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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Leucemia, paciente curada incentiva doação de medula

  • A bioquímica Eliane Freitas e Silva recuperou-se de uma leucemia, mesmo sem precisar de transplante de medula óssea; no entanto, ela incentiva a doação desse fundamental tecido da vida.

    A bioquímica Eliane Freitas e Silva.
    A bioquímica Eliane Freitas e Silva.

    Um simples hemograma de rotina levou a bioquímica e professora Eliane Freitas e Silva a descobrir uma doença que pode levar à morte se não for tratada a tempo, a leucemia, que é um tipo de câncer que afeta o sangue. Depois de dois anos de tratamento à base de quimioterapia, sem precisar do transplante de medula óssea, que é um procedimento indicado em casos de prognóstico ruim, a paciente foi considerada curada. Mas isso não a fez se afastar do hospital, onde ela retorna com frequência para dar apoio moral aos doentes. Além disso, Eliane abraçou a causa da doação de medula óssea e de sangue, que são fundamentais para quem não teve um diagnóstico menos grave como o dela.

    O apelo da bioquímica tem como base as estatísticas nacionais de doadores de medula óssea, que não são nada animadoras. Apenas um milhão de pessoas estão cadastradas como doadoras voluntárias desse tipo de tecido, segundo publicação do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. De acordo com o captador do Núcleo Regional de Passos da Fundação Hemominas, Sebastião Aparecido Viana de Faria, esse número é muito pequeno se comparado ao percentual de compatibilidade das células de quem doa com as células de quem recebe, que é de um para cada 100 mil. “Então, quanto mais doadores nós tivermos, mais chances nós vamos ter de salvar uma vida”, disse.

    Eliane de Freitas e Silva é testemunha do drama de pacientes e famílias durante a tentativa de cura em hospitais. Quando ela foi diagnosticada portadora de leucemia mieloide aguda, que é a mais comum em adultos, seu tratamento inicial foi uma internação de 35 dias no Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, onde passou o tempo fazendo quimioterapia e transfusão de sangue para repor as plaquetas – componentes essenciais para a coagulação sanguínea, evitando hemorragias.

    Leucemia.

    “Eu vi lá o sofrimento de pessoas aguardando uma medula. Apenas 25% de chance de compatibilidade são entre irmãos, o restante é muito pouco, por isso é importante incentivarmos a doação de medula e também de sangue para transfusões, diz Eliane de Freitas, lembrando de uma mulher que se internou em Belo Horizonte na mesma data que ela e faleceu em 15 dias, depois de constantes transfusões para reposição das plaquetas, que se reduzem drasticamente com a leucemia.

    Para a bioquímica, muitos potenciais doadores de medula óssea não o fazem por confundir esse tecido líquido-gelatinoso presente nos ossos, mais conhecido por “tutano”, com a medula espinhal, que é um prolongamento do sistema nervoso central. “Acho que teria de haver mais conscientização das pessoas porque haveria um número maior de doações”, comenta, observando que o organismo repõe a pequena quantidade de células retiradas. “Então, você pode salvar uma vida com sua medula e o que é retirado não vai lhe fazer falta”, acrescentou.

    Após dois anos de tratamento – a maior parte no Hospital Regional do Câncer da Santa Casa de Passos –, Eliane de Freitas teve alta em março, podendo voltar a seus hábitos, como o trabalho no laboratório de análises clínicas e na faculdade, onde é professora. Mas a solidariedade com quem ainda luta pela cura faz com que a ex-paciente volte ao hospital com frequência. “Agora eu vou muito ao Hospital do Câncer visitar as pessoas que têm leucemia para lhes dar força, para que elas se dediquem ao tratamento e tenham fé, porque a fé faz a gente viver”, disse, mencionando como importantes também o apoio da família e dos amigos. “O ânimo ajuda na recuperação, porque a imunidade depende também do estado emocional da pessoa”.

    Para se cadastrar como doador de medula óssea, a pessoa deve procurar o Hemominas de Passos, onde uma amostra de seu sangue será coletada, analisada e registrada no Instituto Nacional de Câncer (INCA), do Ministério da Saúde. Segundo o captador Sebastião de Faria, os dados genéticos dos doadores serão cruzados com os dos pacientes. Se houver compatibilidade, o INCA toma todas as providências para fazer a coleta da medula, sem qualquer despesa para o doador.

    O líquido é retirado do osso do quadril, por meio de punção e com anestesia local. O procedimento dura cerca de uma hora e meia. Em duas semanas, a pequena quantidade retirada (apenas 10%) se regenera e em três meses essa pessoa poderá doar novamente, caso tenha compatibilidade celular com outro doente.

    Enio Modesto

    Serviço: para doações e outras informações Núcleo Regional Hemominas de Passos, Fone: (35) 3522-4202.

    Doação de medula óssea.

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