

    “Eles têm o coração forte e uma mente que não muda de ideia facilmente, por isso é que às vezes existem os conflitos. Mas o que nos impressionou é a hospitalidade árabe que é fantástica. Os libaneses dão muito valor à família!”, conta Cério Tiso, que presenciou a alegria e a euforia dos tios e primos de Mirna quando os dois chegaram ao país no final do mês de junho de 2011. O aniversário de Mirna, que é comemorado dia 1 de julho foi celebrado com os parentes, numa alegria sem igual.

    Beirute foi o primeiro local que o casal conheceu. Logo após, a cidade natal dos avós de Mirna, que é Fek e que fica no Vale do Bekaa. Foi lá que a empresária se emocionou ao pegar a terra das ruínas da casa que foi de seus avós. E foi lá que o casal se comoveu com os laços familiares. Os parentes fizeram de tudo para agradar, desde o oferecimento de presentes, aos passeios, que foram inúmeros, inclusive passatempos simples, como colher frutas nos pomares de suas residências, uma atitude que chamou atenção do casal.

    “A variedade de frutas no país é de se admirar. Comemos nozes frescas apanhadas do pé, foi um espetáculo! A diversidade de frutas servidas em qualquer mesa no Líbano é impressionante. Em um restaurante nos serviram simplesmente 13 tipos de frutas, como damascos, amêndoas, cerejas, uvas, melancias, entre outras. Aliás, a melancia é servida em praticamente todas as residências libanesas. Depois que se come de tudo eles ainda tem o hábito de servir melancia”, fala o casal revelando que fumar narguile (fumo especial conhecido popularmente como essência) é a coisa mais natural que existe em qualquer lugar, sobretudo nos restaurantes.

    A arquitetura, observou Cério Tiso, é feita na maioria por prédios baixos e a mistura é notável. O único local realmente novo no país é o centro de Beirute, que foi restaurado após os ataques de Israel. “Todo o restante tem um ar um pouco decadente. Andando pelas ruas, de repente, você se depara com um prédio super contemporâneo, um verdadeiro choque, é de se surpreender!”, comenta o empresário.

    O casal na entrada da gruta de Jeita.
    O casal na entrada da gruta de Jeita.

    Mirna afirma que a religião é muito forte no país, onde metade são católicos e a outra, muçulmanos. Uma curiosidade é que lá se fala o francês como se tivesse na França. Segundo Mirna, existe uma explicação para isso. “A França dominou o país e perdurou até a sua independência, em 1943. Beirute sempre foi uma cidade aberta ao mar e ao Ocidente. Então, lá você não encontra um morador jovem que não saiba falar, fluentemente, pelo menos 3 línguas: a nativa que é o árabe, o francês e o inglês”, explica.

    O casal conheceu lugares encantadores como as grutas de Jeita Grotto (considerada uma das maravilhas do mundo), a 30 km de Beirute. Ela é considerada uma das mais belas do mundo. Bela é modo de falar, para o casal não é metáfora, “é de amolecer o mais duro dos corações humanos”.

    Há ainda as pedras de Raouche em beira mar, no próprio centro de Beirute; a Byblos, uma das cidades mais antigas do mundo, com suas ruínas de castelo medieval; a Santa Padroeira do Líbano, Harissa, que fica localizada no alto de uma montanha, em Junih; e as ruínas de Baalbek, considerado no meio científico, um dos maiores monumentos arqueológicos do mundo e é onde se encontram os templos de Júpiter, Baco e da deusa Vênus, dos séculos II e III d.C.

    Ao final dos 20 dias neste país insólito, tão diferente do Brasil, Mirna e Cério Tiso chegaram a conclusão de que é muito agradável conhecer uma cultura oposta à nossa e que muitas atitudes simples, como o respeito e a consideração a qualquer membro familiar, é de suma importância para se viver em paz consigo mesmo. Para o casal, a valorização que os libaneses dão às suas famílias é indiscutível.

    “Particularmente voltei encantada por saber que tenho uma família maravilhosa, tão presente e tão distinta. A união entre todos é muito forte, não há nada nem ninguém que consegue desmanchar esse laço que existe em todas as famílias libanesas. Foi um aprendizado espetacular, quando der, pretendo repetir a dose!”, finalizou Mirna.

    No santuário de Sant Cherbain com os familiares.
    A árvore cedro, símbolo da bandeira do país.
    Parentes de Mirna e ao fundo das cordilheiras está a Síria.

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