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Janeiro/Março 2020
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Esporte e Saúde

O legado da Copa do Mundo 2014

  • Marcelo Campos Machado
  • Passados 12 meses da Copa do Mundo, o maior evento esportivo de futebol transformouse em furacão no Brasil, deixando um rastro de obras inacabadas, uma crise financeira instalada, corrupção por todos os cantos brasilis e crise na FIFA.

    Não só a derrota sofrível que o Brasil teve em campo pela Alemanha, mas derrotas visíveis nas 12 cidades-sede do evento aconteceram. Conforme a Folha de São Paulo, ao menos 35 obras de transporte coletivo e de aeroportos ainda não estão concluídas. Destas, algumas estão atrasadas, paradas ou nem foram iniciadas, alguns casos com suspeitas de corrupção.

    Quanto aos estádios, ou melhor, arenas, alguns caminham para virar “elefantes brancos” nos casos de Brasília e Cuiabá. O Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, arena mais cara da Copa do Mundo, custou R$ 1,4 bilhão, inaugurado em maio de 2013 com capacidade de 71 mil espectadores. A arena Pantanal, Cuiabá, inaugurada em abril de 2014 com capacidade de público para 41 mil, custou R$ 650 milhões, ambos estão ociosos e tiveram em 2014 (ano da Copa) somente 29 e 24 jogos respectivamente.

    Quanto ao setor de transporte urbano, o principal legado do torneio, somente 21,4% das obras de grande porte foram concluídas, segundo levantamento da Folha de São Paulo, as BRTs (ônibus especiais em corredores) de Salvador, Recife, Curitiba, Manaus, Fortaleza, Porto Alegre, estão em obras. O monotrilho em São Paulo, lançado para a Copa do Mundo com previsão para março de 2013, pulou para 2017, já em Manaus, o monotrilho não foi iniciada a obra. As VLTs (trens leves sobre trilhos) é ainda mais assustador, em Cuiabá, Fortaleza, Brasília as obras tiveram início e estão paradas, enquanto que 40 trens encomendados e pagos para circular nas VLTs estão parados num pátio, ao custo de R$ 500 milhões.

    Quanto à corrupção, diversas obras estão sendo investigadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por conta de superfaturamento, e a FIFA, entidade máxima do futebol, está envolvida por diversos escândalos de compra de votos de seus vice-presidentes, que chegou ao pedido de renúncia do Presidente da FIFA, o suíço Sepp Blatter, poucos dias depois de ser reeleito pela 5ª vez.

    O legado deste megaevento foi muito mais negativo que positivo, e no ano que vem teremos outro megaevento, as Olimpíadas Rio 2016. Que possamos mostrar mais aspectos positivos que negativos, após um ano da sua realização.

    por Marcelo Campos Machado

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