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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Quem nunca teve dor nas costas?

  • Surgem sinais de esperança com Tratamento Inovador

    O neurocirurgião da Santa Casa de Passos, especialista em coluna, Dr. Matheus Schmidt Soares.
    O neurocirurgião da Santa Casa de Passos, especialista em coluna, Dr. Matheus Schmidt Soares.

    Quem nunca teve dor nas costas que atire a primeira pedra. Mas se ainda não teve um dia terá. É o que afirma o neurocirurgião da Santa Casa de Passos, especialista em coluna, Dr. Matheus Schmidt Soares. Ele pondera que problemas graves na coluna, não diria. Mas confirma que, pelo menos uma vez na vida, a pessoa vai ter um episódio de lombalgia (popularmente chamada de dor nas costas), ou uma dor muscular, uma contratura, ou apenas um “mau jeito”, como as pessoas costumam dizer.

    Segundo informa Dr. Matheus, o que mais leva as pessoas ao consultório de um neurocirurgião é a queixa de dor nas costas, muita dor quase sempre. Ele explica que normalmente, a região onde o paciente sente mais dores é a lombar, (lombalgia), a região baixa, que compreende o quadril e o tórax, mas há também muita dor cervical, (cervicalgia), a região do pescoço e nuca. Explica ainda que a dor na coluna é multifatorial, ou seja, se deve a vários fatores, e que por isso precisa de uma avaliação detalhada para se chegar ao diagnóstico.

    Novo tratamento

    Desde julho do ano passado, quando Dr. Matheus veio para a Santa Casa de Passos, começou um tratamento tido como “revolucionário” para as dores nas costas. Pacientes que chegavam com aquelas dores intensas, muitas vezes insuportáveis, entravam em estado apaziguador, ao passarem por tal procedimento.

    “Trata-se de uma das técnicas novas que nós temos feito com bons resultados na Santa Casa de Passos. É uma técnica em que se usa um aparelho chamado radiofrequência, sem cortes e percutânea, que os leigos chamam de ‘aplicações’ na coluna.”

    Dor nas costas.

    Conforme explica Dr. Matheus, esse procedimento realiza um bloqueio térmico em algumas terminações nervosas da coluna que gera uma analgesia prolongada. Isso melhora bastante a condição de reabilitação: aí a pessoa que estava morrendo de dor, consegue voltar às atividades físicas, fazer uma fisioterapia, fortalecer a musculatura e no global, sem dúvida, ela ganha muito. Segundo comenta, para muitos pacientes, o novo procedimento tem apontado sinais de esperança para o alívio da dor.

    “Com a radiofrequência, uma técnica minimamente invasiva, evitamos uma cirurgia maior, com riscos maiores e dores no pós-operatório”, esclarece. Porém, ele ressalta que “depois dela, a pessoa precisa manter as atividades físicas regulares além da boa postura, pois se fizer apenas a radiofrequência e não praticar atividades físicas, pode ter uma recidiva da dor de até seis meses, sendo variável essa duração. Normalmente, há uma taxa de aproximadamente 20% de recidiva da dor após seis meses da radiofrequência. Entretanto,de acordo com Dr. Matheus, se a pessoa seguir o tratamento adequado, isto é, continuar com atividades físicas ou na fisioterapia, o procedimento  pode durar anos com o paciente sem dores. E ele, às vezes, nem volta a ter aquela dor antiga. De vez em quando pode ter um desconforto ou uma dor mais leve que se resolve com um analgésico simples. “É fundamental ressaltar que a radiofrequência ajuda, mas é um tratamento complementar, não é único”, destaca.

    O fato é que, depois desse procedimento na Santa Casa de Passos, pacientes que começaram a sentir os benefícios que ele traz, passaram a comentar com familiares e amigos sobre a nova técnica em Passos, assim o resultado não poderia ser outro: muita gente começou a procurar essa técnica que tanto alivio traz às terríveis dores nas costas. Mas nem sempre ela é a indicada, como previne o neurocirurgião. “Muita gente chega com a expectativa de realizar esse procedimento, mas é preciso ser feita uma avaliação fundamentada, para ver se não há contraindicação, pois ele é indicado para casos específicos. Eu diria que, normalmente, se a pessoa tem dor crônica, não melhora com tratamento medicamentoso, nem com fisioterapia e a dor ainda persiste, ela pode ser uma candidata para a radiofrequência”, orienta Dr. Matheus.

    Dor nas costas.

