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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Homeopatia

  • O que você precisa saber sobre o sistema terapêutico criado há dois séculos e que até hoje provoca polêmicas.

    A homeopatia, sistema terapêutico criado há 200 anos na Europa, causa discussões acaloradas no meio médico até hoje. O fato é que, indiferente às polêmicas, muita gente continua recorrendo à homeopatia, às vezes para tratar doenças que vão e voltam e não param de atormentar, como as rinites. Consultamos a médica homeopata Dra. Alexandra Faria Moreira para esclarecer o que é mito e o que é verdade entre as afirmações mais comuns sobre essa especialidade e as vantagens desta ciência terapêutica em evolução.

    Criada pelo médico alemão, Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755-1843), a homeopatia trata doenças com substâncias ativas ministradas em doses bem diluídas. Em linhas gerais, a homeopatia propõe que se repense os conceitos de saúde e enfermidade e se baseie, entre outros, no princípio da individualização. Isso quer dizer que cada caso é um caso e o paciente deve ser avaliado não só pelo viés da doença, mas como um todo – emoções incluídas.

    “A homeopatia trata o doente levando em conta não só suas queixas físicas, mas principalmente, o modo como pensa, seus hábitos, predisposições herdadas dos familiares e a maneira como reage aos acontecimentos da vida. Ela tenta conhecer a totalidade da pessoa, ou seja, suas qualidades características”, diz a médica homeopata Dra. Alexandra Faria Moreira, que também é dermatologista clínica.

    Conforme a profissional, ao contrário da medicina convencional, onde uma mesma doença em pacientes diferentes pode ser combatida com a mesma medicação, na homeopatia, mesmo em se tratando de um problema comum, a terapia varia de acordo com as reações próprias de cada indivíduo. “Ao contrário da alopatia, a homeopatia não trata a doença e sim o indivíduo doente. Um exemplo: na alopatia um remédio para febre serve para vários indivíduos diferentes, já na homeopatia trata-se o indivíduo – ninguém é igual a ninguém”, fala a profissional.

    A grande vantagem da homeopatia, segundo a médica homeopata, Dra. Alexandra, é sem dúvida, a minimização dos efeitos colaterais e a não formação da resistência bacteriana, nos casos de doenças infecciosas, por exemplo. “O remédio homeopático não cria resistências bacterianas, alergias e dependências. O custo também é bem reduzido”, revela ela.

    A médica homeopata Dra. Alexandra Faria Moreira: “Ao contrário da alopatia, a homeopatia não trata a doença, e sim, o indivíduo doente.”
    A médica homeopata Dra. Alexandra Faria Moreira: “Ao contrário da alopatia, a homeopatia não trata a doença, e sim, o indivíduo doente.”

    Conforme Dra. Alexandra, é um erro achar que o remédio homeopático demora mais para agir, como pensam algumas pessoas. “Em alguns casos, como doenças crônicas, sim, precisamos de mais dias para haver uma melhora, mas nas doenças agudas, como febre e insuficiência respiratória, por exemplo, o tempo de melhora pode ser o mesmo de um remédio alopático”, esclarece Dra. Alexandra. 

    A primeira consulta pode durar cerca de uma hora e meia ou até mais. O profissional poderá aplicar vários métodos, sendo os mais usuais: o método unicista e o pluralista. “Na homeopatia unicista, às vezes uma consulta pode sim, durar mais de uma hora, pois nesse caso, é necessário diferenciar o paciente. Além do exame físico é necessário saber detalhes como, por exemplo, se o paciente sente mais frio ou é mais calorento, que horas acorda naturalmente, seus desejos ou aversões alimentares, etc. Já na pluralista, minuciamos os sintomas. Dor todo mundo sente, mas não há sensação de dor igual em duas pessoas diferentes. Para a checagem de tantos detalhes há demanda de um tempo maior, na maioria das vezes”, explica a profissional.

    ANTES DA MELHORA, “A PIORA”

    Durante o tratamento, sobretudo no início, observa-se uma piora no quadro do paciente. Dra. Alexandra explica o porquê. “Toda substância capaz de provocar determinadas alterações (sintomas) em uma pessoa sadia é capaz de curar essas mesmas manifestações, quando apresentadas por uma pessoa doente após passar por um processo especial de preparação. Por exemplo: o medicamento homeopático Coffeacruda (café) é utilizado para curar insônia, porque pode causar insônia em determinadas pessoas. Uma pessoa intoxicada por arsênico (veneno) apresenta náuseas e vômitos. Por essa razão, o medicamento homeopático Arsenicum álbum é utilizado em pacientes com náuseas e vômitos. Portanto, no início do tratamento pode haver uma rápida e passageira piora dos sintomas. Mas essa piora é rápida, branda e auto limitada. Não pode haver uma duração longa de piora, do contrário, é uma agravação que pode ser provocada por medicamento errado ou dose muito alta”, esclarece Dra. Alexandra Faria.

    Homeopatia.

    De acordo com a homeopata, outro erro é achar que quem adere à homeopatia não pode realizar tratamentos alopáticos. “Substâncias homeopáticas e alopáticas podem ser ministradas juntas ao doente sem atrapalhar uma a outra. Elas agem em sítios diferentes do corpo. Alguns medicamentos podem mascarar sintomas guias para a homeopatia, como os antiflamatórios, mas não são proibidos, apenas orientamos a tomar em horários que não tragam danos ao paciente. Alguns homeopatas mais tradicionais evitam a combinação de homeopatia e alopatia, mas eu, em minha prática clínica, ao longo dos anos, percebi que não há prejuízo algum”, diz Dra. Alexandra.

    A médica dá dicas de como conseguir excelentes resultados com o tratamento homeopático. “É muito importante que o paciente explique correta e detalhadamente os seus sintomas. Para isso, é preciso observar o seu organismo. Nosso corpo transmite informações importantes que demonstram nossa maneira peculiar de ser. É essencial não se censurar ao relatar um sintoma, que pode até ser estranho, mas pode também ser peculiar a determinados remédios. Fundamental também é relatar tudo, tanto a melhora quanto a piora. Antes de ir ao consultório, o ideal é fazer um resumo dos seus sintomas, de como são e de que modo eles aparecem, melhoram ou pioram”, fala a médica.

    FUTURO DA HOMEOPATIA

    A homeopatia tem cada vez mais crescido no nosso país e no mundo, mas mesmo assim, há pessoas que ainda “torcem o nariz” para a terapia. Conforme a médica homeopata, a falta de informação correta é a maior vilã desta história. “As pessoas não entendem e julgam, sem buscar informação correta em fontes realmente seguras. Se um medicamento homeopático não faz efeito imediato, generaliza-se como se toda a ciência não funcionasse. Não percebem que os medicamentos alopáticos também falham às vezes e nem por isso a medicina alopática é inteiramente desacreditada. Não há interesse financeiro em divulgar o tratamento homeopático como eficaz, pois são medicações muito mais baratas do que as alopáticas”, justifica a médica.

    Sobre o futuro da homeopatia, Dra. Alexandra diz: “A sociedade atual cobra qualidade e humanização em todos os aspectos de nosso cotidiano, portanto, um medicamento de baixo custo, eficaz e que não provoca efeitos colaterais combina com o ideal do homem moderno. A homeopatia não testa medicamentos em animais, somente em humanos. Ao contrário da alopatia, que sempre é testada em animais. O sofrimento dos animais, antigamente não era uma questão a ser discutida, porém, hoje a preocupação com esses seres é cada vez maior!”

    Para adquirir um resultado positivo com o tratamento homeopático, é bom durante a primeira consulta seguir este roteiro e listar ao profissional homeopático.

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