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Nov/Dez 2019
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Especial

Região realiza trabalho pioneiro contra escassez da água

  • Um grupo de professores e estudantes universitários está trabalhando num grande projeto de zoneamento ambiental que servirá de base para a definição da política de utilização dos recursos hídricos das sub-bacias do médio Rio Grande. Sob a denominação “Grande Minas – união pelas águas”, o zoneamento consiste não apenas em conhecer a realidade dessa região – uma área de 9,8 mil km² formada por 22 municípios -, mas também avaliar, estabelecer prognósticos e propor soluções para o desenvolvimento da região.

     

    O professor Eduardo Collares coordena o grupo de pesquisa.
    O professor Eduardo Collares coordena o grupo de pesquisa.

    Até maio do ano de 2012, esse grupo pretende levantar todas as informações e estas serão reunidas num banco de dados, que será entregue ao CBH-GD7 (Comitê das Sub-bacias Hidrográficas dos Afluentes Mineiros do Médio Rio Grande) como base para a elaboração de um plano diretor dos recursos hídricos da bacia.

    O objetivo é ajudar no combate à escassez da água limpa, através do seu uso adequado e da recuperação e preservação do meio ambiente local.

    Por abranger uma grande área, onde vivem aproximadamente 400 mil pessoas, o zoneamento “Grande Minas” é considerado pioneiro no estado de Minas Gerais. Resultado de uma parceria entre a Fesp – Fundação de Ensino Superior de Passos – e a Adebrás – Agência de Desenvolvimento Sustentável do Sudoeste Mineiro -, o projeto é desenvolvido com recursos financeiros de R$ 1 milhão, do Fhidro (Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais).

    “Nós estamos fazendo um levantamento completo”, explica o professor da Faculdade de Engenharia de Passos Eduardo Goulart Collares, coordenador geral do projeto. Collares é responsável por uma equipe multidisciplinar, composta por 12 professores e 18 alunos e estagiários da Fesp, num trabalho cujo resultado final deve apresentar um verdadeiro “raio-x” da hidrografia, hidrologia, clima, geologia, geomorfologia, flora e unidades de preservação, aspectos socioeconômicos, uso e ocupação do solo e saneamento básico da área dos afluentes mineiros do médio Rio Grande, que é formada por 19 sub-bacias hidrográficas e banhada pelos reservatórios das usinas hidrelétricas de Mascarenhas de Moraes e Estreito.

     

    Diagnóstico

    O zoneamento começou a ser feito em janeiro de 2010 e atualmente está na fase de diagnóstico dos meios físico, biótico e sócioeconômico. Em 4 de fevereiro deste ano, os dados já obtidos foram apresentados no 1 º Seminário sobre os Recursos Hídricos do Médio Rio Grande, evento que fez parte do projeto Grande Minas (leia no box). De acordo com o professor Collares, a equipe de pesquisadores produzirá diversos documentos, como mapas e cartas interpretativas, contendo desde o diagnóstico até os prognósticos e soluções para a exploração legal da área, voltada à recuperação e preservação da qualidade das águas.

    O público participante do seminário “Grande Minas - união pelas águas”
    O público participante do seminário “Grande Minas - união pelas águas”

    Esses dados serão repassados ao CBH-GD7, cuja função é aplicar a lei federal de política nacional de recursos hídricos por meio de uma gestão participativa entre o estado, municípios, sociedade civil organizada e usuários. Para isso, será criado o plano diretor, que terá como base o trabalho que vem sendo feito através do “Grande Minas”.

    “Esse parlamento formado por esses quatro grupos é que define toda a política de recursos hídricos para o processo de gestão dentro das sub-bacias”, explica o coordenador. “A Lei estabelece que a água é um bem público e de valor econômico, e não é renovável. Por isso é importante que o seu uso seja realizado de forma racional. O CBH-GD7 é quem irá definir as regras de cobrança de uso dos recursos hídricos e direcionamento dos recursos financeiros arrecadados, serão utilizados em prol do meio ambiente, dentro das próprias sub-bacias. Por isso, a importância do plano diretor”, explica o professor.

     

    Poluição

     

    Com relação à futura cobrança do uso da água, só pagará pelo uso os grandes consumidores e, principalmente, o usuário que despejar efluentes num curso d’água sem tratamento prévio, causando sua poluição; este sim, irá pagar um alto preço, conforme adianta Eduardo Collares. O coordenador afirma que a legislação que estabeleceu a política nacional dos recursos hídricos, criada em 1997, é moderna e em consonância com a legislação dos países desenvolvidos, mas só agora os seus instrumentos estão sendo efetivamente implementados em Minas Gerais através dos comitês de bacias, como o CBH-GD7.

    “Eu acredito que com os fundamentos dessa lei, sendo realmente aplicados, teremos instrumentos para melhorar as condições dos recursos hídricos e ambientais das nossas sub-bacias hidrográficas. Com relação a nossa região, nós estamos num pé de vanguarda nesse processo dentro de Minas Gerais. Nós somos a primeira bacia hidrográfica que está realizando o zoneamento ambiental em uma escala de trabalho compatível com o tamanho da área, que nos permite conhecer em maiores detalhes as condições dos meios físico, biótico e socioeconômico locais”, avalia o coordenador do projeto Grande Minas.

    Além de servir para o estabelecimento do plano diretor do CBH-GD7, os dados coletados, avaliados e interpretados serão publicados em formato digital, para divulgação na Internet, e também impressos em forma de Atlas, com os principais mapas, gráficos e demais informações referentes ao zoneamento.

    PROJETO REÚNE CENTENAS DE PESSOAS EM SEMINÁRIO

    O projeto Grande Minas – união pelas águas – reuniu mais de 200 pessoas em Passos em 4 de fevereiro, no auditório Armando Righetto (Fesp), bairro Belo Horizonte, que foram participar do 1º Seminário sobre os Recursos Hídricos do Médio Rio Grande e do 3º Workshop do projeto. O evento foi realizado pela equipe do “Grande Minas” e atraiu não apenas estudantes e professores, mas também autoridades ambientais.

    O tema do seminário foram as questões da sustentabilidade e do futuro da bacia do médio Rio Grande, que teve como base a primeira etapa dos diagnósticos e os primeiros mapas já produzidos no projeto de zoneamento das 19 sub-bacias hidrográficas, que abrangem 22 municípios em uma área de 9,8 mil km².

    “Graças a trabalhos sérios como este, a Fesp foi contemplada recentemente com uma unidade do VerdeMinas, um braço do Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa Aplicada em Águas, o Instituto Hidroex, com chancela da UNESCO. Tenho certeza de que estamos no caminho certo em nossa missão de colocar o conhecimento acadêmico a serviço da preservação ambiental”, disse na abertura do evento o presidente da Fesp, professor Fábio Pimenta Esper Kallas.

    Também participaram do seminário a gerente regional do Igam (Instituto Mineiro de Gestão das Águas), Vanessa Coelho Neves, o presidente da Ameg (Associação dos Municípios do Médio Rio Grande, José Martins – prefeito de Delfinópolis), o deputado estadual Antônio Carlos Arantes, além de outros prefeitos, vereadores, secretários de meio ambiente, membros do comitê GD7 e estudantes da Fesp.

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