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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Uma nova vida sem o cigarro

  • Sim, é possível parar de fumar sem mistérios. Esta é uma das propostas dos profissionais da área de saúde da empresa Furnas Centrais Elétricas, que desenvolveram o projeto Deixando de Fumar sem Mistérios, em dois municípios que sediam a empresa: São José da Barra/MG e Rio de Janeiro/RJ. Desenvolvido pela Gerência de Segurança do Trabalho e Saúde dentro do PRAD (Programa de Prevenção aos Problemas Relacionados ao Álcool, Tabaco e outras Drogas), o projeto alcançou 38% em aproveitamento superando índices nacionais do programa.

    A equipe que atua nesse trabalho é formada por enfermeiras, assistente social, médico do trabalho, educador físico e psicóloga que aplicam suas especialidades e experiências profissionais juntamente com material e metodologia desenvolvida pelo Ministério da Saúde e INCA (Instituto Nacional do Câncer). Ao longo das atividades outros profissionais como nutricionistas, dentistas, fonoaudiólogos e ex-fumantes também participam das ações. O resultado tem beneficiado dezenas de pessoas que lutam contra o vício.

    O programa “Deixando de Fumar sem Mistérios” é desenvolvido em sessões semanais, quinzenais e mensais, promovendo a interação do grupo em uma rede de apoio às mudanças sem estimular a dependência. As ações visam dar ao fumante as condições de ser o autor da sua própria história sem o uso do cigarro. Entre as ações desenvolvidas, os participantes são preparados para solucionar problemas e usar as suas habilidades para resistir às tentações, prevenir recaídas e saber lidar com o estresse. Durante os quatro meses do projeto são questionados o porquê de fumar e como o vício afeta a saúde. “A proposta é apoiar os participantes com ações que preveem a abstinência, o estresse e a importância do positivismo nessa fase, bem como estimular a prática da atividade física em busca da melhoria da qualidade de vida”, relata o educador físico Luiz Carlos Borges Rezende.

    A assistente social Cibele Gomes Mota Araújo, destaca que a empresa pretende abrir novos atendimentos para outras regiões, mediante interesse. “O aproveitamento registrado no nosso trabalho foi muito superior à média nacional que é de 20%”. A enfermeira Raquel Salviano Silva Melo Mendes ressalta que cada participante foi avaliado pelo Teste de Fagerstrom, que mede o grau de dependência à nicotina.

    “Com o resultado identificamos a necessidade de utilização de medicamentos como os repositores de nicotina e antidepressivos, seguindo orientação médica, esclareceu Raquel.

    O projeto teve início em agosto de 2014. “Inicialmente, as sessões eram semanais. A partir do sexto encontro, passaram a ser quinzenais e, após dezembro, mensais, com os chamados grupos de manutenção, cujo objetivo é apoiar os participantes na superação de obstáculos que possam surgir, mantendo o foco nos benefícios de se manter sem o cigarro”, salienta a psicóloga Jaqueline Viana Modesto. O Programa “Deixando de Fumar sem Mistérios” foi criado para dar apoio àqueles que querem deixar o vício, mas não conseguem.

    Tabagismo

    Apesar dos alertas e dos fatores que colocam em risco a vida dos fumantes, o cigarro continua conquistando novos adeptos. O combate ao tabagismo é registrado em todo o mundo diante dos problemas que causa à saúde de homens e mulheres.

    É considerado uma doença crônica e um canal que desencadeia cerca de outras 50 doenças, além de matar mais que a AIDs, cocaína, heroína, álcool, acidentes. É a maior causa isolada evitável de adoecimento e morte precoce em todo o mundo.

    Equipe multidisciplinar. Da esquerda para a direita: Cibele (Assistente Social); Rosangela (Enfermeira), Luiz Carlos (Educador Físico); Raquel (Enfermeira) e Jaqueline (Psicóloga). Ainda fazem parte da equipe os médicos do trabalho Dr. Jorge Nelson e Dra. Marcia Nogueira.
    Equipe multidisciplinar. Da esquerda para a direita: Cibele (Assistente Social); Rosangela (Enfermeira), Luiz Carlos (Educador Físico); Raquel (Enfermeira) e Jaqueline (Psicóloga). Ainda fazem parte da equipe os médicos do trabalho Dr. Jorge Nelson e Dra. Marcia Nogueira.

    A nicotina, uma das substâncias que compõem o cigarro, causa dependência física, emocional com consequências comportamentais. No plano físico, modificações do sistema nervoso com a dependência. No plano psicológico interfere nos sentimentos positivos ou negativos e no comportamental, nas associações que o fumante faz com acontecimentos do dia a dia. 

    O outro lado do vício

    Segundo dados do Conselho Econômico Social dos Estados Unidos, os países em desenvolvimento registram maior índice de pessoas viciadas em cigarro. No Brasil, várias campanhas estão sendo realizadas desde o final da década de 1980 em parceria com o Ministério da Saúde e o INCA em ações do PNCT (Programa Nacional de Controle ao Tabagismo). O Programa busca reduzir a prevalência de fumantes e a morbimortalidade relacionada ao consumo do fumo, prevenir a iniciação ao tabagismo, promover a cessação de fumar e proteger a população da exposição à fumaça ambiental do tabaco.

    As campanhas resultaram a promulgação da Lei 12.546/11 que prevê ambientes livres de fumaça de cigarro. Por ser altamente tóxica, deve ser eliminada de ambientes fechados, escolas, áreas de saúde, espaços públicos, entre outros.

    Além do malefício causado à saúde, o tabaco prejudica o orçamento pessoal e familiar contribuindo para o empobrecimento de indivíduos e familiares com o possível uso de medicamento, perda da produtividade e renda.

    Narguilé

    Outros cigarros 

    Diante de tantas campanhas, outras formas de consumo do tabaco começam a surgir, principalmente entre os jovens. Uma dessas formas é o Narguile, considerado pelo INCA e ANVISA como muito pior que o cigarro. Utilizado para o consumo do tabaco com a mistura de diversos sabores e aromas, o Narguile tem um processo que as substâncias aderem ainda mais aos pulmões, causando mais danos à saúde. Uma hora fumando Narguile é o equivalente ao consumo de 100 cigarros.

    Outro mecanismo utilizado por aqueles que querem parar de fumar é o cigarro eletrônico, também nocivo à saúde segundo estudos realizados no Hospital Albert Einstein. Substâncias cancerígenas e tóxicas foram encontradas nos e-cigarettes. 

    Treinamento

    O Ministério da Saúde e o INCA oferecem capacitação aos profissionais de unidades e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), interessados em implantar o programa “Deixando de Fumar sem Mistérios”.

    Denise Bueno

    Narguilé

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