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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Como proteger a pele do Sol

  • Verão com altas temperaturas e pouca chuva é sinal de baixa umidade do ar, fatores que causam danos na pele desprotegida; algumas medidas ajudam a pessoa a evitar desde doenças leves até as mais graves.

    O dermatologista Roberson Sousa Ramos: entre 60 e 70% do peso do corpo é composto por água e uma das funções da pele é funcionar como barreira para evitar a saída dessa água.
    O dermatologista Roberson Sousa Ramos: entre 60 e 70% do peso do corpo é composto por água e uma das funções da pele é funcionar como barreira para evitar a saída dessa água.

    O verão 2014/2015 não está fácil para os brasileiros, principalmente na região Sudeste. Chuvas abaixo da média histórica, sol escaldante, escassez de água potável e uma consequente baixa umidade do ar para esta época do ano, em que a presença de água no ar deveria ser alta, são fatores prejudiciais à qualidade de vida das pessoas. E a pele é o órgão do corpo humano diretamente afetado por esses fenômenos climáticos e que, por isso mesmo, requer cuidados especiais. Segundo o dermatologista Roberson Sousa Ramos, entre 60 e 70% do peso do corpo é composto por água e uma das funções da pele é funcionar como barreira para evitar a saída dessa água. 

    A umidade baixa altera a proporção de água na pele, tornando-a mais seca e, assim, mais sujeita a outros problemas: coceira, eczema e dermatite atópica são alguns efeitos dessa sequidão. “São doenças típicas de inverno, mas que atipicamente apareceram no verão deste ano”, observa Dr. Roberson. Se a pessoa ficar sob o sol, as consequências podem ser mais graves ainda, causando desidratação e queimadura solar a curto prazo e câncer de pele, atrofia precoce e manchas senis, principalmente nas mãos e no rosto, que são as áreas que ficam mais expostas aos raios solares.

    Colo do pescoço com manchas causadas pela exposição ao sol.
    Colo do pescoço com manchas causadas pela exposição ao sol.

    A desidratação da pele é mais perigosa para quem tem dificuldade para se comunicar, ou seja, pedir água, como os bebês e idosos doentes. Quem consome bebida alcoólica e alimentos gordurosos também está propenso a perder líquido e sais minerais. Para os adeptos da cerveja, a informação é que ela pode ser uma bebida refrescante, mas o corpo elimina mais água junto com a urina. Por isso, é recomendável a pessoa ingerir água cada vez que for ao banheiro, orienta o médico. 

    “Com o calor, numa temperatura ambiente de 30ºC (graus Celsius) há uma perda de 500 ml (mililitros) de água no suor por hora, isso é muito numa situação de clima quente e seco”, alerta o dermatologista, chamando a atenção das pessoas para medidas de proteção da pele e adoção de hábitos alimentares e de hidratação que ajudam a superar o calor e o tempo seco.

    Proteção da pele ao sol.

    Protetores solares, roupas especiais para banhos de piscina, mar e rio; chapéus e andar na sombra são alguns meios para evitar os danos nesse órgão vital para o ser humano. Para matar a sede e se refrescar, é bom tomar água, água de côco, sucos naturais de frutas, especialmente o de melancia. “Transformar em hábitos pequenas atitudes dessas, na vida inteira, faz muita diferença”, aconselha Dr. Roberson. 

    As pessoas que trabalham sob o sol, como os trabalhadores rurais, da construção civil, entre outros, devem usar chapéus de abas largas, que cubram até as orelhas, e camisa de manga longa. Para aliviar o calor, o trabalhador pode colocar uma toalha ou um pano úmido em volta do pescoço, tendo o cuidado de molhá-lo novamente toda vez que secar.

    Japonesas usando sombrinhas, um hábito que protege a pele.
    Japonesas usando sombrinhas, um hábito que protege a pele.

    Um antigo costume também pode ser resgatado pelas gerações mais novas, o uso de sombrinhas. Chapéus, bonés do tipo “legionários” (aqueles que ficam sobre um pano que cobre as orelhas e a parte de trás do pescoço) e cobertura do colo (parte entre o pescoço e o peito) também são indicados. Os mexicanos, asiáticos e povos do oriente médio têm taxas baixas de câncer de pele justamente por causa do hábito de se protegerem do sol. Os “sombreros” mexicanos, os turbantes e túnicas dos árabes e as sombrinhas das japonesas são acessórios que os ajudam a evitar os raios nocivos do sol, segundo o dermatologista. 

    Uma boa notícia é que tem gente se preocupando e procurando ajuda para se prevenir do câncer de pele, o que pode evitar também as outras doenças graves que só aparecem mais tarde. Para exemplificar, Dr. Roberson conta que um paciente lhe procurou para saber sobre prevenção, para não sofrer da mesma doença que afetou seu pai. Outro paciente tratado por ele se protegia do sol, mas teve a lesão cancerígena devido a um detalhe que lhe passou despercebido: “Eu atendi um senhor que se protegeu a vida toda para não ter câncer na pele do rosto, mas a orelha ficou de fora.”

    Boné legionário com proteção para orelha e nuca.
    Boné legionário com proteção para orelha e nuca.

    Com tantas campanhas contra câncer de pele, nos sentimos como se tomar sol fosse crime! De maneira alguma isto é verdade, esclarece Dr. Roberson: “O que precisamos é saber usar o sol da maneira correta.”

    Enio Modesto

    Nossa antiga relação com o sol.

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