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Janeiro/Março 2020
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Saúde

VARIZES

  • Dr. Henrique Westin Ferreira Brito - “A maioria são mulheres, devido aos hormônios, como a progesterona, que ajudam na dilatação das veias.”
    Dr. Henrique Westin Ferreira Brito - “A maioria são mulheres, devido aos hormônios, como a progesterona, que ajudam na dilatação das veias.”

    Fatores ligados ao histórico familiar, sexo e o comportamento do paciente podem causar as varizes. Segundo o cirurgião vascular Henrique Westin Ferreira Brito, há como prevenir a doença e existe tratamento eficaz.

    Um problema vascular bastante comum em boa parte do mundo e que afeta mais de 20 milhões de pessoas no Brasil, as varizes são veias dilatadas e tortuosas sob a superfície da pele, podendo ser de pequeno, médio ou de grande calibre. As veias mais acometidas pela doença varicosa são as dos membros inferiores, acometendo principalmente as mulheres. Há diversos fatores de risco e felizmente existem medidas para preveni-los. Mas quem tem varizes deve se tratar adequadamente para não sofrer algum tipo de complicação, como as temidas úlceras varicosas na perna.

    “Nem todos têm essa doença. As estatísticas mostram que cerca de 18% dos adultos têm varizes. A maioria são mulheres, devido aos hormônios femininos, como a progesterona, que favorecem na dilatação das veias”, explica o cirurgião vascular Henrique Westin Ferreira Brito, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). “A hereditariedade é o principal fator de risco que favorece o aparecimento das varizes, mas também a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo, as pílulas anticoncepcionais, exposição excessiva a altas temperaturas, dentre outros, como a gravidez”, acrescenta.

    De acordo com o Dr. Henrique Brito, as varizes são sinais de um problema de circulação venosa. “Para voltar dos pés para o coração, o sangue luta contra a gravidade e essa tarefa é realizada pelas veias, que são auxiliadas por alguns mecanismos nesse trabalho. Quando esses mecanismos deixam de funcionar como deveriam, o sangue passa a refluir e fica parado dentro das veias, contribuindo para o aparecimento das varizes”, diz o médico.

    Esses mecanismos são as válvulas venosas, que existem dentro das veias e ajudam o sangue a subir para o coração, evitando seu refl uxo ou acúmulo, e também dois tipos de bomba: a plantar – que bombeia o sangue acumulado nos pés e é acionada toda vez que pisamos; e a muscular da panturrilha – que é simplesmente a contração dos músculos da batata da perna toda vez que caminhamos.

    “O avanço da idade ou fatores ligados à hereditariedade podem fazer as veias perderem sua elasticidade, apresentando dilatação e dificultando o funcionamento das válvulas. Com essa deficiência, o sangue volta e fica parado dentro das veias. Esse processo provoca mais dilatação e refl uxo, formando as varizes”, explica o Dr. Henrique Brito. “Algumas pessoas têm veias mais fracas e menos resistentes a esse trabalho contínuo de promover o retorno venoso. Essas características têm um importante componente hereditário. Por essa razão existem muitas pessoas com varizes dentro da mesma família.”

    PREVENÇÃO E TRATAMENTO

    É possível se prevenir contra as varizes. Evitar ganhar peso, consumir alimentos ricos em fibras, não permanecer parado em pé ou sentado por muito tempo, não usar cintas abdominais apertadas, fazer caminhadas ou exercícios físicos com supervisão médica, não fumar, usar meias elásticas, principalmente durante a gravidez, evitar hormônios anticoncepcionais e consultar regularmente um angiologista ou cirurgião vascular, são algumas medidas contra a doença.

    Se mesmo assim as varizes aparecerem, o médico irá indicar um ou mais tratamentos, como a injeção de substâncias químicas (esclerosantes) que expulsam o sangue para as veias normais e entopem aquelas que estão sendo tratadas. Essa técnica é utilizada para microvarizes (vasos) e para varizes de pequeno calibre. Para as varizes mais complicadas são indicadas cirurgias, que hoje em dia são menos agressivas e exigem, na maioria dos casos, apenas 24 horas de internação hospitalar.

