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Janeiro/Março 2020
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Saúde

A missão de levar alegria pra quem mais precisa

  • O grupo Doutores Fesp Amigos da Alegria ganhou o reconhecimento de toda a comunidade pelo belo trabalho que realiza em hospitais e entidades assistenciais de Passos e região. O projeto iniciou timidamente em setembro de 2008, com apenas oito integrantes, e hoje, com 52 integrantes, leva alegria a diversas pessoas nos momentos mais difíceis.

    Doutores da Alegria.

    O coordenador do projeto, Eduardo Vilela, que cursou artes cênicas na Universidade Federal de Uberlândia através do grupo Pediatras do Riso, onde se especializou em “Doutor Palhaço”, diz que quando retornou a Passos precisava fazer algo pela cultura de Passos e que fosse somado ao cumprimento social humano. “A função dos Doutores é bem mais que fazer palhaçadas, é arrancar sorrisos, é tirar o paciente do estado em que ele se encontra e modifi car este ambiente que geralmente é carregado”, enfatiza.

    O primeiro grupo começou com 11 pessoas através de uma parceria com o Rotaract Clube Passos Rio Grande, e durante os primeiros 2 anos não conseguiram parcerias ou patrocínios. Numa conversa informal com a Psicóloga Cristina Maia, do Programa Materno Infantil (Promai) da Santa Casa, foi cedido o clube de eventos dos funcionários, para a realização do curso. “No início tivemos um pouco de dificuldade para conseguirmos entrar na Santa Casa. Começamos fazendo estágio e, com o passar do tempo, conseguimos mostrar a importância do nosso trabalho conquistando a confiança de todos, firmando uma parceria sólida até os dias atuais”, salienta Eduardo.

    O grupo começou com o nome “Doutores Amigos da Alegria”, mais tarde passou a se chamar “Doutores Passos Amigos da Alegria”, e após dois anos de caminhada, hoje se denomina “Doutores Fesp Amigos da Alegria”. Carrega no nome uma parceria significativa com a Fundação de Ensino Superior de Passos (FESP) para o crescimento e desenvolvimento do projeto, atendendo a extensa demanda da cidade e região.

    Atualmente o Doutores Fesp Amigos da Alegria realiza atendimentos na Santa Casa de Passos, Hospital São José, no Recanto Geriátrico e Asilo São Vicente de Paulo e no asilo de São João Batista do Gloria, além da Casa Lar (projeto da prefeitura de Passos) e Hospital Otto Krakauer. A intenção é levar o projeto para outras cidades da região.

    Na primeira segunda-feira do mês acontece uma reunião para definir a escala de cada mês e na terceira segunda-feira acontece a reciclagem para troca de experiências entre os participantes.

    A missão do voluntário

    O projeto possui atualmente 52 integrantes de diversas faixas etárias. São pessoas que dedicam parte de suas vidas para dar alegria a muitos pacientes internados.

    “O trabalho do grupo tem como base a relação com crianças, adultos e idosos internados, seus acompanhantes, e os profissionais de saúde, não sendo, portanto, um espetáculo único. Ser espontâneo é uma característica do (Clown) 1, que nunca deixa de falar o que pensa”, explica Eduardo.

    As visitas são interativas e diretas no leito do paciente, sendo realizadas duas vezes por semana (às quartas-feiras e aos sábados), por integrantes que se escalam para atuarem nos plantões em hospitais (incluindo Alojamento Materno, Sistema Único de Saúde, Unidade de Terapia Intensiva Adulta e Infantil, Oncologia) e lares para idosos na cidade de Passos e São João Batista do Glória.

    Cada integrante passa por um treinamento de 8 a 10 meses, incluindo o estágio, onde passa a vivenciar as práticas do Clown. As reuniões acontecem no Bloco 13 da Fesp, localizado na avenida dos Expedicionários nº 333. Durante o curso há um estudo aprofundado da linguagem do Clown, bem como a expressão corporal, técnicas de improvisação, pantomima e os ajustes para sua formação artística no ambiente hospitalar, a criação de duplas ou trios e o desenvolvimento do “besterólogo”.

    “Encontramos pessoas de humores diferenciados, fazemos as abordagens de forma descontraídas e nos esforçamos para que nossa presença seja agradável, porque dentro do curso nós já aprendemos isso, a sentir qual a abertura que o paciente vai nos dar e caso haja rejeição, tentamos por mais duas vezes, e não tendo sucesso, respeitamos a vontade do paciente e nos retiramos. Estas situações são raras. Podemos dizer que praticamente 100% solicitam nossa presença em seus leitos e que o sorriso faz a diferença no quadro clínico”, diz Alessandro Bacculi de Almeida, um dos fundadores do projeto.

    No grupo há profissionais da arte, mas a maioria são pessoas de outras profissões. Cada “Doutor” tem um nome, uma história, uma especialidade médica e os seus instrumentos que auxiliam no trabalho realizado. Além do coordenador geral, o grupo possui uma Comissão Interna responsável pelos setores de secretaria, comunicação, tesouraria, relações públicas, dentre outras.

    Renato Rodrigues Delfraro

    Foto 1: Foto dos integrantes descaracterizados, durante audiência pública realizada na Câmara Municipal de Passos para tratar do credenciamento do Hospital do Coração. Foto 2: No Lar Recanto Geriátrico. Foto 3: Durante a comemoração do aniversário de 5 anos do grupo no Cire.
    Foto 1: Foto dos integrantes descaracterizados, durante audiência pública realizada na Câmara Municipal de Passos para tratar do credenciamento do Hospital do Coração. Foto 2: No Lar Recanto Geriátrico. Foto 3: Durante a comemoração do aniversário de 5 anos do grupo no Cire.

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