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Dezembro de 2010

Padre busca o resgate da prática da indulgência

Apenas o perdão do pecado não basta para o católico encontrar a paz espiritual, resíduos do erro persistem e precisam ser eliminados através da penitência; segundo o padre Ernani Maia, no livro “Indulgências”, Deus substitui as penas mais duras por obras e orações.

Capa do livro lançado por Ernani Maia dos Reis, impresso pela Gráfica e Editora São Paulo.
Capa do livro lançado por Ernani Maia dos Reis, impresso pela Gráfica e Editora São Paulo.

Praticada desde o início do cristianismo pela Igreja Católica, a doutrina da indulgência acabou quase que esquecida com o passar dos séculos.

Atualmente, pouca gente aplica o que o padre Ernani Maia dos Reis, autor do livro “Indulgências – esse tesouro é seu!”, considera como uma verdadeira dádiva de Deus para os pecadores. Um dos motivos foi o mau emprego dessa tradição durante a Idade Média, que se tornou um dos estopins de uma grande crise do catolicismo no período e deu origem à Reforma Protestante. Mas, segundo o religioso, as indulgências são o melhor caminho para se chegar a Deus e os católicos precisam praticá-las para não voltar a cometer erros comprometedores da salvação eterna.

No livro impresso pela Gráfica e Editora São Paulo, padre Ernani – de Passos, fundador e prior dos Monges da Trindade, em Monte Sião (MG) – defende esse dogma da Igreja Católica como um bem oferecido por Deus e, para resgatá-lo na prática religiosa, elaborou um verdadeiro manual para orientar os fiéis em relação às indulgências. “E foi justamente esta a minha intenção: colocar o fiel católico ao alcance, de modo sucinto, mas completo, de todas as práticas indulgenciadas vigentes na Igreja atualmente. Assim, cada um pode aproveitar ao máximo dessa tão grande graça”, explica o padre.

Mas o que são as indulgências? O padre explica que se tratam da remissão, ou perdão, diante de Deus, da pena temporal que o pecador teria que pagar para se purificar e reparar o mal cometido.

Nos primórdios do cristianismo, os mártires eram procurados por pessoas que deviam fazer duras penitências para alcançar o perdão – havia gente que pagava sua pena através da mendicância, outros eram impedidos de entrar na igreja durante certo tempo, tendo que permanecer do lado de fora durante as missas, dentre outras expiações. Então, esses mártires, perseguidos e condenados à morte por sua fé em Jesus Cristo, escreviam uma carta ao bispo pedindo para liberar o fiel daquela pena imposta, oferecendo em troca todo seu sofrimento. Eram as “cartas de paz”, ou seja, que indulgenciava o pecador da pena temporal, aquela penitência que o redimiria do erro então praticado.

Aos poucos, os cristãos foram substituindo essas cartas de paz por recursos oferecidos pela própria igreja, porque muita gente não tinha condições de saúde ou tempo suficiente para cumprir as penitências, que eram pesadas. Assim, nasceram as “obras indulgenciadas”, que podem ser uma esmola, uma oração ou uma vigília.

Embora brandas, essas penas aplicadas ao pecador valem tanto quanto uma peregrinação, como a que os romeiros fazem a pé para a Aparecida do Norte, em sinal de devoção a Nossa Senhora Aparecida.

“Além de pedir a Deus o perdão da culpa, você deve, pela penitência, pagar a pena, ou seja, assumir uma verdadeira atitude de quem age concretamente a fim de acabar de vez com os restos do pecado, as consequências que ele deixa em você mesmo e em toda a humanidade”, diz um trecho do livro.

Mesmo ante o significado dessa tradição remissiva, o pagamento da pena por meio de indulgências caiu no esquecimento por grande parte dos católicos. O padre Ernani admite que o mau uso desse bem foi um dos fatores para que os fiéis deixassem de usufruir de seus benefícios, mas que serviu para uma reflexão da própria Igreja. “Ora, os erros que cometemos não nos ajudam na purificação de nossas intenções e atitudes? Do mesmo modo, creio que os desvios envolvendo as indulgências serviram para um aprofundamento em sua doutrina”, analisa.

