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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Sem cirurgia, Balão intragástrico ajuda a emagrecer

  • Médico de Passos utiliza método alternativo à cirurgia para tratar pacientes com problemas de obesidade; equipe multidisciplinar é fundamental para o sucesso do procedimento.

    O gastroenterologista e especialista em endoscopia digestiva José Armando Maia Righetto: “Não existe milagre para a perda de peso.”
    O gastroenterologista e especialista em endoscopia digestiva José Armando Maia Righetto: “Não existe milagre para a perda de peso.”

    Há algum tempo, o médico José Armando Maia Righetto, especialista em endoscopia digestiva em Passos, utiliza, com sucesso, uma técnica não cirúrgica para tratar seus pacientes que sofrem de obesidade. Desenvolvido em 1986 por um médico norte-americano (Dr. Fred C. Gau), o balão intragástrico estimula a pessoa obesa a adotar uma nova forma de comportamento e de hábito alimentar que irá ajudá-la a se manter magra. Um protocolo que prevê um trabalho multidisciplinar é o método que, segundo o Dr. José Armando, possibilita uma eficiente e duradoura redução de peso.

    “A literatura médica diz que, com o balão intragástrico, o paciente perde de 15 a 20% do índice de massa corpórea (IMC), mas, nos anos em que venho trabalhando com essa técnica, os índices que tenho obtido têm sido superiores. Já tive uma paciente que emagreceu 32% do índice de massa corporal, embora isso não seja comum. O resultado que tenho obtido é em torno de 22% a 25%”, afirma o endoscopista.

    O balão intragástrico foi desenvolvido graças à observação médica dos efeitos do bezoar que levavam à perda de peso – o bezoar é o nome dado pela medicina para a formação de grandes bolos de fibras alimentares no estômago que dão a sensação de saciedade. Os estudos do efeito do bezoar foi o que deu origem ao desenvolvimento do balão intragástrico, que hoje faz parte da medicina moderna como método alternativo não cirúrgico ao emagrecimento, permitindo a redução da capacidade de reserva gástrica, levando o paciente a se sentir saciado com a alimentação, o que facilita sua adesão a uma dieta com baixas calorias associada à mudança na rotina de vida.

    Portanto, como alternativa à cirurgia bariátrica e outros tratamentos farmacológicos para o emagrecimento, o procedimento de introdução do balão intragástrico é realizado em nível ambulatorial, não sendo necessário, na grande maioria das vezes, sequer a internação do

    Balão intragástrico.

    paciente. O balão é introduzido no estômago do paciente por meio de endoscopia digestiva e, uma vez no local, é preenchido por uma solução de soro fisiológico com tintura de azul de metileno. Com isso, o estômago tem reduzida sua capacidade de ingerir alimentos e o paciente se sente satisfeito com a refeição.

    De acordo com o Dr. José Armando, o sucesso dessa técnica depende da dieta e da tolerância do paciente nos meses subsequentes à sua implantação no estômago. “Assim, torna-se mais fácil para a pessoa tolerar uma dieta hipocalórica, sendo recomendada uma dieta diária de 800 a 1.000 calorias durante as duas primeiras semanas e cerca de 1.200 calorias diárias após isso. Como benefício do emagrecimento, serão reduzidos os riscos em sua saúde decorrentes da obesidade, especialmente a hipertensão, a dislipidemia (níveis elevados de gordura no sangue) e o diabetes”, explica o médico.

    “O balão intragástrico é uma maneira também de prevenir o diabetes tipo II, que aumenta sua incidência nas pessoas que apresentam IMC acima de 27%, sendo este o principal motivo para que o Ministério da Saúde aprovasse esse procedimento”, observa.

    A atenção da medicina com o excesso de peso das pessoas justifica-se pelos dados mais recentes sobre a obesidade no Brasil, levantados pelo Ministério da Saúde através da pesquisa Vigitel 2012 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico). O resultado revela que 51% dos brasileiros acima de 18 anos de idade estão acima do peso, um aumento de oito pontos percentuais em comparação com a pesquisa anterior, de 2006, quando o índice estava em 43%.

    “O balão intragástrico é um método efetivo e seguro de induzir à perda de peso em pacientes bem motivados – sendo uma alternativa não cirúrgica e também não definitiva para o tratamento da obesidade –, com menor agressão à pessoa, para que ocorra o emagrecimento. Ele age de três maneiras: preenche parte do volume gástrico, em torno de 50% a 70%, o que vai reduzir a capacidade de alimentos que o paciente consegue ingerir; ativa os receptores do fundo gástrico, fazendo que eles mandem uma mensagem para o cérebro de que aquela pessoa está saciada, diminuindo, assim, a produção do hormônio grelina, que estimula o apetite; e retarda o esvaziamento do conteúdo gástrico, mantendo o alimento ingerido por mais tempo no estômago, dando a sensação de saciedade”, explica o médico.

    Para que a técnica tenha êxito, o Dr. José Armando convence seu paciente de que o emagrecimento não é questão de mágica, mas de fatores combinados, com a participação de diversos profissionais ligados à saúde e, sobretudo, com o comprometimento da pessoa que está interessada no tratamento. Para isso, o médico utiliza um protocolo e explica ao paciente o que irá acontecer nos seis meses de duração do tratamento.

    Aceitas as condições, o médico encaminha o obeso para uma bateria de exames no qual avalia suas condições físicas e clínica, consultas com psicólogo, nutricionista e avaliação com educador físico. São esses profissionais, junto com o médico, que vão monitorar o paciente e garantir que ele obtenha o melhor resultado no fim do tratamento. “No final, quando a pessoa tiver emagrecido, nós vamos orientá-la durante um ano e meio para que ela não caia naquele mecanismo de sanfona (uma alternância entre emagrecer e engordar)”, ressalta Dr. José Armando.

    A importância dessa supervisão após a retirada do balão é para que se cumpra uma teoria médica, segundo a qual o paciente que consegue se manter magro durante dois anos, faz com que sua célula adiposa adquira uma memória. “É isto, juntamente com a mudança de comportamento na qual se adota hábitos saudáveis (cuidados com o que se ingere e com a atividade física), é o que vai mantê-lo com o peso adequado”, finaliza o médico.

    Enio Modesto

    Quem pode colocar o balão intragástrico?

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