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Janeiro/Março 2020
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Turismo

Canadense por 46 dias

  • A professora aposentada Jesuína Faria Pereira, 69, nunca imaginou que ao receber uma intercambista do Canadá, em sua residência, no início dos anos 80, que este encontro marcaria a sua vida e a da sua família. Foi dessa maneira que ela conheceu Allison, intercambista do Rotary Club, que morou por um ano em Passos. E foi através da Allison que conheceu o Canadá, onde ficou 46 dias, o maior período de férias da sua vida.

    Sem falar uma palavra da língua inglesa, além do tradicional cumprimento e nome, mas com vontade de estar com a “filha” canadense e conhecer outras culturas, Jesuína embarcou para o Canadá no começo de junho. Passou por Lima, no Peru, onde conheceu o centro histórico e seguiu para o Canadá. Desceu no aeroporto de Toronto e seguiu para Vancouver, onde se encontrou com Allison. O restante do trajeto até Nelson, cidade ao sul da Colúmbia Britânica, sua base no Canadá, foi feito de carro. Durante os 46 dias de estadia, conheceu a cultura na sua fonte, sem estar ligada apenas aos passeios de roteiros turísticos convencionais, pois hospedada na casa de uma canadense teve contato direto com os moradores e conheceu a cultura local e suas tradições. Banhada pelo Lago Kootenay, a cidade de Nelson é considerada um dos mais belos cenários da Colúmbia Britânica. A sua localização também permitiu a Jesuína conhecer outras cidades e vilas, proporcionando um contato ainda maior com a população. “É uma pena estar aposentada. Como professora de geografia dar aulas após conhecer o local seria maravilhoso”, ressaltou.

    Durante a sua temporada no Canadá, fez coisas que nunca fizeram parte de sua rotina no Brasil. Percorreu quase todo o Lago Kootenay explorando cidades como Rossland e suas minas de ouro desativadas, a usina hidrelétrica centenária do Rio Kootenay, o artesanato de Gray Creek, o festival de jazz da linda cidade de Kaslo e o festival de rock em Nakusp. Além disso, aproveitou as estações de águas minerais nas montanhas, atravessou o lago em balsas gigantescas e acampou nos famosos parques provinciais do Canadá.

    Como boa mineira que é, Jesuína disse que as montanhas são uma de suas paixões. Atravessar as Montanhas Rochosas, explorar os picos nevados e as estações de esqui de Banff e o Lake Louise irão ficar para sempre emsua memória. Ela conta que jamais se esquecerá da exótica cor verde-água dos rios e lagos formada pelo degelo da neve.

    Na rotina doméstica do país conviveu com diversas famílias. “O canadense é preocupado com o lazer, em conhecer as culturas, os países. Isso chamou a minha atenção”, disse. Sobre a diferença entre os dois países Jesuína destacou que por já contarem com educação de alto nível, os jovens estão mais preocupados em conhecer o mundo aos 18 anos. No Brasil, a primeira preocupação é com o vestibular. No cotidiano dos canadenses percebeu a distribuição das tarefas domésticas com a família. “Os filhos têm a sua responsabilidade com a limpeza e organização da casa. Eles não têm empregada domestica e realizamtodas as atividades, mas recebem por isso”, ressaltou. A coleta do lixo doméstico é um detalhe importante na rotina da casa. Cada morador recolhe o seu lixo, devidamente selecionado, e leva até a usina. No local paga pela quantidade produzida. Dessa forma, o descarte passa a ser mais consciente.

    Dentre as atividades de lazer, acampar foi a mais interessante. “Os parques e os campings são a maior forma de lazer. O canadense procura estar em contato coma natureza. Há parques públicos mais rústicos e particulares mais sofisticados. Em todos eles pagamos pelo uso, mas é impressionante ver o retorno. Limpeza, organização e preservação da natureza. Há também nos parques anfiteatro para a realização de shows e palestras,” ressaltou. A segurança é outro quesito que chama a atenção. Todos respeitam o que é dos outros. “No festival de rock, por exemplo, as pessoas que iam dois dias deixavam suas cadeiras e ninguém ousava tocar no objeto que não era seu”, enfatiza. No festival também chamou a sua atenção a área restrita para a bebida e não considerou o consumo excessivo. Todos os eventos culturais no Canadá são frequentados por famílias, com participação desde crianças até idosos.

    Jesuína ainda pode participar de eventos nacionais como o Dia do Canadá e a comemoração de 25 anos da Selkirk International, instituto educacional onde Allison é coordenadora. No evento, a FESP - Fundação de Ensino Superior de Passos - foi listada como um dos pólos de intercâmbio com a escola canadense. Sobre o desafio de viajar sozinha e passar as maiores férias de sua vida longe da família, Jesuína ressaltou: “No mundo, eu acredito que temos muito mais pessoas boas do que ruins e a emoção traduz qualquer língua.”

    O encontro

    Allison conheceu Jesuína e família em 1982, quando foi intercambista pelo Rotary Club. Morou por sete meses na sua casa. Após a sua volta para o Canadá sempre manteve contato com a “família” brasileira, primeiro por cartas, telefone e depois, com a internet tudo ficou mais fácil. Quando nasceu a sua primeira filha deu-lhe o nome de Jesuína. Em julho de 2010 esteve no Brasil com sua filha Emily, em Passos, onde matou saudades da família brasileira. Três meses depois foi a vez de sua filha Jesuína (Jesse), que conheceu a “avó” brasileira e aproveitou para conhecer várias cidades brasileiras.

    Denise Bueno

    Tótens no parque municipal de Vancouver
    Municipal Park - Nelson - BC - Canadá
    Waterfall Park - Allison e Jesuína - Nelson - BC - Canadá
    Acampamento em Cranbrook - CA - Greg e Jesuína
    As duas Jesuínas
    Rosemary, Allison Alder e Jesuína Faria - Vancouver - CA
    Louise Lake - Banff - BC - Canadá

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