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Agosto de 2014

Capela da Penha: 150 anos de história

Capela da Penha

 

Uma comunidade com tradições vivas, reconhecida pela alegria de suas festas, pelo dinamismo de seus movimentos pastorais, pela força de seu comércio e miscigenação de seus moradores. Em Passos o bairro que melhor reúne essas características é o da Penha. O principal símbolo religioso e cultural do bairro, a Capela de Nossa Senhora da Penha, está completando 150 anos em 2014. Desde 1958 o perfil da Capela está no Brasão do município, por decreto do então prefeito Geraldo da Silva Maia.

Como forma de comemorar o sesquicentenário a capela foi homenageada este ano pela Prefeitura durante o desfile cívico-militar de 14 de maio, por ocasião da comemoração do aniversário de 156 anos de Passos, com o tema: “Capela da Penha: 150 anos de uma Iconografia Passense.”

Capela da Penha.

Ao longo de sua história, a Capela passou por reformas e várias foram as mudanças em sua estrutura física. Em 1964 acontece a primeira grande reforma, quando telhados, vidros, zimbório, campanário, as cores internas e externas sofreram grandes mudanças. No início dos anos 80, a Capela sofreu uma reforma interna substancial que substituiu o retábulo, piso, emolduramentos, cores originais das paredes e ornamentos, entre outros. Em 2007 tem início o trabalho de restauração, que foi concluído em 2009.

“Foi uma luta para conseguir os recursos necessários para o restauro. Tivemos que realizar festas, buscar o apoio de vários parceiros, mas no final valeu à pena! A Capela tem esse encanto, essa magia. Quantas gerações passaram por aqui, muitos que sabemos o nome e outros que não sabemos, mas, que nos ajudaram a fazer a história dessa comunidade”, afirma o Padre Francisco Clóvis Nery, que está na Paróquia desde 2003.

Capela Centenária

Nery faz um apelo às gerações que virão, para que continuem preservando o legado e a história da Capela e as tradições da comunidade. “Eu digo que um povo sem história é um povo sem memória! Nosso bairro tem muitos movimentos e manifestações que não podem ser abandonados, como a cavalhada, que nasce na Penha, as ‘Pastorinhas’, que começaram no centro, mas depois vieram para cá e tem mais de 100 anos de tradição, entre outros, que tanto nos enchem de orgulho!”

Para o historiador Antônio Theodoro Grilo a Capela da Penha conserva tanto em sua arquitetura como em sua história um simbolismo de forte valor cultural. “A Capela da Penha foi construída em meados do século XIX e se tornou uma marca não só pelo fato de ser mais uma Capela, mas, sobretudo, por dois significados: primeiro pela forma que ela traz em sua arquitetura: ela tem uma nave principal oitavada, o que apenas seis ou outras sete capelas no Brasil têm. A outra é o fato dela ficar no alto do morro, já que a palavra penha vem de pedra e penhasco, por tal razão as igrejas identificadas com esse título, geralmente, ficam em pontos mais altos que têm uma visão muito ampla da região. Há muitos relatos de pessoas que dizem que do alto do chapadão, na Serra da Canastra, podiam ver o brilho da torre e dos vidros que refletiam a luz”.

Pastorinhas - Movimento Centenário da Paróquia.
Pastorinhas - Movimento Centenário da Paróquia.

Segundo o historiador os vidros podem ter sido importados da Boêmia (região histórica da Europa Central, hoje localizada na República Tcheca). “São particularidades que não são comprovadas por documentos, mas a tradição também é uma amiga do historiador”, pondera Grilo.

“A Capela da Penha se tornou uma referência para a cidade de Passos, não só em termos da religiosidade da população, mas pelo conjunto habitacional que se formou ali, de egressos da população negra e um diferencial de humanismo, pela presença de movimentos como a Congada, o Moçambique, as práticas culturais africanas que são originárias dali. A Penha foi guardiã dessa cultura”, relata o historiador.

