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Novembro de 2012

Pedalar - Faz bem para o corpo, mente e alma.

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O número de mulheres ciclistas tem aumentado consideravelmente. Além da atual visibilidade da bicicleta, esse fato vem ocorrendo graças ao trabalho inspirador de algumas mulheres que dão o exemplo e desmistificam diversos tabus em relação à “dupla fragilidade” da bicicleta e do sexo feminino. 

Pensando nisso e buscando incentivar mais mulheres a participar deste esporte tão gostoso, que faz tão bem à saúde e que proporciona uma integração e uma cumplicidade maior entre as participantes, foi criado na cidade, há cerca de sete meses, o Pedal das Meninas. Idealizado pela empresária Tereza Sawaya e o personal trainer, Cláudio Augusto Dias, o “Guto”, o Pedal das Meninas garante vida longa às pedaladas.

Tereza Sawaya explica que a primeira edição do Pedal aconteceu em maio deste ano. “O evento nasceu com o intuito de ser mensal e voltado exclusivamente para as mulheres. As edições acontecem sempre no último sábado do mês com inscrições feitas e pagas no valor de R$ 25,00, o que dá direito às participantes a um kit que contem brindes relacionados à prática de atividades físicas”, explica Tereza.

Grupo Pedal das Meninas.
Grupo Pedal das Meninas.

Patrocinado pela empresa Reserva Natural e pelo professor de Educação Física, Guto, as ciclistas usam camisetas que mudam a cada evento, o que torna o passeio sempre uma surpresa. A única coisa que é imprescindível para pedalar, diz os idealizadores, é ter uma bike. 

“O restante é boa vontade”, fala Tereza, alertando para alguns itens de segurança que ela e o Guto recomendam tais como: utilização de capacetes e luvas, regulagem dos freios e também pneus em bom estado de conservação.

Dia da 1ª Clínica de Ciclismo na Praça Centenário.
Dia da 1ª Clínica de Ciclismo na Praça Centenário.

Guto, que é professor de Educação Física, Especialista em Treinamento Físico e Técnico Desportivo, afirma que esses encontros, além de estimular as mulheres a repensarem suas relações com a cidade e utilizar a bicicleta de uma maneira segura e agradável, é uma ótima oportunidade de promover conversas, compartilhar experiências e, principalmente, pedalar em grupo. Ele ainda enumera vários benefícios que a bike traz às ciclistas. 

“Fortalece a musculatura de membros inferiores (pernas, coxas e glúteos), tornando-os mais firmes. Principalmente para as pessoas que possuem deposição de gordura tipo ginóide (pêra). A bike ainda estimula a vascularização local por ser uma atividade cíclica de endurance, seu consumo calórico é alto, sendo uma das atividades mais aconselhadas para as pessoas que desejam uma diminuição da massa corporal gorda”, diz Guto.

Guto a frente do Pedal das Meninas - Um dos poucos integrantes masculinos que auxiliam as mulheres caso necessitem.
Guto a frente do Pedal das Meninas - Um dos poucos integrantes masculinos que auxiliam as mulheres caso necessitem.

Mas os benefícios não param por aí: “Por ser uma atividade que não provoca impactos, torna-se um excelente exercício para quem está acima do peso ou possui problemas articulares nos tornozelos, joelhos, quadris e coluna”, revela o professor. 

Passeio

Por ser um grupo aberto, com atividades mensais, o Pedal das Meninas não possui um número exato de integrantes; em cada evento há um número variado de participantes. “Tem mulheres que estão pedalando com a gente desde a primeira edição, outras estão chegando agora, algumas não podem pedalar todas as vezes em razão de compromissos que coincidem com a data do passeio, o que lamentamos profundamente, pois o interessante é estarmos, em todos os eventos, juntos”, conta Guto.

Alguns homens marcam presença sim no passeio que é estritamente feminino, mas eles estão lá mais no sentido de auxiliar as participantes caso precisem de uma força.

“Contamos com a colaboração de alguns integrantes masculinos como staff, que é fundamental neste passeio, uma vez que no mesmo evento participam mulheres de várias faixas etárias e com distintos graus de condicionamento físico. Eles andam com camisetas diferenciadas das nossas e nos prestam ajuda controlando o fluxo de carros nos cruzamentos importantes ou suportam-nos em alguma necessidade de ordem física se, por ventura, precisarmos”, diz Tereza Sawaya.

“Benefício para o corpo, a alma e a mente.”

Mulheres têm descoberto na bike uma aliada para cuidar da saúde e da estética.
Mulheres têm descoberto na bike uma aliada para cuidar da saúde e da estética.

