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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Depoimento de Cura

  • A passense Daniela Garcia dos Santos Quadros, 33 anos, pode ser considerada uma vitoriosa. Em oito anos ela venceu câncer e esterilidade. Mais do que isso, venceu o pessimismo de diagnósticos médicos que lhe deram pouco tempo de vida. Uma história de dor e sofrimento, regada por lágrimas, entretanto, suportada pela fé e esperança no SENHOR.

    Daniela Garcia dos Santos Quadros.

     

    Daniela é casada com Bruno Quadros e mãe de Pedro Vitor, de quatro anos. De família evangélica, seu pai Lázaro é presbítero e seu irmão Daniel Garcia é pastor na igreja Presbiteriana do Jardim Itália em Passos. Em São Paulo, onde mora com esposo e filho desde 2008, ela frequenta a Igreja Renascer em Cristo. Daniela chegou a participar de programas de televisão: Verdade e Vida da Igreja Presbiteriana do Brasil realizado pelo Pastor Hernandes Dias Lopes em 2009, e também na Rede Gospel no programa De Bem com a Vida em 2013, onde relatou toda a sua experiência de luta contra o câncer e como conseguiu se curar.

    Para a FOCO Daniela decidiu falar depois que leu a entrevista de sua ex-professora na faculdade de nutrição, a bioquímica Eliane Freitas, que na edição de junho falou sobre como se curou de uma leucemia.

    Em novembro de 2006, logo após se formar em nutrição, Daniela descobriu um melanoma, um tipo raro de câncer de pele, numa pinta que ela tinha no joelho esquerdo. Ela fez a cirurgia em Barretos, pois na época, em Passos ainda não tinha o Hospital Regional do Câncer, porém não foi necessário o tratamento. “Eu fui para Barretos e lá os médicos me deram dois meses de vida, pois é um câncer que se espalha muito rápido”, afirma. Ela fez a cirurgia e passou pelo acompanhamento, tendo conseguido se curar.

    Após vencer a primeira batalha ela se casou, em 2008, e foi morar em São Paulo. Por coincidência sua casa era perto do A.C. Camargo Câncer Center, principal hospital de câncer do país, onde fez uma pós graduação em nutrição e passou a conhecer mais a estrutura do hospital. Em São Paulo Daniela foi avisada pelos médicos que não conseguiria engravidar, devido há vários miomas que tinha no ovário, problemas hormonais, dentre outras complicações.

    “Eu pedi para Deus com muita fé, fiz jejum e poucos meses depois desse diagnóstico eu consegui engravidar”, conta. Ela afirma que a gravidez foi tranquila e o filho Pedro Vitor, hoje com quatro anos, nasceu saudável.

    Nova luta contra o câncer

    Em 2011, durante uma consulta de rotina em Barretos, foi detectado um nódulo na região da virilha, outro na coxa e vários micronódulos no pulmão. Segundo os médicos que atenderam Daniela em Barretos, tratava-se de uma metástase de melanoma, o que a deixou com ainda mais medo do que na primeira vez.

    Filho Pedro Vitor, Daniela e marido Bruno.
    Filho Pedro Vitor, Daniela e marido Bruno.

    “No caminho entre Barretos e Passos eu estava desnorteada, só pensava no meu filho, que tinha apenas um ano, estava com muito medo de deixá- lo ainda tão pequeno. Foi quando eu pensei na possibilidade de me tratar no A.C. Camargo, em São Paulo.”

    No A.C. Camargo, Daniela foi encaminhada para um oncologista especializado em pele, passou por vários exames, inclusive o PET-CT que é atualmente o método mais moderno para a detecção de cânceres. Refazendo os exames foram descartados os micronódulos do pulmão e o nódulo da coxa, tendo sido diagnosticado apenas o tumor da virilha, que estava localizado. “O melanoma voltou na parte linfática e poderia ter atingido o sangue, mas graças a Deus não atingiu.” Daniela garante que só há uma explicação para o fato do segundo diagnóstico ter contrariado o primeiro, que constatava metástase: Milagre! “Nós tivemos que lutar, eu e o meu marido, para conseguirmos a liberação do convênio de saúde da empresa onde ele trabalhava, o que só aconteceu no dia 1º de junho, um dia antes da cirurgia”, afirma Daniela.

    Logo após a cirurgia Daniela recebeu a visita do pai, ainda na UTI. Quando foi avisada pela enfermeira que seu pai estava no hospital, ela diz que se emocionou muito e que teve uma taquicardia, a ponto de seus batimentos chegarem a 183 por minuto, o que fez com que os médicos acreditassem que ela teria uma parada cardíaca.

    Lázaro Santos, pai de Daniela, explica que devido a esse quadro sua filha foi novamente desenganada pelos médicos. “Uma médica me disse que ela não resistiria, se chegasse a 182 batimentos, ela iria morrer. Foi então que eu me ajoelhei e pedi a Deus: Senhor, não tire a vida da minha filha, fazei com que essa médica esteja errada. Os batimentos chegaram a 183 por minuto e não aconteceu nada”, relembra Lázaro, emocionado.

    Daniela conta que levou 78 pontos, dois drenos, e teve que passar por um tratamento complexo, 1 ano e 2 meses de fisioterapia, várias sessões de radioterapia e imunoterapia (com uso do medicamento INTERFERON), que são injeções endovenosas e intramusculares. Durante o tratamento os médicos lhe disseram que eram grandes as chances dela ficar com sequelas, como a perna inchada, a possibilidade de contrair vitiligo (doença de pele) e que talvez nunca mais pudesse usar sapato de salto ou até ficar manca. Nenhuma sequela ficou e, até hoje, passados três anos e três meses da cirurgia, Daniela leva uma vida normal.

    Daniela com os irmãos Danilo e Daniel, e os pais Lázaro e Elisabeth.
    Daniela com os irmãos Danilo e Daniel, e os pais Lázaro e Elisabeth.

    “Eu fiquei sem pegar meu filho no colo quase um ano, e durante esse período, eu era presente na vida dele, mas ao mesmo tempo ausente, pois não tinha condições físicas de fazer nada por ele. Não pude acompanhar os primeiros passos do meu filho, mas foi um sacrifício que valeu a pena, pois em nenhum momento Deus me desamparou. Foi um momento difícil, mas que serviu como aprendizado. Neste período minha mãe Elisabeth mudou-se para minha casa, e deu todo suporte que ele necessitava naquele momento tão sofrido, pois eu estava lutando pela vida.”

    Para o futuro Daniela diz que pensa em escrever um livro juntamente com seu pai, onde irão relatar todos os detalhes desse período, até como forma de mostrar a outras pessoas que estão enfrentando esse tipo de doença, que com fé e persistência, é possível vencer.

    “O mais importante é que as pessoas que estão doentes tenham fé. Não adianta que outras pessoas orem por você se você não acredita que Deus pode fazer algo. As pessoas que não acreditam na força de Deus e na sua infinita capacidade de fazer milagres e nos salvar, precisam rever seus conceitos, pois eu sou a prova viva de que milagre existe e isso não se explica, mas se vivencia. Sou marcada por milagres e curas, pois os piores diagnósticos vieram, mas Deus me livrou de todos”, finaliza.

    Renato Rodrigues Delfraro

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