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Janeiro/Março 2020
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Saúde

As alergias e suas consequências

  • A alergia é tema recorrente durante os meses mais frios do ano, e tem sido discutida cada vez mais, diante do número crescente de pessoas que apresentam os sintomas. As doenças alérgicas, de um modo geral, estão relacionadas à predisposição genética dos indivíduos, e podem ser desencadeadas por diversos fatores e manifestada nas mais diversas formas.

    Dra. Mirella Lopes Vicinelli
    Dra. Mirella Lopes Vicinelli

    A médica Mirella Lopes Vicinelli cursou medicina na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, e mantém duas paixões na profissão: a pediatria e a alergologia. Na capital fluminense fez residência médica em pediatria no Hospital Municipal Salgado Filho e se especializou em alergia na Policlínica Geral do Rio de Janeiro, sob a supervisão do conceituado Dr. João Bosco de Magalhães Rios, livre-docente e grande alergologista, com mais de 50 anos de experiência. A Policlínica é referência nacional. A sua história registra a criação do primeiro laboratório especializado no atendimento aos portadores de doenças alérgicas e o primeiro serviço universitário especializado em alergia do Brasil, na época chefiado pelo renomado Dr. Brum Negreiros. Nessa matéria, em especial, Dra. Mirella esclarece um pouco as causas e consequências de algumas das doenças alérgicas e indica meios para melhorar a qualidade de vida amenizando os sintomas.

    Números assustadores

    As alergias são respostas exageradas a agentes que o organismo não tolera ou que determina como estranhos. Podem ser causadas por agentes externos (cosméticos, agente físico), internos (alimentação e medicação), influências do meio ambiente (clima, poluição, animais, ácaros, mofo) e fatores emocionais. Embora, seus sintomas, às vezes, sejam ignorados por muitos, os números mostram a intensidade da doença no mundo. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) 400 milhões de pessoas sofrem de rinite alérgica e 300 milhões de asma.

    Mesmo os números sendo assustadores, uma série de medidas, consideradas preventivas, podem ajudar os indivíduos alérgicos a evitarem as crises ou deixá-las menos recorrentes, melhorando a qualidade de vida de seus portadores.

    Teste alérgico.
    Teste alérgico.

    Doenças

    No período do frio alguns tipos de alergias são mais frequentes, entre elas a rinite, a asma e a dermatite atópica. A rinite se manifesta pela inflamação das vias aéreas superiores e provoca espirros, secreção, obstrução nasal, coceira (nariz, ouvido, garganta e olhos) pigarro e lacrimejamento. Seus sintomas podem parecer comuns e, muitas vezes, não são considerados doença. Mas a frequência das crises pode diminuir a qualidade de vida, o desempenho das atividades e atrapalhar o sono. A rinite não tratada, em alguns casos, pode evoluir com crises de asma, que se manifesta com chiado no peito, falta de ar e tosse. No outono e inverno, meses em que os Rinovírus e demais vírus respiratórios se manifestam, os pacientes alérgicos ficam mais suscetíveis a desencadear crises devido ao processo inflamatório causado por esses vírus.

    As baixas temperaturas podem afetar também o maior órgão do corpo: a pele. As dermatites atópicas são comuns no frio e são desencadeadas pela perda da integridade da pele, devido a um defeito genético, que leva à perda de água. Como nessa época do ano a umidade do ar é baixa, a pele torna-se ainda mais seca, o que é pior com banhos quentes, o uso de sabão alcalino e buchas. Os sintomas são bolinhas vermelhas na pele, coceira e descamação, principalmente, nas áreas de dobra do corpo, além de infecções secundárias.

    Tratamento

    O diagnóstico correto é o primeiro passo para o tratamento e prevenção das crises. Para se chegar à causa da doença pode-se realizar testes alérgicos, realizados em consultório ou unidade hospitalar, com diagnóstico mais rápido e maior sensibilidade, além de exames laboratoriais específicos.

    Durante o diagnóstico, além dos testes, outros fatores são considerados como a hereditariedade, o stress e o fator emocional. Para ficar longe das crises é preciso que as pessoas estejam equilibradas física e emocionalmente.

    Alergia

    Prevenção

    O tratamento ideal das doenças alérgicas, após o diagnóstico, segundo Dra. Mirella, se baseia em um tripé, onde, aproximadamente, 60% seria controle de ambiente e mudança dos hábitos de vida para afastar o agente causador. Os outros 40% ficariam a cargo de medicações para retirada de crises, controle e imunoterapia (vacina) específica quando houver indicação.

    “Para as pessoas alérgicas à poeira, por exemplo, o ideal é que não varram o chão, mas utilizem o aspirador e o pano úmido. Ao varrer o chão, as partículas ficam suspensas no ar por 4 e 6h e descem. Outra questão que envolve o tempo seco é o uso do umidificador, que deve ser utilizado à noite, quando as temperaturas são mais baixas e o ar fica mais seco. Porém, deve-se abrir a casa durante o dia para arejar e bater sol, matando o ácaro, que gosta de meio úmido e abafado. É necessário a troca de travesseiros e colchões com frequência e o uso de capas protetoras antiácaros”.

    Segundo Mirella, os fatores preventivos são responsáveis por boa parte da recuperação do paciente. Entre as medidas, para aqueles que sofrem com as alergias respiratórias, o controle ambiental dos agentes desencadeadores como a poeira, ácaros e o frio, é fundamental.

    Cuidados

    • Alguns medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos e antitérmicos podem desencadear processos alérgicos. Fique atento e leia sempre a composição da medicação. Se houver o componente alérgico, não use.

    • A poeira da casa é a causa mais comum de reações alérgicas respiratórias, como a asma, a rinite e a conjuntivite alérgica. Os ácaros, seres microscópicos que vivem na poeira da casa, são os principais provocadores dos sintomas alérgicos. Estão presentes em colchões, travesseiros, cobertores, almofadas, mobílias, estofados, tapetes, carpetes e cortinas. Desenvolvemse mais nos períodos frios.

    • Limpe a casa todos os dias. Use pano úmido, não varra, nem espane. Abra as janelas para ventilar. O sol mata os fungos e ácaros. Combata o mofo, as baratas e conserte focos de infiltração e umidade.

    • Evite produtos com cheiro ativo: desinfetantes, ceras, incensos e inseticidas.

    • Retire tapetes e carpetes. Cortinas podem ser mantidas, mas devem ser leves e lavadas com frequência.

    • Ventiladores e o filtro do ar condicionado devem ser limpos com frequência.

    • Evite ter animais de estimação, mas se os tiver evite que fiquem no quarto de dormir e que subam nas camas e estofados. Dê banho semanal nos animais.

    • Não fume ou permita que fumem perto de você.

    • No quarto de dormir retire os objetos que tornam depósito de pó e dificultam a limpeza.

    • Mantenha a cama afastada das paredes. Evite bicamas, beliches ou as do tipo baú.

    • Prefira travesseiros e colchões antialérgicos ou forrados com capas impermeáveis.

    • Não use travesseiros velhos. Troque-os anualmente ou lave as capas protetoras com mais frequência.

    • Troque as roupas de cama semanalmente. Tenha cuidado com os cobertores e agasalhos guardados há muito tempo.

    Denise Bueno

    Alergias

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