    Outros sinais de esperança

    Além da radiofrequência, Dr. Matheus alega que há muitos outros tratamentos novos para as dores nas costas que vão desde a parte medicamentosa, sendo muitas novas, mais potentes, de uso crônico, para aliviar essas dores, até a reabilitação, como uma fisioterapia adequada. “Dependendo do caso, indicamos também uma RPG, um Pilates, às vezes uma musculação leve supervisionada, atividades físicas regulares, leves, sem impacto ou até procedimentos cirúrgicos, uma prática relativamente antiga, porém com uma grande evolução nos últimos anos. Aliás, a cirurgia é um segmento da medicina bem dinâmico com várias técnicas novas surgindo anualmente, sendo que algumas antigas têm sido descartadas por mal resultados e outras novas vêm ganhando seu espaço”, pondera. Apesar de tanta evolução, o neurocirurgião Matheus Schmidt Soares, não descarta algumas cirurgias tradicionais que, segundo diz, são muito úteis em vários casos, continuando com a sua importância. “Não podemos abandoná-las ou desprezá-las, porque às vezes elas é que resolvem determinados casos”, considera.

    Entretanto, ele insiste que hoje, felizmente, há uma tendência na neurocirurgia, de se realizar procedimentos minimamente invasivos, com cortes menores, (muitas vezes até sem corte), com necessidade de lesão muscular menor na cirurgia.  E que, além da radiofrequência, existem alguns outros procedimentos, também minimamente invasivos, muito eficientes que estão em voga na atualidade. Conforme conclui, “o que se busca, afinal de contas, é encontrar, dentro da neurocirurgia, outros sinais de esperança que possam trazer conforto e alívio a tantos pacientes que diariamente padecem de tanta dor nas costas”.

    Outras patologias

    As patologias mais comuns na coluna, segundo Dr. Matheus, são as alterações degenerativas, popularmente o desgaste natural da coluna, pois na verdade, desgastam-se os discos intervertebrais, as vértebras, há as alterações ósseas, as fraturas traumáticas e as fraturas osteoporóticas, principalmente nas mulheres mais idosas. Há ainda os casos mais raros, que também são causa de muita dor, ou seja, os tumores nas vértebras ou tumores dentro do canal da medula, mas a principal causa, que, disparadamente ocupa o primeiro lugar no ranking das patologias da coluna, são as alterações degenerativas em que incluem as hérnias de discos.

    Também entrariam nesta lista, as cefaleias (dores de cabeça), que são um capítulo à parte na neurologia. Existe uma classificação extensa com os tipos de cefaleia primária, uma delas é a cervicogênica, dor de cabeça que se origina de uma dor cervical (próximo ao ombro e à nuca). Muitas vezes o tratamento é feito com medicações analgésicas e alguns tratamentos crônicos e contínuos são feitos com medicações de prevenção da dor ou então algumas infiltrações ou bloqueios analgésicos da coluna cervical resolvem essas dores de cabeça.

    Hérnia de disco, a campeã.

    Sem dúvida, uma das patologias mais comuns na coluna é a hérnia de disco, uma alteração no disco intervertebral. “Entre as vértebras cervicais, torácicas e lombares, estão os discos intervertebrais, estruturas em forma de anel, constituídas por tecido fibroelástico, cartilaginoso e elástico, cuja função é evitar o atrito entre uma vértebra e outra, assim como amortecer o impacto”, explica o neurocirurgião.

    Todo cuidado é pouco quando se trata desse assunto. Dr. Matheus comenta que muitos pacientes portadores de hérnia de disco chegam com dores nas costas ao consultório e vão logo dizendo: Estou com essa dor insuportável porque tenho hérnia de disco. “Pode ser um ledo engano, ou seja, aquela dor não ter nada a ver com a hérnia.Assim, é preciso muita atenção, pois muitas vezes, a dor pode ser proveniente de outras causas. Dessa forma, é fundamental uma anamnese (avaliação) detalhada, por um profissional capacitado, para reconhecer o tipo e a característica dessa dor”, orienta Dr. Matheus.

    Ele ainda detalha. “Outras vezes, pode ser o contrário: a pessoa nunca teve dor nas costas, aí vai fazer uma ressonância e é detectada uma hérnia de disco, pois ela pode ser assintomática. Por isso, antes de passar pelo procedimento cirúrgico, o paciente tem que ser avaliado criteriosamente, pois algumas cirurgias podem ser erroneamente realizadas”.

