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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Os riscos da desidratação em idosos

  • Por razões naturais, eles são mais suscetíveis a perderem líquido corporal e por isso mesmo precisam receber mais cuidados para prevenir graves consequências e até a morte.

    O Geriatra Matheus de  Medeiros Castro:
    O Geriatra Matheus de Medeiros Castro: "Os idosos são mais suscetíveis à desidratação pois não sentem sede como os mais jovens."

    Qualquer pessoa, por diversos motivos, pode se desidratar e sofrer as consequências desse distúrbio causado pela perda de líquido do corpo. Os idosos, no entanto, são mais vulneráveis, pois não sentem sede como os mais jovens e os sintomas de que estão doentes também são diferentes. Consequentemente, os danos para a saúde dos mais velhos chegam a ser irreversíveis se o diagnóstico e tratamento não forem feitos rapidamente. Por isso, as pessoas mais próximas a eles devem ficar mais atentas a alterações que passarem a apresentar.

    A desidratação se caracteriza pela perda em excesso de água pelo organismo, isto é, quando a quantidade perdida é maior que a quantidade ingerida através de líquidos e/ou alimentos, segundo o geriatra Matheus de Medeiros Castro. 
     
    “Quaisquer fatores que possam contribuir para que haja uma redução na ingestão hídrica ou um aumento na perda de líquidos podem levar a uma desidratação, por exemplo: alguma doença neurológica, ortopédica ou qualquer limitação física que dificulte o acesso à água. Por outro lado, a ocorrência de vômitos, diarreia, febre ou uma sudorese excessiva devido a temperaturas elevadas leva a uma perda excessiva de líquidos pelo organismo”, explica o médico.
     
    Os riscos da desidratação em idosos

    A desidratação é uma doença grave que precisa ser tratada a tempo, seja qual for a idade do paciente, porque os sintomas ficam piores na medida em que a perda de líquido se acentua. São sinais de que o corpo perdeu líquido demais: Sede intensa, urina reduzida e de coloração mais escura, pele e mucosas secas (boca seca), dor de cabeça, náuseas, fraqueza e mal-estar.

     
    Porém, nos idosos, vários desses sintomas estão ausentes, enquanto que outros podem estar presentes sem que haja desidratação. Exemplo disso são aqueles idosos que apresentam respiração mais bucal - respiram com a boca aberta - levando a uma secura na boca e língua”, acrescenta Dr. Matheus. 
     
    Pode estar desidratado o idoso que apresentar sonolência excessiva, confusão mental, piora na constipação intestinal, quedas e dificuldades para se locomover. De acordo com o geriatra, é muito importante que os cuidadores ou pessoas próximas aos idosos fiquem atentos às alterações citadas, para que o diagnóstico médico não seja feito tardiamente.
     
    Nos idosos, esse distúrbio é mais grave e pode levá-los à morte, se o diagnóstico não for feito a tempo. “A gravidade ocorre devido a dois fatores em especial. Primeiramente, quase sempre há um atraso no diagnóstico ou no reconhecimento do quadro, devido à falta de especificidade dos sinais e sintomas. O segundo fator que geralmente agrega uma maior gravidade nos casos de desidratação nessa faixa etária seria a própria idade mais avançada, que estaria associada a uma menor reserva funcional, acarretando uma maior taxa de complicações”, explica Dr. Matheus.
     
    Ainda conforme o médico, os idosos são mais suscetíveis à desidratação do que os mais moços, devido a três fatores principais: menor quantidade de água no corpo, o que faz com que se desidratem com maior facilidade; menor funcionalidade dos rins, que são fundamentais para a conservação de água, fazendo que a percam em volumes maiores; mudanças que ocorrem no organismo com o avanço da idade – uma delas faz com que os idosos sintam menos sede que os adultos jovens, favorecendo a desidratação.
     
    A desidratação pode ter consequências muito sérias para as pessoas, podendo até levá-las à morte. Nas formas leves, não há consequências importantes para o organismo, porém, na medida em que a desidratação aumenta, várias disfunções orgânicas podem ocorrer: mau funcionamento dos rins, podendo levar a insuficiência renal aguda; constipação intestinal grave com risco de infecções intestinais; aumento no risco de trombose venosa, convulsões e até coma profundo devido à perda de água e ao excesso de sódio no organismo; alterações cardiovasculares, ocasionando quedas na pressão arterial, arritmias e parada cardiorrespiratória, nos casos mais graves.
     
    Os riscos da desidratação em idosos
    Os riscos da desidratação em idosos

    Para evitar a desidratação, as pessoas podem se prevenir, oferecendo mais líquidos aos entes da terceira idade, especialmente aqueles com algum tipo de limitação física ou mental. Segundo o geriatra, geralmente são aquelas pessoas que sofrem de alguma patologia mental, como Mal de Alzheimer, sequela de AVC (derrame) ou Parkinson, em estado avançado que lhes causaria dificuldade de acesso a líquidos. Também precisam atenção os idosos com quadro de vômitos, diarreia e aqueles que consomem diuréticos em exagero, que levam a perda aumentada de líquidos.

     
    Já as pessoas desidratadas devem ser tratadas com base na administração de líquidos. Dependendo da severidade das alterações orgânicas, esses líquidos são repostos por via oral ou endovenosa. “Nos casos mais leves, em que pessoas estão alertas e aptas para deglutir sem riscos de engasgos, devemos oferecer líquidos com frequência, de preferência isotônicos, como soro caseiro, água de coco e várias soluções disponíveis nas farmácias”, orienta Dr. Matheus.
     
    O médico diz que é importante lembrar que na desidratação a pessoa não perde apenas água, mas também vários sais existentes no organismo. Assim, os isotônicos e as demais bebidas mencionadas devem ser a primeira opção. Mas, na falta dessas soluções, deve-se oferecer água mesmo ao paciente, aos poucos e com frequência, até que os sintomas melhorem: aumento e clareamento da urina, mucosas úmidas, melhora da fraqueza e do mal-estar, etc.
     
    “Porém, nos casos mais graves, isto é, quando existe uma sonolência excessiva, quedas de pressão ou vômitos persistentes, o tratamento deverá ser feito em ambiente hospitalar, com soro na veia, o mais precoce possível”, adverte.
     
    Enio Modesto
     
    Quantidade de líquidos a ser ingerida
    Quantidade de líquidos a ser ingerida

     

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