    Existem outras técnicas de tratamento, como a laser escleroterapia, o laser endovenoso e a radiofrequência, cuja indicação depende da avaliação do cirurgião. “O tratamento específico é de acordo com as condições em que se encontra a veia a ser tratada. Nos pacientes que não querem ou não podem fazer nenhum desses tratamentos, podemos empregar medicação, recomendar elevação das pernas e uso de meia elástica”, disse o Dr. Henrique Brito.

    SINAIS, SINTOMAS E COMPLICAÇÕES DAS VARIZES

    De acordo com o Dr. Henrique Brito, a maioria dos pacientes se queixa do fator estético das varizes, pois, quando estão na posição de pé, as veias ficam dilatadas, tortuosas e bastante visíveis. Além desses, há outros sinais e sintomas de varicose:

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    - Presença de veias azuladas e muito visíveis abaixo da pele. 

    - Agrupamentos de finos vasos avermelhados, chamados por alguns pacientes de “pequenos rios e seus afluentes”.

    - Sensação de queimação nas pernas e planta dos pés.

    - Inchaço, principalmente nos tornozelos ao final do dia.

    - Prurido ou coceira.

    - Cansaço ou sensação de fadiga nas pernas.

    - Sensação de peso nas pernas.

    - “Pernas inquietas”.

    - Cãimbras.

    As complicações provocadas pelas varizes são o eczema, que começa com uma coceira, dermatite, flebite (inflamação da veia) e trombose  – que pode afetar veias mais profundas e levar à embolia pulmonar  - pigmentação e escurecimento da pele, hemorragias e úlceras, que podem se tornar difíceis de serem tratadas, se o paciente não procurar o especialista correto.

    Cirurgia vascular menos invasiva chega a Passos

    Em breve, estará disponível em Passos uma nova técnica cirúrgica menos invasiva, voltada para o tratamento de problemas arteriais e venosos. É a cirurgia endovascular, cujo principal objetivo é reduzir a agressividade cirúrgica tradicional.

    A cirurgia endovascular utiliza catéteres e guias, ambos manipulados à distância e acompanhados em telas de monitores. “Os principais objetivos dessa técnica é minimizar a agressividade cirúrgica, para se evitar as grandes incisões e as cicatrizes. Além disso, diminuímos o tempo de internação do paciente e os custos hospitalares”, explica o cirurgião vascular Henrique Westin Ferreira Brito.

    Esse procedimento pode ser realizado numa sala de hemodinâmica ou no centro cirúrgico de um hospital. A cirurgia endovascular é feita por punção (cateterismo) dos vasos ou através de pequenas incisões cirúrgicas, preferencialmente na virilha ou no membro superior. Em princípio, a anestesia é local, de modo que, se necessário, outras podem ser usadas.

    As duas principais doenças arteriais são a aterosclerose e os aneurismas.

    Os sintomas arteriais mais comuns são a claudicação (dor nas musculaturas das pernas em caminhadas) e as úlceras isquêmicas. Esses sintomas se referem às patologias arteriais obstrutivas, assim chamadas por obstruírem a passagem do sangue. Outra doença bem comum é o conhecido aneurisma.

    As doenças venosas, como a trombose venosa profunda, também podem ser tratadas pela técnica em que, através do catéter, se injeta uma substância que atua dissolvendo os trombos, possibilitando a re-canalização do vaso.

    Para as varizes a cirurgia convencional é a técnica mais usada. No entanto, segundo o Dr. Henrique Brito, vêm se desenvolvendo outras maneiras de preveni-las, e a cirurgia endovascular pode se apresentar como uma boa alternativa.

    Serviço: Henrique Westin Ferreira Brito é especialista em cirurgia vascular e endovascular pelo Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Atendimento: Travessa São João, 40 - 1º andar - Fone: (35) 3521-8411

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