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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Síndrome do Olho Seco

  • Incidência maior nesta época do ano

    Dr. Patrick Figueiredo, oftalmologista – “Cuide dos seus olhos: o olho seco é mais comum do que você pensa”.
    Dr. Patrick Figueiredo, oftalmologista – “Cuide dos seus olhos: o olho seco é mais comum do que você pensa”.

    Você está com vermelhidão, coceira, sensação de areia e ardência nos olhos? Estes são os possíveis sinais da Síndrome do Olho Seco, um problema comum que atinge de 7 a 35% da população mundial. Se você faz parte das estatísticas, descubra como sair dela com saúde!

    Geralmente as pessoas acham que pode ser normal, sentir os olhos ardendo, lacrimejando, embaçados e, às vezes, ligeiramente vermelhos. Na verdade estes são sintomas típicos de quem sofre da Síndrome do Olho Seco.

    Quem explica sobre a doença é o médico oftalmologista Patrick Figueiredo, especialista em catarata, córnea e doenças oculares externas.

    De acordo com o Dr. Patrick, nesta época do ano, onde o clima é mais seco, ocorre uma diminuição da umidade relativa do ar, agravando os sintomas de quem tem a doença ou ocasionando um olho seco sazonal que também merece tratamento. Assim como hidratamos a pele nesta época, devemos ‘hidratar’ ou lubrifi - car os olhos e nos proteger dos raios UV do sol.

    “CAMADAS DA LÁGRIMA” - Estrutura ilustrativa do fi lme lacrimal indicando, acima da membrana celular do epitélio da córnea, uma camada com muco de densidade regressiva à medida que se afasta da superfície e uma camada lipídica mais superfi cial.
    “CAMADAS DA LÁGRIMA” - Estrutura ilustrativa do fi lme lacrimal indicando, acima da membrana celular do epitélio da córnea, uma camada com muco de densidade regressiva à medida que se afasta da superfície e uma camada lipídica mais superfi cial.

    Uma película lacrimal saudável consiste no equilíbrio de duas camadas (Fig. 1 - página seguinte). A camada externa ou lipídica (gordura) é uma camada oleosa que inibe a evaporação da parte aquosa da lágrima. A outra, é a mucoaquosa (água e muco) que lubrifi ca, estabiliza o filme lacrimal e leva nutrição à córnea.

    A Síndrome do Olho Seco é basicamente classifi cada em duas formas: Defi ciência aquosa: quando a pessoa tem uma diminuição na produção de água da lágrima. Evaporativa: quando ocorre uma defi ciência na produção lipídica (gordura) da lágrima. E só pode ser diagnosticado através de exames e por um profi ssional da área.

    O “olho seco” é uma disfunção lacrimal acompanhada de aumento da osmolaridade (alteração da composição) da lágrima que desencadeia um processo infl amatório crônico na superfície ocular que resulta em desconforto, distúrbios visuais e instabilidade da película lacrimal, com dano potencial às células da superfície (Fig.2 - página seguinte).

     

    Olho seco moderado mostrando lesões das células epiteliais da córnea e conjuntiva coradas com Rosa Bengala.
    Olho seco moderado mostrando lesões das células epiteliais da córnea e conjuntiva coradas com Rosa Bengala.

    “Os sintomas mais frequentes são: ardência ou queimação ocular, sensação de areia, coceira, secreção, sensação de cansaço visual ou visão embaçada, olhos vermelhos e difi - culdade em usar lentes de contato,” explica o oftalmologista.

    Segundo o Dr. Patrick a melhor maneira de minimizar o ressecamento dos olhos é evitar ambientes secos tais como: salas superaquecidas ou com ar condicionado, vento e fumaça. Manter o ambiente mais úmido, usando umidifi cadores de ar ou vasilhas com água na época de clima seco.

    Em ambiente externo é importante o uso de óculos que cubram totalmente os olhos para reduzir o efeito de ressecamento causado pelo vento.

    Quando os olhos estiverem coçando, lave-os com bastante água fi ltrada ou soro fi siológico. É importante beber água frequentemente para se hidratar.

    Ao usar o computador ou ler por tempo prolongado, não se esquecer de piscar frequentemente os olhos. É recomendável manter um umidifi cador ou uma vasilha com água e ainda, manter o monitor abaixo de sua linha de visão.

    Consultar o seu oftalmologista e ver se há necessidade de tratamento medicamentoso com colírios lubrificantes e/ou anti-inflamatórios, inserção de “plugs” nos pontos lacrimais e outros. “A suplementação alimentar com ômega3 estimula o organismo a melhorar a quantidade e a qualidade das lágrimas”, conclui.

    Causas da Síndrome do Olho Seco

    Vários fatores podem contribuir para esta doença, mas entre os mais comuns estão os seguintes:

    •O Processo de Envelhecimento: Normalmente, conforme a pessoa envelhece, os olhos começam a produzir uma menor quantidade de lágrimas lubrifi cantes (camada lipídica/ gordura).

    •Fadiga ocular por leitura ou trabalhos com computador: Pessoa que lê com frequência ou passa várias horas diante do computador podem apresentar quadro de Olho Seco, por causa da funcionalidade das pálpebras na lubrifi cação e limpeza ocular.

    •Condições Ambientais: Muitos fatores ambientais podem causar a doença, desde dias ensolarados, até vento, neve, baixa umidade, poluição atmosférica, altitudes elevadas, ventilador e ar condicionado.

    •Uso indiscriminado e sem acompanhamento médico de lentes de contato: Usuários de lentes de contato geralmente sentem desconforto ocular devido à Síndrome do Olho Seco. Isto pode levar a irritação, infecção e maior quantidade de depósitos de proteínas. Pesquisas demonstraram que a Síndrome do Olho Seco é a principal causa de intolerância às lentes de contato.

    •Medicamentos: O uso de certos tipos de medicamentos, tais como descongestionantes, anti-histamínicos, contraceptivos, analgésicos e beta- bloqueadores podem causar uma redução da produção e secreção de lágrimas. O uso prolongado de colírios também pode agravar as condições da síndrome.

    Tatiana Batista

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