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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Mau hálito pode ser prevenido e tratado

  • Estudos atestam que 90% dos casos de halitose, ou mau hálito, são de origem bucal; o constrangimento social afeta 30% das pessoas.

    O cirurgião-dentista, especialista em implante dentário e pós-graduado em plástica periodontal, Dr. Alberico Neto.
    O cirurgião-dentista, especialista em implante dentário e pós-graduado em plástica periodontal, Dr. Alberico Neto.

    Ao contrário do que muita gente acredita, o odor desagradável que exala da boca de muita gente, na grande maioria dos casos, não vem do estômago. Conhecido como mau hálito, ou halitose, esse problema não é uma doença e possui 60 causas diferentes e 90% delas têm origem na cavidade bucal, segundo a Associação Brasileira de Halitose (ABHA). Embora seja persistente e responsável por constrangimento social, o mau hálito dificilmente é percebido por quem o possui.

    O cirurgião-dentista Alberico Neto, especialista em implante dentário e pós-graduado em plástica periodontal, diz que é importante a pessoa saber se tem ou não mau hálito para iniciar o tratamento e evitar até mesmo algumas complicações, se a causa estiver relacionada a algum problema dentário. “A maioria das pessoas portadoras de halitose não percebe (que a tem) porque a boca é muito próxima do nariz. Então é importante a pessoa ter alguém de confiança para perguntar se tem ou não o mau hálito”, recomenda.

    De acordo com a ABHA, no Brasil as pesquisas revelam que cerca de 50 milhões de pessoas têm halitose, o que representa 30% da população. As causas são variadas, mas 90% delas são relacionadas a problemas bucais, acompanhados ou não de alterações sistêmicas. “A principal coisa a fazer é procurar um profissional qualificado para que ele possa diagnosticar, identificar o problema, o que é fundamental para o tratamento”, orienta Dr. Alberico.

    É importante que as pessoas saibam que o mau hálito é aquele odor persistente da boca que, mesmo com a higienização, não cessa, ao contrário de outros odores desagradáveis provenientes do estômago ou causados por outras fontes, como alguns tipos de remédio ou alimento. Nestes casos, são diversas as origens: jejum prolongado (principalmente ao amanhecer), bebida alcoólica, ingestão de alimentos gordurosos ou condimentados, pouca salivação, dentre outros.

    Se o cheiro ruim vier do estômago vazio, o que normalmente ocorre pela manhã por causa do jejum e da baixa salivação durante o sono, basta comer algum alimento e, depois, escovar os dentes, que o odor some. Já se o problema tiver como causa a ingestão de álcool ou alimentos “pesados”, o mau hálito acaba depois do processo digestivo.

    Mas se a pessoa passou o fio dental, escovou os dentes corretamente e mesmo assim continua com halitose, é melhor procurar um dentista. Esse profissional irá examinar os dentes e toda a cavidade bucal para descobrir o porquê. “Se o mau hálito não for de causa temporária, os principais fatores que provocam esse odor vêm da má higienização, que provoca a saburra lingual, a cárie e a doença periodontal (inflamação da gengiva). A prótese mal adaptada também machuca e inflama a gengiva”, revela o Dr. Alberico Neto.

    “Na grande maioria dos casos, o mau hálito vem da língua. É que na parte posterior da língua acumulam-se restos de alimentos, formando uma massa esbranquiçada chamada de saburra. Essa massa são corpos protéicos com os quais as bactérias se alimentam e essas bactérias produzem gases que provocam um odor”, disse o cirurgião dentista. “E as pessoas que têm baixa salivação acumulam mais essas bactérias.”

    Pessoas que respiram mais pela boca, que ingerem bebida alcoólica, usam enxaguantes bucais a base de álcool em exagero, tomam remédios antidrepressivos, os portadores de doenças sistêmicas, como o diabetes e doentes renais crônicos também são afetados pela halitose, porque esses são outros fatores que criam os gases cetônicos, que sobem do estômago para a boca. O trato respiratório é outro possível causador do problema. Nas amígdalas pode-se formar uma massa esbranquiçada, que nada mais é que resíduos alimentares, também altamente mal cheirosa.

    Segundo Alberico Neto, uma expressão muito comum dada no Brasil para pessoas que sofrem desse mal, "bafo de onça", tem sua razão de ser na dieta alimentar desse animal das selvas brasileiras. Por ser canívora, a onça fica com restos de carne de suas presas se deteriorando nos meios dos dentes, causando o ácido sulfídrico, que é o gás do mau hálito originado da má higienização. Por isso, a importância da limpeza correta dos dentes e da língua, com pasta, fio dental e raspadores linguais.

    Aqui cabe um alerta do dentista: fio dental com cera não é muito eficiente porque tem atrito menor com os dentes e, portanto, não retira todos os resíduos alimentares. Escovas muito duras ou muito macias também não são indicadas. As primeiras podem machucar as gengivas e as segundas não retiram os restos de alimento causadores da placa bacteriana.

    Para quem tiver dúvida sobre o odor de sua boca e tiver receio de se informar com alguém, o cirurgião-dentista recomenda uma consulta com especialista. Alguns profissionais e clínicas odontológicas possuem um aparelho, o halímetro, para medir o hálito do paciente. “A halitose não é mais que um desequilíbrio do corpo, é um sinal de que há algo errado e que precisa ser tratado”, alerta Dr. Alberico.

    Enio Modesto

    Principais causas do mal hálito.

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