Foto 1: Foto do álbum do fotógrafo Elpidio Vasconcelos 1924. Foto 2: Prato comemorativo do Centenário de Passos, em 1958.
Foto 1: Foto do álbum do fotógrafo Elpidio Vasconcelos 1924. Foto 2: Prato comemorativo do Centenário de Passos, em 1958.

 

Além da Capela, a comunidade é composta ainda pelo Santuário, onde está guardada a imagem de Nossa Senhora da Penha, e pelas comunidades de Santo Antônio de Pádua, São Luiz Maria G. Monfort, Centro Pastoral Sant’Ana, Nossa Senhora Aparecida (Pau D’ Alho), São João Batista, Santa Rita de Cássia e Vila São José. A igreja de São Luiz Monfort, na Cohab II, deve se transformar em Paróquia ainda esse ano, e há a expectativa para a inauguração da Igreja de Santo Expedito, na Vila São José.

A tradicional Festa da Penha terá início no dia 28 de agosto e vai até o dia 8 de setembro. De acordo com Pe. Clóvis, a cada dia será celebrada uma liturgia diferente, com missas campais, além da apresentação de diversos grupos folclóricos e religiosos, como Companhias de Reis, Pastorinhas, etc.

Nossa Senhora da Penha.
Nossa Senhora da Penha.

A origem da Capela de Nossa Senhora da Penha

Sua obra foi concluída em 1864, onde ficou guardada por décadas a imagem de Nossa Senhora da Penha, que atualmente fica num trono especial aos pés do altar do Santuário da Penha. A igreja foi construída como cumprimento de uma promessa de Antônio Caetano de Faria Loulou, o mesmo que doou a área para a construção do Cemitério Municipal, no alto da Praça de Santa Bárbara. A Capela, cujo construtor foi Silvio Antonio Torres, de Tamanduá (Itapecerica) é destacada em capítulo especial no livro da “História de Passos” escrito pelo Dr. Washington Álvaro de Noronha.

A importância histórica e cultural da Capela da Penha foi reconhecida como Patrimônio Histórico de Minas Gerais pelo Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, (IEPHA-MG) em 1999, e é um dos bens tombado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de Passos.

Em 2009 foi concluída a obra de restauro da capela, após mais de dois anos de trabalho, mantendo sua característica arquitetônica e voltando a ser um templo de celebração católica. Em torno da Capela da Penha é festejada, há muitos anos, a tradicional Festa de Nossa Senhora da Penha. A praça onde se localiza a Capela da Penha leva, desde o ano 2003, o nome de “Praça Padre Arnaldo Bellucci”.

A Capela da Penha foi completamente restaurada. O arquiteto André Luis Nery Figueiredo foi o responsável pelo restauro. A estrutura da Capela de Nossa Senhora da Penha tinha passado por reformas que tiraram o seu estilo original: cores de paredes e madeiras, lustres, luminárias, revestimento das torres e cúpula, e por isso hoje voltou à sua origem. O telhado passou por uma vistoria e foram trocadas as telhas avariadas. Toda a parte de forro da cúpula estava com infiltrações e prestes a cair; igualmente, o mezanino, cujas tábuas de madeira servem de piso estavam carunchadas: foram devidamente substituídas.

A parte de fiação elétrica também estava precária juntamente com a falta de segurança da parte de cima, tendo sido substituída. O trabalho de restauro durou 2 anos, 2 meses e 25 dias, tendo sido conduzido pelo Pároco Francisco Clóvis Nery. A reinauguração oficial ocorreu no dia 31 de agosto de 2009, em missa que contou com a presença do Bispo diocesano Dom José Lanza Neto, na data em que a Paróquia completou 62 anos. Hoje a Irmandade Nossa Senhora da Penha, constituída por fiéis leigos voluntários, zela com carinho pela Capela da Penha.

Renato Rodrigues Delfraro

Capela da Penha.

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