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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Descubra o prazer terapêutico da música

  • Você alguma vez já parou para pensar que o nosso corpo é uma verdadeira orquestra sinfônica? Pois é, com base na musicoterapia podemos dizer que a corrente sanguínea, coração, estômago entre outros órgãos, produzem sons capazes de compor uma bela melodia. Está se perguntando: mas afinal de contas, o que é musicoterapia? Trata-se de uma terapia em que é utilizada a música como forma de expressão, auxiliando na melhora do bem-estar e na qualidade de vida das pessoas. A musicoterapeuta Talita Abreu Rodrigues revelou durante um bate papo com a Foco Magazine, que a música, além de ajudar na maioria das patologias, conforta, atrai e é companheira de todas as horas.  “Nós somos música o tempo todo. Às vezes é difícil expressar com palavras. Por que não usar a música? Onde a palavra falha, a música fala”, orienta a profissional.

     

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    Uma sessão de musicoterapia proporciona relaxamento, concentração, reduz o estresse, a depressão, ajuda a equilibrar a emoção, a regular os batimentos cardíacos e até a respiração. Mas não se preocupe. Ninguém precisa saber tocar nenhum tipo de instrumento, ser um compositor, muito menos ter o cuidado de produzir um som bonito. A intenção é manifestar as emoções por meio de qualquer objeto capaz de produzir um som. Além disso, a música tem o poder de nos tornar mais sociáveis, tanto nas relações profissionais quanto pessoais.

    O musicoterapeuta é um profissional com vasta formação musical (teoria e canto) além de ter aptidão para tocar vários instrumentos e formação ao nível da saúde e medicina, com conhecimentos profundos de psicologia, anatomia e fisiologia humana.

    O interessante nas sessões de musicoterapia, que podem ser individuais ou em grupo, é que conseguimos expor sentimentos que nem sempre são fáceis de expressar verbalmente, o que proporciona uma sensação de alívio. O tratamento não tem uma duração pré-determinada, isso depende das necessidades e objetivos de cada um. “Todos se beneficiam. Os idosos com suas músicas antigas, reatando a memória e trabalhando a coordenação motora. As crianças com músicas infantis, trabalhando a concentração, a agitação e os adultos com seus conflitos sendo resolvidos através de composições e recriações musicais. Todos fazem música e se espelham nelas, o que acaba trazendo conforto e prazer”, explica a musicoterapeuta, Talita Abreu Rodrigues.

    Existem dois tipos de sessões de musicoterapia: a interativa e a receptiva. Na interativa, a pessoa produz o som e algumas vezes, o musicoterapeuta toca junto. Isso alivia as tensões e libera os sentimentos. Já na receptiva, o paciente só ouve as músicas de um CD montado especialmente para ele. Ao produzi-lo, leva-se em consideração as angústias que o paciente está sentindo naquele momento.

    A musicoterapeuta Talita Abreu Rodrigues: “Para um depressivo, por exemplo, a música acolhe, conforta, começando a melhora no inconsciente.”
    A musicoterapeuta Talita Abreu Rodrigues: “Para um depressivo, por exemplo, a música acolhe, conforta, começando a melhora no inconsciente.”

    Involuntário

    O nosso cérebro responde de forma natural à música. Tanto é, que quando percebemos já batemos o pé ao som de uma canção. Em pouco tempo estamos a cantar a letra e quando vemos estamos bem mais dispostos e alegres – é um processo involuntário. Um anti-depressivo natural. Talita acrescenta ainda outros benefícios: ajuda no tratamento da Síndrome de Down, de Rett e Tai Sax, na paralisia cerebral e ainda na auto-estima, linguagem (fala), memória, organização e muitas outras patologias.

    “É muito gratificante. Para um depressivo, por exemplo, a música acolhe, conforta, começando a melhora no inconsciente. Quando percebe, o paciente já está mudando seu pensamento, seus modos e compondo ou tocando músicas que ‘falam’ positivamente. A auto-estima é muito procurada pelos adolescentes também, como o primeiro namoro e a questão do ciúme. Nesse caso, o trabalho é incluir artes, leitura e desenho com música que vai trazer ainda mais prazer ao jovem. Pais de crianças hiperativas com dificuldade de se relacionar e  com quadros de autismo também procuram muito o tratamento. A musicoterapia facilita a abertura dos canais de comunicação, utilizando som, ritmo e movimento”, explica Talita.

    A profissional explica que na música, o próprio silêncio tem seu ritmo. “O silêncio é música também, prova disso é o nosso coração. Podemos ficar quietos e nosso coração não para de marcar o pulso.

    Nessas horas, costumo citar uma frase do Fernando Anitelli: ‘A incrível mágica acontece quando os instrumentos descobrem afinações humanas entre si, no mesmo instante que os seres humanos descobrem afinações musicais dentro deles mesmos.’ Está aí: às vezes precisamos do silêncio e mesmo com o silêncio, a música não para de falar em nós”, conclui a profissional.

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    BENEFÍCIOS DA MUSICOTERAPIA

    - Alivia o estresse

    - Funciona como antidepressivo

    - Diminui a timidez

    - Regula os batimentos cardíacos

    - Desenvolve a coordenação motora

    - Melhora o raciocínio e o autoconhecimento

    - Faz com que a pessoa entre em contato com o seu interior,
    liberando sentimentos e atitudes que podem ser desconhecidos

    - Favorece a busca da harmonia e do equilíbrio

    - Aumenta a criatividade e a espontaneidade

    MÚSICA PARA QUEM?

    Para experimentar e se beneficiar dos efeitos da musicoterapia não tem que conhecer nada sobre música, não tem que saber cantar, nem que saber quem foram os Rolling Stones! Tem, simplesmente, que ouvir e deixar a música trabalhar para si e para o seu bem estar. Por isso a musicoterapia é aberta a todas as pessoas.

    Há resultados positivos comprovados em pessoas com dificuldades emocionais e distúrbios mentais, doentes oncológicos, pessoas com problemas de relacionamento, comunicação, comportamento e integração social; grávidas (tranquiliza tanto a gestante como o bebê e também ajuda na hora do parto) e idosos (nos doentes com Alzheimer, desequilíbrios físicos e dores crônicas, entre outros).

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