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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Pombos também transmitem a meningite

  • A infectologista Rosana Teixeira em seu consultório: “Nós temos mecanismos de defesa e formas de combater esse fungo, mas quando temos alguma doença que afeta a imunidade celular, o organismo fi ca suscetível a esse tipo de infecção.”
    A infectologista Rosana Teixeira em seu consultório: “Nós temos mecanismos de defesa e formas de combater esse fungo, mas quando temos alguma doença que afeta a imunidade celular, o organismo fi ca suscetível a esse tipo de infecção.”

    Um dos principais vetores da doença é o pombo doméstico; o contágio se dá por meio da inalação de um fungo presente nas fezes dessa ave, que nosso organismo se encarrega de eliminar; quando isso não acontece, ocorre uma forma de meningite que pode ser fatal.

    A meningite é um tipo de doença que provoca preocupação em praticamente todas as pessoas, especialmente os pais de fi lhos pequenos. É que em certos casos, a infecção que acomete a meninge, uma membrana do cérebro – às vezes, até o próprio cérebro -, pode causar a morte do paciente ou deixá-lo com graves sequelas. Existem vários tipos de meningite: viral, bacteriana e também aquelas transmitidas por protozoários ou fungos, cuja gravidade varia de acordo com o tipo de infecção. Uma das mais perigosas é a meningite por criptococos, causada pela inalação de um fungo presente nas fezes de determinadas aves, como o pombo doméstico, desses que encontramos em toda parte, sobretudo em ruas e praças.

    A médica infectologista Rosana Porto Viana Teixeira explica que nesse caso a infecção raramente afeta as crianças, sendo mais comum entre os adultos. “É uma doença gravíssima que acomete e forma lesões no cérebro (torulomas), mas que pode ser reversível”, observa a médica.

    “É uma doença gravíssima que acomete e forma lesões no cérebro”, alerta a infectologista Rosana Teixeira.

    O criptococos não é encontrado apenas nas fezes de pombos, mas em diversas aves, e não há motivo para alarde, já que esse tipo de animal existe em praticamente todo o mundo, sem afetar a saúde das pessoas. O problema, segundo observa Rosana Teixeira, é com a imunidade do paciente. Se ele tiver alguma defi ciência nas defesas do organismo – que ocorre em determinadas doenças (Aids, câncer linfático e diabetes, dentre outras), a chance desse tipo de meningite se desenvolver é maior. Por outro lado, se a saúde da pessoa estiver em boas condições, seus próprios anticorpos vão eliminar ou neutralizar a infecção.

    “Nós temos mecanismos de defesa e formas de combater esse fungo, mas quando temos alguma doença que afeta a imunidade celular, o organismo fica suscetível a esse tipo de infecção”, disse a médica, que é membro das sociedades brasileiras de Infectologia, Pediatria e de Medicina Intensiva. “O fungo pode estar presente (em nosso organismo) desde a infância e poderá se desencriptococos em seu consultório. A vítima é um jovem que teve a doença descoberta em estágio adiantado. Ele chegou a ficar em coma num hospital de Ribeirão Preto. Seu pai – que preferiu não ser identificado – disse que o rapaz vem melhorando, mas que o quadro de saúde ainda é preocupante. “Ele tem uma imunodefi ciência específica para fungos que será estudada futuramente”, disse, observando que o mais recente exame de sangue indicou melhora em relação à infecção e que seu filho já voltou a conversar, embora ainda ouça pouco.

    Em relação a esse caso, a médica ressalta que a imunodefi ciência do paciente “não é causada por nenhuma das doenças citadas”. “Ele tem uma provável deficiência na imunidade celular, cuja origem será investigada, estudada após o restabelecimento de sua saúde”, afirmou. “Em Passos tem muitos casos (de meningite por criptococos), mas são pacientes portadores do HIV (vírus da Aids). Em pessoas que não têm Aids essa forma de meningite é raríssima”, ressaltou.

    A infectologista explica que as meningites transmitidas por agentes infecciosos, como as bactérias e os vírus, são curáveis, mas costumam deixar sequelas. “Pode ocorrer alteração visual, auditiva, retardo de aprendizado e de memória”, disse. “O tratamento da viral é mais tranquilo, com soro e remédio para a dor. O próprio organismo se encarrega de eliminar o vírus”.

    Entretanto, a demora no diagnóstico das meningites bacterianas, principalmente as mais prevalentes - pneumocócica, meningocócica e estafilocócica -, pode resultar na morte do paciente. No caso da meningocócica, o índice de mortalidade é de 80%, se a infecção estiver generalizada. “Quando a doença está no início é bem mais fácil de tratar o paciente”, disse a médica.

     

    Pombos domésticos na rua em frente à antiga rodoviária; é comum encontrá-los em bando pela cidade.
    Pombos domésticos na rua em frente à antiga rodoviária; é comum encontrá-los em bando pela cidade.

     

    O QUE É MENINGITE

    É uma inflamação das meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro. É uma doença grave e endêmica provocada por bactérias, vírus, parasitas e fungos, afetando qualquer pessoa, adulta ou criança. O maior número de casos ocorre no inverno, por causa da facilidade de contágio proporcionada pela aglomeração das pessoas. A maior responsável por surtos e epidemias é a meningite meningocócica (bacteriana), sendo a de maior importância em relação à saúde pública.

    PRINCIPAIS TIPOS DE MENINGITE

    - Viral – é a mais frequente e a mais fácil de ser curada; não deixa sequelas na maioria dos casos.

    - Bacteriana – as mais prevalentes são o pneumococo, meningococo e o estafilococo.

    - Fúngica – causada pelo fungo Criptococo neoformans; vive no solo e nas árvores e é isolado nas fezes do pombo.

    SINTOMAS

    Variam de acordo com o tipo de meningite e a idade do paciente, mas na maioria dos casos, a doença se manifesta por meio de febre, dor de cabeça (cefaleia) e vômitos. A meningite fúngica apresenta esses sinais e também fotofobia (aversão à luminosidade), défi cit neurológico focais – alterações visual, auditiva, dificuldade em movimentar mãos e braços -, convulsões, neuropatias cranianas e hidrocefalia (líquido na cabeça).

    TRATAMENTO

    Poderá ocorrer a internação do paciente, com prescrição de antibióticos específicos.

    PREVENÇÃO

    Promover a detecção e o tratamento dos casos, para evitar que ocorra um surto ou epidemia. Existem vacinas para alguns tipos de meningite, como a BCG (contra a meningite tuberculosa), Tríplice Viral, que previne por meio do vírus da caxumba e a HIB. Para alguns casos são oferecidas, pelo Ministério da Saúde, as vacinas meningocócica C e a pneumocócica.

    Fonte: sites www.infectologia.org.br e www.tudoresidenciamedica.hpg.ig.com.br

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