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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Burnout: A síndrome do esgotamento de profissionais

  • O transtorno pode ocorrer em qualquer área profissional, mas estudos mostram que na educação, saúde e outras áreas de trabalho intenso com pessoas o Burnout é considerável.

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    A síndrome de burnout é classificada como um esgotamento profissional devido a estresses cumulativos durante a jornada de trabalho e caracterizado por um estado de tensão emocional e exaustão que se reflete em atitudes negativas do profissional. Quem sofre de burnout apresenta uma série de sintomas que o levam à diminuição do desempenho no trabalho, a problemas de relacionamento com os colegas e até a doenças mentais. As classes profissionais mais afetadas são aquelas em que o trabalhador lida com um grande número de pessoas, como os professores, médicos e enfermeiros. Outras áreas profissionais mencionadas em publicações sobre a síndrome em que o risco de se desenvolvê-la é grande são as de assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada de trabalho. No entanto, qualquer trabalhador de qualquer área profissional pode ser acometido pelo transtorno. 

    O burnout é um termo em inglês que, literalmente, quer dizer “queimar completamente”, e é utilizado na área da saúde para se referir ao esgotamento total do indivíduo decorrente do estresse crônico com o trabalho. Ele ocorre em profissionais que atuam de forma intensa e constante com grupos de pessoas, nas diversas situações de atendimento, como na escola e em hospitais.
     
    Quando a síndrome se manifesta, o trabalhador passa a se mostrar desanimado e desmotivado com o trabalho. Num estágio mais avançado, ele começa a apresentar doenças psicossomáticas, que culminam com o afastamento temporário das funções até a aposentadoria por invalidez.
     
    A psicóloga Niany Farjalla:
    A psicóloga Niany Farjalla: "O diagnóstico leva em conta o levantamento da história do paciente e seu envolvimento e realização pessoal no trabalho".

    Segundo a psicóloga Niany Farjalla, o sintoma típico da síndrome de burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas: “ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo e baixa autoestima”, diz.

    O burnout também se manifesta no aspecto físico, acometendo a pessoa através de dor de cabeça, enxaqueca, cansaço, suor excessivo, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma e distúrbios gastrointestinais. “O diagnóstico leva em conta o levantamento da história do paciente e seu envolvimento e realização pessoal no trabalho”, explica a psicóloga.
     
    Na Europa, a síndrome é apontada com um dos fatores principais da diminuição da qualidade da saúde na década de 1990 entre os trabalhadores. Uma avaliação feita por uma importante organização de saúde daquele continente, a Health Enhancement Research Organization (HERO), em 46 mil trabalhadores, detectou quais eram os fatores de risco responsáveis pelo aumento de custos médicos. A depressão (70%) e o estresse (45%) e a combinação entre eles (146%), que são alguns dos sintomas e das causas do burnout, são os resultados dessa análise da HERO.
    No Brasil, embora não exista um banco de dados mais amplo relacionado à prevalência do burnout, estudos com profissionais de saúde mostram altos índices da síndrome. No Rio Grande do Norte, 93% de um total de 205 profissionais de três hospitais apresentavam a síndrome em níveis moderado e elevado.
     
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    Outra classe profissional avaliada é a da educação, especialmente os professores. Foram avaliados 30 mil docentes de ensinos fundamental e médio em todo o país, de 1.440 escolas e, destes, 26% tinham sintomas de exaustão emocional. Os índices variaram de 17% em Minas Gerais a 39% no Rio Grande do Sul.

     
    As causas do burnout entre os professores são variadas, podendo ser uma combinação de número grande de alunos por sala de aula, falta de assistência e apoio, pais hostis, falta de tempo e reuniões em excesso. No início do burnout, o profissional sofre com um sentimento de desconforto com o trabalho, que progride para uma queda na vontade de lecionar.
    O risco de desenvolvimento do transtorno, porém, não está associado apenas ao trabalho. Fatores individuais, sociais e organizacionais também contribuem para o surgimento da patologia. Por causa da complexidade do tema, os sinais e sintomas da síndrome foram divididos em quatro estágios (veja no quadro), que indicam sua evolução e ajudam a pessoa a tratar-se antes que o burnout atinja o nível que a leva ao afastamento das atividades.
     
    Esses estágios começam com manifestações simples, talvez até difíceis de serem associadas à uma síndrome, e vão gradualmente evoluindo para sintomas mais específicos e mais graves.
    Para prevenir e tratar os professores afetados pela síndrome de burnout, o Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) publicou uma cartilha. Além de informações sobre o transtorno e dicas de prevenção, a publicação ressalta a importância do trabalhador em consultar um médico ou psicoterapeuta para a avaliação correta e intervenção adequada. 
     
    Enio Modesto
     
    Fonte: cartilha
    Fonte: cartilha "Burnout em professores"/ SinproRio

     

     
     

     

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