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Janeiro/Março 2020
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Saúde

HIPNOSE - trabalhada de uma forma séria e responsável traz resultados benéficos

  • O ser humano é complexo e vive em constante desenvolvimento. A hipnose é um assunto polêmico, questionado, sofre uma má impressão na mídia e nos discursos da população, mas traz uma grande curiosidade. A palavra hipnose é rodeada por mitos e inverdades, grande parte das vezes, é ligada ao místico, ao mágico, ao sobrenatural. O que poucos sabem... é uma técnica relaxante, prática, aplicável, benéfica e eficaz.

    Hipnose.

    No sentido etimológico a palavra hipnose, no vocabulário grego, significa “sono profundo”. São várias as patologias ou transtornos em que a hipnose demonstra eficácia: ansiedade, depressão, estresse, fobias, etc. O conceito médico de hipnose é claro: trata-se de um estado alterado de consciência induzido por profissionais capacitados. Nesse estado, há mudanças nos padrões das ondas cerebrais e várias estruturas do órgão são ativadas com maior intensidade, em especial as relacionadas à memória e às emoções.

    Um dos estudos mais recentes foi conduzido na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e provou que o método pode ser usado com sucesso no diagnóstico de crianças com epilepsia. Os cientistas queriam saber se as oito participantes tinham mesmo crises da doença ou manifestavam os sintomas – muito parecidos com os provocados pela enfermidade – por causa de outros fatores, como estresse profundo. Eles levaram as crianças a um estado hipnótico e as fizeram imaginar que estavam tendo uma crise. Enquanto isso, elas eram monitoradas por aparelhos de exame de imagem. Em todas, as áreas ativadas durante o transe não foram as tradicionalmente associadas à epilepsia. A conclusão foi a de que as crianças, de fato, não tinham a doença. Agora, os cientistas querem ensinar os pequenos a evitar as crises usando a hipnose.

    Hipnose.

    Uma sessão de hipnose clínica é similar a uma forma de relaxamento, sem que o sujeito deixe de perceber o que acontece ao seu redor. O hipnotizado não perde sua memória ou o controle sobre si mesmo. Com uma iluminação especial, uma temperatura adequada e em silêncio, o paciente se deixa levar pelo terapeuta até concentrar-se, quando o cérebro torna-se mais receptivo a indicações terapêuticas.

    Segundo Milton Erickson (2007) “a hipnose é fundamentalmente um método de comunicar ideias ao outro. Na hipnose, ao se colocar a pessoa em estado de transe, estabelece-se uma condição de predisposição à recepção de ideias, um estado de disposição para utilizar aprendizagens”.

    O objetivo é atingir um nível máximo de atenção para extrair da mente o que for preciso para ajudar no tratamento, aproveitando que as condições cerebrais obtidas deixam o paciente com maior abertura para receber sugestões. “A pessoa desvia a atenção dos estímulos externos e a crítica diminui”, explica o pesquisador e doutor Osmar Ribeiro Colás, coordenador do Grupo de Estudos de Hipnose (GEH) do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Vale ressaltar aqui que a hipnose não faz milagres ou traz um manual de atitudes.

     

    Marcos Venício Esper: “É de suma importância conhecer a formação e a linha de cada profissional como em qualquer outra área.”
    Marcos Venício Esper: “É de suma importância conhecer a formação e a linha de cada profissional como em qualquer outra área.”

    A hipnose pode ser perigosa em mãos sem preparo, ou seja, é de suma importância conhecer a formação e a linha de cada profissional como em qualquer área. A Medicina ou a Odontologia, por exemplo, não seriam bem executadas e também seriam perigosas nas mãos de profissionais despreparados.

    Uma entrevista com o psicólogo, investigador e autor de referência na área da hipnose clínica e experimental, Irving Kirsch, afirma que a hipnose é uma ferramenta terapêutica que pode ser usada em conjunto com qualquer terapia desde que o terapeuta tenha competência. Assim, pode-se usar a hipnose num quadro de referência cognitivocomportamental, psicanalítico ou qualquer outro.

    Segundo Meares (1961) a verdadeira natureza da hipnose é desconhecida. Atualmente, há muitas teorias e tentativas de definição do que seja a hipnose e de como funcionam os processos nela envolvidos, entretanto, nenhuma delas é absolutamente capaz de dar conta de todos os fenômenos da hipnose. A hipnose tem sido objeto de reflexões, controvérsias éticas e, geralmente, seus critérios dependem dos conhecimentos acerca do tema. Normalmente, são consideradas ideias pejorativas, dentre elas, o poder dos terapeutas, o desconhecimento da técnica, misticismo, ocultismo.

     

    Hipnose.

    O professor Doutor Maurício da Silva Neubern da Universidade de Brasília vem se dedicando ao estudo da Hipnose e Subjetividade nas Relações Terapêuticas e Hipnose e dor crônica. O último artigo desse professor – “Fenomenologia, Hipnose e Dor Crônica: passos para uma compreensão Clínica”, é um dos vários trabalhos dedicados a esse tema e de grande importância para profissionais e amantes dessa linha de estudo.

    Uma outra comprovação de que essa antiga-nova técnica está sendo aceita nos meios acadêmicos é o aumento de oferta de mestrados e doutorados nessa área.

    Infelizmente, a utilização da ‘hipnose de palco’ tem desprestigiado e continua criando uma imagem negativa, e assim os profissionais sérios da área têm de fazer um duplo esforço para mostrar a hipnose como uma técnica e ciência séria sendo sustentada por vários estudos científicos sobre sua eficiência e efetividade. Confira no quadro alguns mitos sobre a hipnose:

    Mitos sobre a Hipnose.

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