    O fato, entretanto, conforme ele alerta, é que a hérnia de disco – a campeã no ranking - é outro capítulo à parte nos problemas de coluna. É vasto e muito particular, como explica.

    Há ainda aqueles “casos” em que a pessoa “trava” como se diz popularmente. Esse quadro geralmente refere-se a uma dor intensa, incapacitante, súbita e aguda na coluna: muitas vezes pode ter um componente muscular importante atrás dessa dor, associado a algum problema que pode inclusive ser uma hérnia de disco que está começando ou mesmo uma antiga. “Por algum motivo, o paciente tem uma piora súbita e então vem a dor. Normalmente, com alguns dias de medicação ou uma terapia adequada, já melhora.

    Fugindo da dor

    Se as dores são intensas, o que fazer para aliviá-las e não sofrer tanto? Nada que seja diferente de outras doenças, como aponta Dr. Matheus: a prevenção!Todos sabem que ela se faz com uma vida saudável e equilibrada regida pela mesma “cartilha”: prática regular de atividades físicas desde a infância, sem excesso, supervisionadas por profissionais habilitados, além da boa postura sempre, sobretudo quando a pessoa estiver no trabalho, sentada ou deitada vendo TV. É importante também evitar carregar excesso de peso, a obesidade e o tabagismo – este agrava a degeneração da coluna.

    Entretanto, nos primeiros sinais de dores nas costas é importante procurar um especialista, não esperando que o problema aumente ou se agrave. Nessas primeiras avaliações, o médico vai indicar de que precisa o paciente: se é de uma atividade física leve ou, se por exemplo, de um encaminhamento para a fisioterapia, se para um determinado exame ou se até para um procedimento cirúrgico.

    “Muitas vezes, a pessoa sempre teve uma vida desregrada, sem nenhum hábito preventivo, então num certo dia, chega ao diagnóstico de um problema qualquer em sua coluna. Aí, quase sempre se sente culpada e chateada. Nem sempre ela deve se sentir dessa forma, pois há também aqueles problemas cujos fatores são genéticos”, orienta Dr. Matheus, lembrando que dentre eles, ocorrem as alterações degenerativas que chegam mais rapidamente, como a hérnia de disco.

    Crianças e o sedentarismo

    Disso ninguém duvida: as crianças de nossos dias são bem mais sedentárias que as de outras gerações de algumas décadas atrás. Reféns de uma sociedade violenta que as conserva mais dentro de casa com os aparatos tecnológicos, ela pouco brinca e se movimenta. O resultado vai surgir na adolescência quando já começa a aparecer um ou outro problema de coluna. “O que antes ocorria em pessoas mais adultas, hoje já os adolescentes e jovens procuram os consultórios devido a problemas de coluna. Essa incidência reflete, quase sempre, uma infância mais sedentária”, pondera Dr. Matheus.

    Conforme explica, é muito difícil a criança ter lombalgia, pois a estrutura de sua coluna é maleável, tem muito colágeno e também não há degeneração nos ligamentos. Normalmente quando elas se queixam de dor lombar, esta normalmente se deve a má formação ou deformidade congênita como uma escoliose, lordose ou cifose, as quais normalmente, recebem tratamento específico, chegando às vezes à necessidade do uso de coletes ou cirurgia.

    Entretanto, mais uma vez, Dr. Matheus alerta: o sedentarismo é inimigo da coluna, pois com ele a musculatura da pessoa tende a ficar mais atrofiada, com pouca massa magra, tônus muscular inadequado, enfim, não há fortalecimento muscular, propiciando também tendência à obesidade. Assim, as condições estão prontas para os problemas de coluna aparecerem.

    Uma curiosidade exemplificada pelo neurocirurgião é a grande incidência de problemas de coluna em nossa região agropecuária. “Um dos fatores de degeneração da coluna é o trabalho braçal pesado repetitivo, por vários anos, o que propicia a lombalgia”, explica, acrescentando, “aliás, esses problemas de coluna são de alto impacto econômico-social tanto no Brasil como nos países desenvolvidos, pois há uma fatia significativa de força de trabalho ativa com problemas de coluna que fica afastada do mercado de trabalho. Daí, o motivo de as grandes empresas terem investido na ergonomia e nas atividades laborais durante o expediente de trabalho para evitar problemas. Isso é muito importante”, arremata. Prevenir é sempre a melhor saída.

    Dr. Matheus Schmidt Soares

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