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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Alergia ao Leite de Vaca X Intolerância à Lactose

  • Intolerância à Lactose é diferente de alergia às proteínas do leite, e a expressão alergia à lactose é, infelizmente, fruto da confusão entre ambas as patologias.

    Dra. Elenice de Fátima Maia Martins - Médica Pediátrica e Alergologista.
    Dra. Elenice de Fátima Maia Martins - Médica Pediátrica e Alergologista.

    Apesar de serem causadas pelo mesmo alimento e de apresentarem sintomas semelhantes, a alergia ao leite de vaca (ALV) e a intolerância à lactose (IL) são duas patologias diferentes. A IL ocorre porque o organismo não produz ou passa, por algum motivo, a produzir pouco a enzima lactase, responsável pela digestão da lactose (açúcar no leite). Em consequência, a lactose se acumula no intestino, para onde atrairá água, será fermentada pelas bactérias, com formação de gases, provocando diarreia, cólicas, distensão abdominal, e desconforto. “No diagnóstico realizamos o teste de tolerância à lactose com monitorização da quantidade de hidrogênio e também uma pesquisa de uma substância redutora nas fezes, além é claro, de um estudo clínico do paciente”, ressalta Dra. Elenice Maia. O tratamento, conforme a médica, é mais fácil que a ALV. “Alguns casos não precisam excluir totalmente a lactose da dieta, apenas ingerir leite e derivados com baixo teor de lactose já resolve o problema”, fala Dra. Elenice. “Aproximadamente 2% da população geral é afetada por algum tipo de alergia alimentar. Pacientes suspeitos devem ser adequadamente diagnosticados pelo médico. O diagnóstico é importante para não levar a criança à desnutrição”, afirma. Dra. Elenice afi rma que o leite materno é a melhor opção para crianças menores de 2 anos e deve ser exclusivo até os 6 meses de vida. “O importante é diferenciar a alergia da intolerância ao leite de vaca. Seguindo o tratamento correto - dieta sem leite de vaca e derivados por determinado tempo, dependendo de cada paciente, é possível acontecer a cura, sendo reintroduzido gradativamente o leite e seus derivados e não mais apresentar a alergia ao leite, ocorrendo assim, a dessensibilização”, diagnostica Dra. Elenice. 

     

    ALV vem aumentando nas últimas décadas
     
    Já a ALV é provocada pelas proteínas presentes no leite (vaca, cabra ou búfalo), principalmente a globulina (que é identificada pelo sistema imunológico como um agressor), um agente estranho que precisa ser combatido. A partir da ingestão destas proteínas o sistema imunológico desencadeia uma verdadeira guerra contra os “agressores”, e esta guerra é a responsável pelos sintomas – diarreia, dor abdominal, flatulência e ainda: lesões na pele, como urticária e coceira, inchaço nos olhos e lábios, espirros, tosse, prurido intenso, sintomas respiratórios, inflamação da mucosa intestinal e até pequenos sangramentos intestinais. “A alergia alimentar traz grandes problemas às crianças, tanto pelo aumento de sua prevalência, como alterações no seu desenvolvimento pondero- estatural e também prejuízos à sua qualidade de vida”, fala Dra. Elenice ainda completando: “A alergia alimentar, especialmente ao leite de vaca vem aumentando muito nas últimas décadas. As mães têm introduzido precocemente outros alimentos na dieta do bebê, o que não é aconselhável”, revela.“É por isso que é tão importante o uso do leite materno exclusivo até os 6 meses de vida. Ele diminui a incidência da alergia ao leite de vaca”, observa a pediatra.
     
    O  tratamento da alergia ao leite é um pouco mais severo: exclusão do leite de vaca e derivados das crianças, leite materno até os 6 meses, leite de soja após 6 meses de vida, hidrolizado protéico e ainda fórmulas de aminoácido. A prevalência da ALV é maior na infância devido a dois fatores: predisposição genética e introdução do leite de vaca antes dos 6 meses de vida. “É que quando nascem, os bebês têm um sistema imunológico imaturo e dependem muito dos anticorpos do leite da mãe para um melhor processo de adaptação e maturação”, conclui Dra. Elenice. 
     
    Graciela Nasr

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