Outro fator para que essa tradição fosse deixada de lado pelos católicos é o problema de comunicação entre o sacerdote e o pecador. De acordo com o padre Ernani, os papas João Paulo II e Bento XVI se preocuparam com essa falha informativa e se pronunciaram a respeito: “O saudoso papa (João Paulo II) nos diz que a informação é um ‘direito dos penitentes’ a fim de que possam se ver totalmente livres do pecado e de suas devastadoras consequências. Para isso, as indulgências são um meio extremamente eficaz, mas, infelizmente, desconhecido”.

Foi pensando em contribuir para a correção dessa falha comunicativa, e aceitando sugestão dos monges após um curso sobre o assunto em seu mosteiro, ministrado pelo próprio autor, que o padre Ernani decidiu escrever o livro. Dividida em duas partes, a obra resgata a história e a importância das indulgências, além de relacionar as “obras indulgenciadas”, que substituem a pena que o pecador teria que pagar para não voltar a cometer o mesmo erro e também corrigir o mal causado para a comunidade cristã.

Padre Ernani Maia dos Reis, autor do livro “Indulgências - esse tesouro é seu!”
Padre Ernani Maia dos Reis, autor do livro “Indulgências - esse tesouro é seu!”

O arrependimento e a absolvição pelo pecado cometido, somados à indulgência concedida, livra o fiel de uma punição que pode ser eterna em casos de pecado mortal. Segundo o padre Ernani, um cristão não deve morrer sem se arrepender de seus pecados, principalmente se for um pecado muito grave. Do alto de sua misericórdia, Deus oferece a oportunidade para que seu rebanho alcance a remissão. “O que a Igreja objetivamente afirma é que aquele que morre em pecado mortal, sem buscar a reconciliação com Deus, vai para o inferno, um lugar de onde não poderá mais sair”, observa o autor.

O livro “Indulgências – esse tesouro é seu!” foi dividido em duas partes. Na primeira, o autor, padre Ernani Maia dos Reis, apresenta a doutrina da Igreja Católica sobre as indulgências. Na segunda parte, o religioso elenca as obras indulgenciadas, aquelas que o pecador pode praticar para retirar de si os “restos do pecado” e corrigir os efeitos de seus erros perante a comunidade. Essas obras são reconhecidas pela Igreja, que possui também indulgências específicas, concedidas em datas especiais.

Um exemplo são as “indulgências plenárias”, que podem ser obtidas (ou lucradas, conforme jargão da Igreja) diariamente. Estas são o terço de Nossa Senhora, que pode ser rezado em família ou em grupos, a adoração ao Santíssimo Sacramento, a leitura da Sagrada Família e a Via-Sacra.

O padre também relaciona atos que o fiel pode praticar, como a caridade, a penitência e o testemunho de fé. “O que mais tem afastado os católicos da prática das indulgências é a falta de fé, mesmo entre os eclesiásticos, ainda que tal doutrina seja afirmada como valorosa e válida pela Igreja Católica”, observa padre Ernani.

Mas, atenção! Para lucrar a indulgência, você deve buscar o perdão para o pecado cometido, tem que estar profundamente arrependido e considerar aquela obra como uma opção para uma pena mais dura.

Você deve ter horror ao pecado e sincero desejo de mudar de vida, conforme ensina o padre Ernani.

O livro traz a apresentação do Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre, D. Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho, OPRAEM que pessoalmente presenteou o papa Bento XVI com um exemplar.

Serviço – O livro “Indulgências – esse tesouro é seu!” foi lançado em Monte Sião, onde fica o mosteiro dos Monges da Trindade. O livro está à venda no site www.mongesdatrindade.org.br e nas livrarias Mater Dei, em Passos, e Betânia, em Franca/ SP.

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