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Turismo

O Fantástico caminho de Santiago de Compostela

  • Percorrer o Caminho de Santiago de Compostela foi seu sonho por 20 anos. Em 2010 conseguiu realizá-lo na companhia do cunhado Wagner José Faleiros, 57. Essa é parte da história do aposentado José Maria de Morais, 58, que passou 34 dias caminhando entre Saint Jean Pied Port, na França, até Santiago de Compostela, Muxia e finalmente Finisterre, na Espanha, completando mais de 1.000 km de peregrinação.

    O Caminho de Santiago de Compostela é uma rota secular de peregrinação religiosa de 900 km, que se estende por toda a Península Ibérica até a cidade de Santiago de Compostela, localizada no extremo Oeste da Espanha, onde se encontra o túmulo do apóstolo Tiago. O apogeu das peregrinações ocorreu nos séculos XII e XIII, onde as quatro principais rotas foram criadas. No século XX, uma nova onda de peregrinações movimentou o Caminho de Santiago. Por ser Ano Santo no calendário da Espanha, que por disposição papal concede o perdão dos pecados àqueles que realizam o Caminho, o trajeto tem atraído um número maior de peregrinos, em 2010.

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    O sonho

    Depois de esperar pela realização de seu sonho por 20 anos, José Maria afirma que o tempo de espera foi esquecido, pois a experiência é fantástica. Segundo ele, a peregrinação transforma as pessoas. “Eu nunca mais serei o mesmo”, ressalta. Ele percorreu o Caminho em busca da sua espiritualidade e afirma que o aprendizado é grande. “O coração fica voltado somente para o bem”, conclui. José Maria conheceu o Caminho através de uma reportagem. Também leu livros sobre o trajeto.

    O Caminho

    O caminho por entre vales, montanhas e planícies têm início no Sopé dos Pirineus, onde o peregrino sobe até 1.200 metros de altitude. Esse impacto, no primeiro dia da peregrinação, indica o que irão encontrar pelo caminho: o belo, o silêncio, a energia e as dificuldades.

    Para realizar o Caminho, José Maria e Wagner se prepararam por seis meses. Fizeram musculação e caminhada de 30 km de uma a duas vezes por semana. Buscaram todas as informações possíveis sobre o trajeto e compraram equipamentos, roupas e acessórios em lojas especializadas.

    Além do esforço físico, José Maria ressalta que conviver com as diferenças é o grande desafio do Caminho. Em cada parada, em cada albergue, estão pessoas de várias nacionalidades, o que exige uma boa dose de doação e compreensão.

    No Caminho há também, encontros de todas as formas. “Por ter sofrido lesões no joelho jogando bola, durante o trajeto uma tendinite me levou a tomar antiinflamatórios por quase 20 dias. Em um dos trechos, enquanto passava uma pomada analgésica, uma enfermeira parou e fez uma massagem para aliviar as minhas dores. Foi um momento de grande emoção. As pessoas se doam durante o trajeto e esse tipo de atitude de acolhimento é comum”, afirmou.

    Para ele o grande aprendizado do Caminho é o respeito às diferenças. O que faz as pessoas mais tolerantes, mais pacientes e promovem uma abertura do olhar para tudo que está em seu entorno.

    José Maria embaixo da Vela da Pedra. Pela tradição quem passa debaixo dessa pedra não tem dores lombares.
    José Maria embaixo da Vela da Pedra. Pela tradição quem passa debaixo dessa pedra não tem dores lombares.

    Albergues

    Depois de caminhar cerca de 30 km por dia, o descanso é sempre em uma pousada ou albergue. Os peregrinos participam de celebrações religiosas e também de momentos de confraternização, diariamente, nesses locais.

    O preparo dos alimentos é realizado em comum na cozinha, enquanto os peregrinos se conhecem e trocam experiências. “Em Leon, uma de nossas paradas, havia 150 pessoas de 32 nações”, relata.

    A Tradição

    O Caminho de Santiago possui – em sua maior parte – um aspecto medieval. As catedrais góticas e românicas, mosteiros e capelas, castelos e aldeias celtas distribuem-se ao longo do percurso.
    José Maria escolheu o Caminho mais tradicional a partir de Saint Jean Pied Port e seguiu até Muxia e Finisterre, 100 km depois de Santiago de Compostela. Nesses locais José Maria relata que há uma paz absurda.

    O peregrino carrega consigo uma credencial, que deve ser carimbada em igrejas ou no órgão de turismo correspondente ao local. Munido de um guia, o viajante também conta com sinalização em rochas, muros e árvores, que funcionam como um guia constante, e evitam que o peregrino se perca. Ao concluir o Caminho chegando à Catedral de Santiago, o peregrino apresenta a credencial e recebe a Compostelana, uma espécie de certificado de que todo o percurso foi concluído, um prêmio pelo sacrifício e fé.

    José Maria e Wagner no momento da chegada a Catedral de Santiago.
    José Maria e Wagner no momento da chegada a Catedral de Santiago.

    Dicas

    Para a viagem leve somente roupas leves. Você não deve esquecer que terá que carregar a mochila por 30 km, antes de pernoitar em um albergue. O melhor é procurar roupas e acessórios em casas especializadas, pois comprará tudo compatível com o exercício que irá realizar. No Brasil há uma Associação dos Amigos do Caminho de Santiago que auxilia o Peregrino antes da partida e lhe concede uma credencial para comprovar que está na Espanha para realizar o Caminho.

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