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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Dê Esperança à Vida

  • O projeto Centro de Integração à Vida - C I V I surgiu através da instituição AVA (Associação Social Vida & Arte), um trabalho que a Igreja Sara Nossa Terra, faz com os jovens em busca ativa de outros jovens para aconselhamento, motivação e espiritualidade. Foi através desse trabalho, que perceberam a necessidade de trabalhar com dependentes químicos, que precisavam de algo a mais, além de encontros. Daí surge o CIVI.

    Esse Centro de Integração à Vida, é sem fins lucrativos, e conta com vários profissionais: monitor, enfermeiros, preparadores físicos, psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras, técnica em reabilitação e nutricionista. Antes de o paciente ser direcionado para a internação, ele passa por uma triagem social e psicológica para saber qual modalidade ele vai se enquadrar. Enquanto o paciente está internado na instituição, a família também recebe ajuda através de reuniões com psicólogos. Esse trabalho é fundamental para o apoio ao doente, afinal a família é uma parte muito importante do tratamento.

    Apesar do índice de recuperação ainda ser baixo, Nóris Lemos, assistente social e coordenadora do AVA, diz que eles trabalham acreditando nos 100% de recuperação. “Nós acreditamos que é possível, não trabalhamos com aquela frase que dizem por aí, uma vez dependente químico, sempre dependente químico – nós acreditamos na mudança, na transformação, uma vida que se recupera já é uma vitória”.

    Residentes do C I V I
    Residentes do C I V I

     

     

    Para as famílias que não tem condições financeiras, a igreja estabeleceu um projeto “Parceiro de Deus”, direcionado a arrecadar recursos para essas vagas solidárias. “Quando a família nos procura e diz que não tem condições financeiras, uma assistente social vai até a casa dela e faz uma visita, para ver a real condição sócioeconômica, para termos um critério de seleção”, conta Nóris.

    Peças desenvolvidas pelos residentes do C I V I.
    Peças desenvolvidas pelos residentes do C I V I.

    O C I V I está na fase de estruturação, com capacidade para 30 vagas, hoje está com apenas 3 pacientes internados, mas com novas parcerias, a entidade pretende aumentar essas colaborações e divulgar mais esse trabalho. Para quem tem interesse é só procurar o escritório que fica na Rua Juscelino José Esper 56 A, Praça da Matriz.

    Um dos pacientes que passaram pela instituição, é Everaldo de 37 anos, foi usuário de drogas por 20 anos, e chegou a morar na rua, ficou internado por 7 meses e saiu há 20 dias, e já está trabalhando. “No início já me deparei com um lugar maravilhoso, oportunidade de mudança, posso dizer que é como se eu tivesse feito uma faculdade de vida, só tenho a agradecer a todos os profissionais e parceiros do C I V I, e o apoio não foi só a mim, mas à minha mãe que já não aguentava mais me ver naquela situação”, conta ele. Um dos projetos que está em desenvolvimento no mês de julho, é o “Modelando a Vida”, em parceria com Ateliê Rosely Barbon, para criar a oportunidade de desenvolver uma interessante atividade para os internos, em processo de tratamento químico, como terapia ocupacional e possibilitando a confecção de peças (bowl) que terá finalidade e utilidade em evento beneficente a ser promovido em agosto pela entidade. “Sempre tive vontade de realizar um projeto com dependentes químicos, conversando com a psicóloga Maria de Lourdes, ela me falou do C I V I. Desde então estou há um ano elaborando o projeto, e agora estamos realizando, me sinto muito feliz por isso”, diz Rosely.

    Jéssica Fonseca

    Terapia ocupacional com argila.
    Rosely Barbon e participantes do projeto ?Modelando a Vida? na produção das peças em argila no C I V I.

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