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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Aumento da próstata atinge até 80% dos homens

  • Se não for tratada a tempo, a hiperplasia prostática benigna pode causar até insuficiência renal; nova técnica cirúrgica contribui para o tratamento da doença que afeta a maioria dos homens idosos.

    O Urologista Sérgio Medeiros Silveira: "A gente tem que estar sempre aberto para o que a medicina tem a oferecer e às novas técnicas que surgem e podem trazer benefícios para os pacientes".
    O Urologista Sérgio Medeiros Silveira: "A gente tem que estar sempre aberto para o que a medicina tem a oferecer e às novas técnicas que surgem e podem trazer benefícios para os pacientes".

    Uma doença benigna, isto é, não cancerígena, mas que afeta cerca de 80% dos homens idosos, a hiperplasia prostática benigna (HPB) pode e deve ser tratada quando os primeiros sintomas começam a surgir. A HPB é um crescimento anormal da glândula genital masculina que obstrui a uretra, canal por onde é excretada a urina. Os cuidados precoces evitam que a doença evolua e chegue aos níveis de retenção aguda da urina até à insuficiência renal, comprometendo seriamente a qualidade de vida do paciente.

    São diversos os procedimentos para tratar essa doença, indo da medicação nos casos sem gravidade a vários tipos de cirurgias para reduzir o tamanho anormal da próstata. “Na maioria dos casos a doença é tratada com medicação, quando não está tão grave. E para os casos mais evoluídos, temos que optar pela cirurgia”, explica o urologista Sérgio Medeiros da Silveira.
     
    O médico diz que esse aumento da próstata costuma ocorrer em homens quando estes chegam aos 45 anos e que as chances da doença são maiores à medida que a idade avança. Nos idosos, a taxa varia de 70 a 80%. Nos mais jovens, a incidência é rara, mas o Dr. Sérgio já tratou um paciente de 42 anos.
     
    Quando a HPB não é devidamente tratada ou é diagnosticada tardiamente, ela causa diversas complicações no funcionamento do sistema urinário. No começo, há uma obstrução da uretra, dificultando a passagem da urina. Essa deficiência leva a um esforço maior da bexiga na tentativa de eliminar seu conteúdo. Assim, o paciente passa a sofrer também da chamada “bexiga de esforço”, que é uma hipertrofia do músculo desse órgão. Todo esse problema acaba afetando os rins e termina na retenção urinária aguda. Quando chega a esse ponto, a pessoa não consegue mais urinar e precisa usar sonda.
     
    Quando a HPB (Hiperplasia Prostática Benigna) não é devidamente tratada ou é diagnosticada tardiamente, ela causa diversas complicações no funcionamento do sistema urinário.
    Quando a HPB (Hiperplasia Prostática Benigna) não é devidamente tratada ou é diagnosticada tardiamente, ela causa diversas complicações no funcionamento do sistema urinário.

    O urologista conta que os homens precisam ficar atentos a qualquer alteração no momento de urinar, que podem ser os sintomas iniciais da hiperplasia. A próstata pode ter aumentado quando passa a ocorrer os seguintes casos: a pessoa passa a ir ao banheiro com mais frequência; o jato de urina fica mais fino; em vez de sair em jato, a urina fica pingando; o ato de urinar se torna intermitente; passa a ocorrer a noctúria, isto é, quando o paciente tem que levantar da cama mais de duas vezes à noite para urinar.

     

    O tamanho normal da próstata é de até 30 gramas. Quando ocorre a hiperplasia, ela passa para 50, 60 gramas. Há casos em que o aumento é acima de 100 gramas. A prevenção da hiperplasia é feita com a ida periódica ao urologista, que avalia o paciente com o toque retal e através de exames: ultrassom e PSA (de sangue).

    PLASMA BUTTON
     
    Quando os remédios não são suficientes para reverter a anomalia, o tratamento recomendado é a cirurgia. São várias técnicas, como a cirurgia aberta (prostatectomia), a transvesical, que é feita através da bexiga, e as endoscópicas, que são menos invasivas. Entre elas, as mais comuns são: a RTU-P (ressecção trans-uretral da próstata) e vaporização por plasma button. Esta última, foi realizada em Passos pela primeira vez no mês passado, quando dois pacientes foram submetidos com sucesso ao procedimento.
     
    Os médicos Urologistas Tiago Botrel Maia, Cleiton Piotto Assunção, Sérgio Medeiros da Silveira e o anestesista Marcel Resende Lopes compõem a equipe que realizou, recentemente na Santa Casa de Passos, um inédito procedimento cirúrgico para redução de próstata: “Eletrovaporização” ou “Vaporização por Plasma Button”.
    Os médicos Urologistas Tiago Botrel Maia, Cleiton Piotto Assunção, Sérgio Medeiros da Silveira e o anestesista Marcel Resende Lopes compõem a equipe que realizou, recentemente na Santa Casa de Passos, um inédito procedimento cirúrgico para redução de próstata: “Eletrovaporização” ou “Vaporização por Plasma Button”.

    A operação foi realizada na Santa Casa por uma equipe de urologistas:   Sérgio Medeiros da Silveira, Cleiton Piotto Assunção e Tiago Botrel Maia e o anestesista Marcel Resende Lopes. Esse procedimento é minimamente invasivo e tem outras vantagens em relação à RTU, segundo explica Dr. Sérgio. “A Vaporização por Plasma Button é tão eficiente quanto a RTU, mas o sangramento é menor, os pacientes usam sonda por menos tempo e, como é usado soro fisiológico para irrigação e não água destilada, podemos ressecar próstatas maiores que requerem mais tempo de cirurgia, sem risco de intoxicação pela água”, disse.

    Ainda de acordo com o urologista, a vaporização da próstata pode ser feita em qualquer paciente com a hiperplasia, principalmente nos mais obesos em que o órgão ultrapassou os 100 gramas. Perguntado sobre como vê a introdução dessa técnica em Passos, o urologista respondeu: “A gente tem que estar sempre aberto para o que a medicina tem a oferecer e às novas técnicas que surgem e  podem trazer benefícios para os pacientes”.
     
    Enio Modesto

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