A dentista Lílian Mendes Andrade, que participa do Pedal desde o primeiro evento, exceto o último, porque estava em viagem, fala da equipe, da iniciativa dos idealizadores e dos condutores que orientam e motivam todas as participantes. 

“Muito bacana a iniciativa da Tereza e do Guto em criar esta oportunidade para nós mulheres. Sabemos que não é fácil estar à frente de um projeto, mas a maior prova de que o evento está dando certo é o número crescente de participantes. Gosto muito de praticar esportes e sempre incentivei meus filhos na prática de atividade física. Num país em que o índice de obesidade entre crianças e adolescentes quase duplicou nos últimos vinte anos, falar em esporte se tornou uma questão de saúde pública!”, comenta Lílian.

A ciclista ainda completa: “se nós, mães, mulheres, donas de casa ou profi ssionais, nos envolvermos em projetos como este e darmos o nosso exemplo de busca por qualidade de vida e ainda repassarmos às nossas famílias e amigos, o cenário mudará para melhor. Mesmo eu sendo adepta da bike já algum tempo, tenho visto que várias pessoas que não pedalam desde a infância, agora em pouco tempo, já acompanham os mais experientes. Portanto não há desculpa para aquelas que têm receio de não conseguir cumprir o trajeto. Existe um prazer muito grande em vencer nossos limites – é um benefício para o corpo, a alma e a mente, com certeza!”, explica Lílian.

No asfalto e na terra

Durante os passeios são passadas dicas básicas de mecânica e utilização de marchas e freios. Segundo Guto, a cada edição do Pedal, o percurso aumenta um pouco a distância e a difi culdade, justamente para incentivar a prática da atividade e fazer com que a participante alcance, a cada novo passeio, mais êxito nas pedaladas.

“O primeiro passeio, realizado no mês de maio, foram percorridos 8 km somente dentro da cidade, com nível de dificuldade e técnica baixo. Já no terceiro passeio passamos por um trecho pequeno de terra e no quarto pedal realizamos uma parada no meio do percurso para hidratação e alimentação. Todos os passeios têm entre 15 e 20 km, com 50% no asfalto e 50% na terra”, esclarece Guto, ressaltando que a concentração sempre ocorre 30 minutos antes da saída para eventual auxílio às novatas caso necessitem, a exemplo de uma boa regulagem de freios, de câmbios, verifi cação de pneus, entre outros itens.

No início do mês de outubro, o Pedal das Meninas se reuniu na praça Centenário para a realização da primeira Clínica de Ciclismo da cidade. Foram abordados três temas principais para as participantes: frenagem, utilização de marchas e técnicas de curvas, onde foram repassadas informações básicas sobre esses assuntos. Posteriormente, o grupo realizou um pequeno passeio pelos fundos do bairro Muarama.

Com relação ao tipo de bike apropriada para os passeios, Guto orienta: “Com qualquer bicicleta se pode andar, mas é lógico que as bicicletas com marchas facilitam mais o trajeto, tanto nas subidas quanto nas descidas. O que é sugerido é a aquisição de produtos de boa qualidade, para se ter mais confiança no equipamento.”

Embaixo do escaldante sol de Passos, o Pedal das Meninas encara ladeiras, ruas, avenidas e estradas de terra da cidade sobre duas rodas, sem motor e com muito estilo.

Para Tereza e Guto, o Pedal é um grupo voltado para diversão, prática esportiva e superação dos próprios limites. “Se resume praticamente em duas palavras: liberdade e desafi o. Liberdade porque quando me der vontade posso pegar a bike e ir aonde quiser. Posso cumprir grandes distâncias ou ir logo ali, podendo até mesmo carregá-la nas costas quando o morro for muito íngreme. E desafi o: porque o local que eu não consegui vencer hoje é o que será a minha próxima conquista amanhã.”

Graciela Nasr

Cidade Pedalável

Um artigo publicado pela Comunidade Científi ca Americana, apontou um novo indicador para saber o quão ciclável é uma cidade: o número de mulheres que pedalam nas ruas. Segundo a pesquisa, as moças estão menos habituadas a correr risco do que os homens, por isso, quanto mais mulheres pedalando, mais humanas e “amigas do ciclista” são as cidades. Países que entenderam a importância em investir e estimular a segurança dos ciclistas já fazem seus planejamentos urbanos considerando a forma como as mulheres vêem o uso urbano e diário da bicicleta. Taí uma coisa que os vereadores e prefeitos precisam pensar se algum dia chegarem a cogitar em implantar ciclovias: sigam as mulheres!

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