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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Vacinas

  • Novidades, controvérsias em imunização e importantes mudanças.

    Dra. Fernanda Leonel Nunes, médica imunologista credenciada pela SBIm.
    Dra. Fernanda Leonel Nunes, médica imunologista credenciada pela SBIm.

    A XVI Jornada Nacional de Imunizações, maior evento do gênero organizado pela SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) reuniu no Rio de Janeiro, de 11 a 14 de setembro as principais referências em imunização do país. Foram apresentados vários estudos sobre o desenvolvimento de novas vacinas, controvérsias em imunização e mudanças importantes no Calendário Vacinal. 

    Dra. Fernanda Leonel Nunes, médica imunologista credenciada pela SBIm, compareceu ao evento e traz em primeira mão para o leitor da FOCO MAGAZINE, as últimas novidades sobre o assunto.

    PRIMEIRA VACINA CONTRA DENGUE É ANUNCIADA

    Após 20 anos de pesquisa, a dengue está prestes a se tornar uma doença evitável com vacinação. O lançamento está previsto para o segundo trimestre de 2015, na Rede Pública e no Serviço Privado.

    Os resultados mostraram “sucesso”, com eficácia de 60% em pacientes que a receberam; redução em 80% no risco de hospitalização e de 88% nos casos de Dengue Hemorrágica, que são os casos mais graves.

    Meningite B

    VACINA MENINGITE B DEVE CHEGAR AO BRASIL EM 2015

    Em 2015, deve-se iniciar no Brasil a vacinação contra a Meningite tipo “B”, causadora da meningite.

    A Meningite é tratável, porém 1 a cada 5 infectados não resistem à doença, os que sobrevivem de 10 a 20% tem sequelas neurológicas, e podem ter problemas de surdez ou amputação de membros.

    A Meningite é uma doença grave e todos os sorotipos devem ser contemplados, como A, W, Y, B e C. Hoje se encontra disponível na rede privada a Vacina Quadrivalente ACWY que juntamente com a Meningo B cobrirá os tipos da doença prevalentes no Brasil.

    CHEGOU AO BRASIL A VACINA CONTRA A HERPES-ZÓSTER (COBREIRO)

    O HERPES-ZÓSTER, o “cobreiro”, é uma manifestação da reativação do vírus da varicela (vírus varicela-zóster) que, na infecção primária, causa a catapora (varicela). Após infecção inicial, o vírus permanece latente na raiz nervosa até reativação, causando o herpes-zóster.

    O HERPES-ZÓSTER atinge um a cada três indivíduos no decorrer da vida. Mais de dois terços dos casos ocorrem após os 50 anos de idade, chegando a 50% a possibilidade após os 85 anos.

    No Brasil entre 88% a 99,5% dos adultos brasileiros já tiveram catapora na infância, ou seja, estão sob o risco de desenvolverem HERPES-ZÓSTER. A forma mais eficaz de prevenção é a vacinação, indicada para pessoas a partir de 50 anos de idade, já disponível em clínicas privadas brasileiras.

    Doenças pneumocóccias em adultos

    DOENÇAS PNEUMOCÓCCICAS EM ADULTOS 

    O Streptococcus pneumoniae é uma bactéria responsável por infecções como: otites, sinusites, pneumonias, meningites e septicemia.

    O aumento da idade é fator de risco para estas doenças. Por este motivo é recomendada a vacinação contra o pneumococo para adultos a partir de 50 anos.

    No Brasil há duas vacinas licenciadas: a Vacina Pneumo 23 e a Vacina Pneumo 13.

    Sociedades médicas reafirmam segurança da vacina contra o HPV.

    SOCIEDADES MÉDICAS REAFIRMAM SEGURANÇA DA VACINA CONTRA O HPV 

    Em 2014 entrou no Programa Nacional de Imunização, do Governo Federal, a vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano), vírus sexualmente transmissível, contemplando meninas de 11 a 13 anos, com a proteção contra os sorotipos mais frequentes de HPV, terceiro tumor mais comum em mulheres e o quarto câncer que mais mata brasileiras.

    Esta conquista está sendo prejudicada pelo receio da população, após relatos de adolescentes com reações após a vacinação, como formigamento nas pernas e dificuldade para andar.

    Em todo o mundo já foram aplicadas mais de 180 milhões de doses desta vacina, com raros casos de reação adversa (0,03%).

    Especialistas afirmam ser uma reação emocional após aplicação, que a Organização Mundial de Saúde define como reação de ansiedade pós-imunização. Adolescentes, principalmente do sexo feminino, quando estão em grupo, acabam sentindo os mesmos sintomas umas das outras.

    No Brasil, a 1ª etapa da vacinação obteve cobertura de 90%, sucesso absoluto, resultado também esperado para a 2ª etapa.

    O governo disponibilizou 2 doses da vacina HPV, para meninas de 11 a 13 anos e pela SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), a vacina contra HPV são 3 doses e não contempla sexo ou idade, sendo liberadas para meninas a partir de 9 anos, sem limite de idade, e para homens de 9 a 26 anos, que são os responsáveis pela transmissão da doença.

    COQUELUCHE VELHA E NOVA DOENÇA

    A Coqueluche é considerada uma doença reemergente. No Brasil, dados do Ministério da Saúde relatam aumento de 97% em 2012 quando comparados com 2011.

    A Coqueluche ou a vacina não levam à imunidade permanente. Adolescentes e adultos jovens apresentam a doença com poucos sintomas, como tosse seca e contínua por mais de duas semanas.

    A faixa etária de maior risco para a Coqueluche é a menor de 1 ano, e a letalidade é maior nos primeiros 6 meses de vida (vide gráfi co), quando a imunidade do recém-nascido está diretamente relacionada com os anticorpos maternos.

    COQUELUCHE

     

    Para o controle da doença seria necessário o reforço com a dTpaR também em adolescentes, adultos e idosos, de 10 em 10 anos, e está disponível nestas situações apenas nos Serviços Privados.O PNI (Programa Nacional de Imunizações), iniciará em 2014, a vacinação da gestante contra coqueluche com a vacina dTpaR, que também protege contra Tétano e Difteria, preferencialmente entre 27-32 semanas, ou até 20 dias antes do parto. 

     

    Conservação de vacinas.

    CONSERVAÇÃO DE VACINAS 

    Toda a discussão sobre vacina não tem a menor importância se não for observado suas normas de conservação, ou seja, de acordo com a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) as vacinas devem ser mantidas e transportadas a temperaturas entre 2 e 8 graus.

    No Brasil, em função das sucessivas quedas na rede elétrica, é necessário dispor de sistemas de controle de temperatura eficientes como câmaras frias, com sistema de backup de alimentação por baterias recarregáveis capazes de manter a temperatura por até 48h durante a falta de energia ou geradores independentes. Porém, lamentavelmente, ainda existem clínicas que mantém suas vacinas em geladeiras comuns, o que compromete sua eficácia.

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