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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Dor do crescimento - Uma realidade incômoda

  • Com uma grande incidência - a dor do crescimento é o principal motivo de dores nas pernas em idade pediátrica; os pais devem fi car atentos às queixas dos fi lhos e buscar orientação médica.

    A partir dos 3 anos de idade, um grande número de crianças começa a se queixar de dores nos membros inferiores: é a chamada “dor do crescimento”. Relatada na literatura médica desde o século XIX, o termo é consagrado e de uso mundial. Essas dores são reais, sendo o principal motivo de dores em membros inferiores em idade pediátrica. Não guardam relação, necessariamente, com o período de maior crescimento da criança. A incidência mundial é bastante variável; entre 3% e 37%, com pico de incidência entre o 5º e o 13º ano de vida. A causa dessas dores permanece indefi nida.

    Há várias teorias que tentam explicar a origem ou o motivo da “dor do crescimento”: microtraumatismos, hipermobilidade articular (uma maior amplitude dos movimentos das articulações), menor limiar da dor, sedentarismo e obesidade consequente. 

    Dr. Helder Augusto Martins Garcia, especialista em pediatria e neonatologia,
    Dr. Helder Augusto Martins Garcia, especialista em pediatria e neonatologia,

    Segundo o especialista em pediatria e neonatologia, Dr. Helder Augusto Martins Garcia, que atende em seu consultório um bom número de pacientes com referida patologia, “é relevante considerar que se trata de uma das formas de como a criança reage às situações vivenciadas no seu dia-a-dia. Muitas vezes, os sintomas estão relacionados a distúrbios emocionais ou situações da idade como início das aulas, confl ito familiar, nascimento de um irmãozinho, etc”. 

    As “dores do crescimento” ocorrem principalmente em coxa, face anterior da tíbia, cavo poplíteo (a dobra de trás dos joelhos) e panturrilhas. É pouco comum a queixa de dor isolada em membro superior. São difusas, intermitentes, predominantemente não articulares, embora possa haver comprometimento periarticular. Tipicamente a dor é bilateral, e pode também ocorrer ora em um membro, ora no outro, de maneira isolada. O exame físico é sempre normal, assim como eventuais exames l a b o ra t o r i a i s . “O diagnóstico é feito basicamente pela história clínica da criança, seguimento e exclusão de outras patologias”, disse o médico.

    Os pais com filhos em idades de sofrer dessa patologia podem começar a observar alguns sinais que merecem ser investigados por um especialista. Além de ocorrerem em locais mais prevalentes, a dor costuma aparecer mais no final do dia ou à noite, até mesmo podendo acordar a criança durante o sono profundo. Entretanto, chama a atenção o fato de que na manhã seguinte o filho acorda sem dor, não apresentando inchaços, vermelhidão ou formigamento.

    “As queixas, geralmente, são de difícil interpretação por envolver geralmente fatores emocionais, que devem ser levados em conta durante a avaliação médica”, explica o pediatra. “Não existe nenhum outro sintoma que se acompanhe de tanta emoção como a dor, daí as dificuldades para se fazer uma avaliação mais objetiva. O essencial sempre é acalmar e orientar a criança e os pais”, recomenda.

    Mas quem tem algum filho nessas condições pode ficar aliviado, uma vez que, a “dor do crescimento” é considerada uma patologia benigna e autolimitada – que não traz sequelas ou limitações e não refletirá no crescimento da criança. Entretanto, é importante considerar a dor da criança e amenizá-la. Massagens nos pontos dolorosos, aplicação de compressas com água quente e prática regular, mas nunca exagerada, de exercícios físicos são indicados pelo Dr. Helder: “Como as dores são de curta duração, na grande maioria das vezes, medicações não são necessárias. Nos episódios mais prolongados, podemos administrar algum analgésico, como o paracetamol, dipirona ou ibuprofeno”, disse.

     

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    Características da Dor

     
    • Duração maior: 3 meses
    • Dor não articular e intermitente
    • Bilateral
    • Membros inferiores – região anterior das coxas e pernas, panturrilhas e espaço poplíteo
    • Período vespertino e noturno
    • Duração variável
    • Outras dores recorrentes : dor abdominal (14,4%) e cefaleia (20,6%)
     
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    Sinais de Alerta

     
    • Manifestações sistêmicas
    • Dor localizada e unilateral
    • Dor na coluna vertebral
    • Dor à palpação muscular ou óssea
    • Sinais inflamatórios articulares
    • Fraqueza muscular
    • Alteração da marcha
    • Exames laboratoriais alterados

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