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Janeiro/Março 2020
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Saúde

Risco de contrair DST no Carnaval é maior

  • O número de pessoas que fazem exames de HIV, para detectar o vírus da Aids e outras doenças transmissíveis por sexo triplica após o carnaval; o abuso do álcool e a auto-confiança são fatores do descuido que engrossam as estatísticas de doenças infecciosas no país.

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    No ano passado, surgiram 68 novos casos de pessoas contaminadas com o vírus HIV, o causador da Aids – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – em Passos, segundo registros do Ambulatório Escola (Ambes) da Faculdade de Enfermagem da Fesp (Fundação de Ensino Superior de Passos). Neste ano, até o início da segunda quinzena de janeiro, quatro casos já haviam sido confirmados e outros dois aguardavam os resultados dos exames.

    A Aids é a doença que mais preocupa as pessoas, mas há outras moléstias que são transmitidas via sexo e são classificadas como DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis).

    Ao longo do ano, 200 pessoas, em média mensal, fazem o teste do HIV, preocupadas com uma possível contaminação porque tiveram relação sexual sem usar preservativo. Mas essa média dobra no período natalino e se multiplica por três nos dias posteriores ao carnaval, segundo a coordenadora do Ambes, a enfermeira Andrea Pizol.

    O motivo? – “Porque acham que com elas não vai acontecer, porque abusam da bebida alcoólica e acham que se fizerem sexo sem proteção só uma vez não vão pegar o vírus”, analisa a coordenadora, lamentando que apesar das campanhas anuais feitas para conscientizar os foliões, e mesmo aqueles que não vão brincar o carnaval, muita gente ainda arrisca a saúde.

    Na semana anterior à festa do Rei Momo, o Ambes mobiliza um batalhão de profissionais e estudantes da área da saúde em uma campanha para tentar convencer as pessoas a usarem preservativo durante o sexo.

    Só do ambulatório são 13 funcionários envolvidos nas atividades: palestras, pit stop, distribuição de camisinhas e diversos atendimentos. Também são mobilizados entre 30 e 40 alunos da enfermagem, além dos agentes das 17 unidades do Programa de Saúde da Família, em Passos.

    “Só que ficamos tristes, porque muita gente faz bexigas com as camisinhas”, revela Andrea Pizol. “E as pessoas se preocupam muito com a Aids, mas as hepatites virais B e C têm um risco muito maior de contaminação, porque o vírus tem maior tempo de vida que o HIV”, acrescenta.

    A coordenadora do Ambes, Andrea Pizol, lamenta que foliões usem camisinhas como se fossem bexigas.
    A coordenadora do Ambes, Andrea Pizol, lamenta que foliões usem camisinhas como se fossem bexigas.

    A Aids e a hepatite são apenas duas das doenças que podem ser contraídas durante o ato sexual desprevenido. O Ministério da Saúde as considera como um dos problemas de saúde pública mais comuns no mundo, por tornarem o organismo dos pacientes mais vulneráveis a outras doenças, tendo até mesmo relação com a mortalidade materna e infantil.

    Segundo estimativas do Ministério, 5.772.300 pessoas são portadoras de DST no Brasil, como sífilis, gonorreia, clamídia, herpes genital e HPV. Andrea Pizol alerta que algumas dessas doenças podem se apresentar de uma forma sutil, com poucos sintomas, principalmente no homem. Por esse  motivo, as pessoas que se expuserem em uma relação sexual desprotegida e ao menor sintoma, devem procurar orientação médica, porque o diagnóstico dessas doenças em estado inicial é fundamental para um tratamento adequado e evitar complicações. Dentre os agravantes das DST estão a infertilidade, o câncer e até a morte.

    “Morre quem não se cuida. Quem não se trata, morre”, observa a enfermeira, acrescentando que desde o ano de 1992, quando foi criado o Ambes, 569 pacientes já foram cadastrados em Passos. Além da medicação, participam das atividades de conscientização contra as infecções de transmissão sexual.

     

    ALERTA!!!

    Formas de contágio de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis)

    - Sexo oral, vaginal ou anal sem uso de camisinha; seringas e agulhas compartilhadas; sangue contaminado; através de gravidez, no parto e na amamentação e instrumentos cortantes não esterilizados.

    Exame da Aids:

    Não adianta fazer no dia seguinte.

    Quem fez sexo sem proteção e está preocupado com uma contaminação pelo vírus da Aids, o HIV, não precisa correr ao ambulatório para fazer o exame. Isso porque existe um período em que o resultado do exame não dá positivo, mesmo que a pessoa esteja contaminada. É o período chamado de “janela imunológica”, que ocorre entre três e seis semanas após a contaminação, conforme portaria do Ministério da Saúde.

    No Ambulatório Escola da Faculdade de Enfermagem da Fesp (Fundação de Ensino Superior de Passos), antes de colher o material para o exame, os pacientes assistem uma palestra sobre DST/AIDS em que são orientados quanto à prevenção, formas de contágio, exames e tratamento.

     

    QUADRO ESTATÍSTICO

     

    Estimativas de infecções por DST no Brasil

    Sífilis: 971.000

    Gonorréia: 1.541.800

    Clamídia: 1.967.200

    Herpes genital: 640.900

    HPV: 685.400

    HIV: 587.000

    Fonte: Ministério da Saúde

    Estimativas de infecções
    por DST em Passos*

    HIV: 569 casos de 1992 a 2010 – 68, em 2010

    Sífilis: 4 casos em 2010

    HPV: 1 caso em 2010 e 1 em 2011

    Herpes genital: 2 casos em 2010.

    Fonte: Ambes/Fesp

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