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Março de 2011

E SE O BICHINHO MORRER?

COMO LIDAR COM O LUTO NA INFÂNCIA.

Ter um bichinho de estimação em casa é uma alegria, principalmente para as crianças e casais sem filhos. Ter um bichinho em casa faz bem para a saúde mental dos humanos.

Um detalhe escapa aos apaixonados pelos animais: geralmente a vida do bichinho é mais curta que a humana, alguns sofrem pelos maus tratos e a falta de liberdade, portanto, é preciso estar prevenido sobre sua fuga ou perda definitiva.

 

Isaura von Zuben Lemos CRP- SP 06/70178 Psicóloga Especialista em Psicologia Hospitalar,com Formação em Perdas, Morte e Luto.
Isaura von Zuben Lemos CRP- SP 06/70178 Psicóloga Especialista em Psicologia Hospitalar,com Formação em Perdas, Morte e Luto.

Por sua vez, a criança imagina que o bichinho de casa é parte da família.

Se pedirmos para a criança fazer um desenho, provavelmente demonstrará que o bichinho habita seu imaginário como se fosse gente, um membro normal da família.

Daí que a perda do bichinho – por morte ou fuga – normalmente é sentido com tristeza, luto, angústia ou culpa, podendo durar dias, meses ou anos. Adultos também sofrem quando perdem o seu bichinho de estimação..

Qualquer perda gera vazio existencial.

É muito útil que os adultos busquem apoio e esclarecimento adicional para compreender o seu próprio processo de luto e modelar uma reação sadia à perda, expressando seus sentimentos e recebendo apoio. As crianças geralmente aprendem sua resposta à perda  com os adultos da família.

A tristeza de uma criança pode não ser reconhecida, porque as crianças expressam sentimentos de tristeza mais no comportamento do que em palavras. Sentimentos de abandono, desamparo, desespero, ansiedade, apatia, raiva, culpa e medo são comuns e, muitas vezes, atuados agressivamente, porque as crianças podem ser incapazes de expressá-los verbalmente.

Que podem fazer os pais? Em primeiro, devem levar a sério o sentimento de perda da criança. Jamais fazer pouco caso, dizendo “Era só um animal” ou “Podemos arrumar outro”. Agir com insensibilidade não ajuda a criança a elaborar o seu luto. A substituição do animal na ausência da criança, por exemplo, substituir o passarinho que morreu por outro igual quando a criança está na escola, só reforça a dificuldade de nós, adultos, em lidar com as perdas.

A melhor forma de enfrentar esses problemas é falando sobre eles, tomando consciência, por meio da palavra, do significado de quem foi embora, o que fazer com o vazio de agora.

Em segundo lugar, os pais devem respeitar o choro da criança; respeitar o tempo de sofrimento da perda que todos nós precisamos ter para reorganizar o sentido de existência. Tentar acabar a tristeza com broncas e rispidez só faz piorar as coisas.

Terceira sugestão: convidar a criança para fazer o enterro do bichinho. Estimulá-la a dizer palavras de despedida. Isso mesmo. Por que não homenagear um ser que nos foi muito importante para o desenvolvimento da criança, que lhe deu tantas alegrias e proporcionou tantas brincadeiras?

Quando falamos em perdas nos referimos não só às perdas simbólicas, fuga do animal de estimação, por exemplo, mas também da perda real, ou seja: MORTE

A perda de um bichinho – ou pessoa querida – exige tempo e cuidados especiais para ser superada. Também pode ser uma boa oportunidade para esclarecimento de questões fundamentais sobre o significado da vida.

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Para as crianças com até dois anos de idade a morte é percebida como ausência e falta, ou seja, ainda não conseguem perceber que é definitivo.

Quando uma morte ocorre, a criança irá procurar a presença do bichinho ou da pessoa morta e a experiência de uma sensação de perda, mas, intelectualmente não pode entender a permanência desta perda.

Já as crianças de três a cinco anos compreendem a morte como um fenômeno temporário e reversível, em contrapartida as de seis a nove anos já percebem que a morte é irreversível.

As crianças de 10 anos até a adolescência já possuem geralmente um pensamento formal, onde o conceito de morte torna-se mais abstrato (conseguem pensar em alma) e compreendem a morte como inevitável e universal. 

Contraditoriamente à crença popular, a maioria das crianças e adolescentes quer falar sobre a morte. Os pais precisam superar sua dificuldade e resistência para conversar assuntos considerados tabus, como a: morte, sexualidade, drogas, etc. Apesar da morte ser um assunto tão banalizado na mídia, ela ainda se constitui um tabu. Podemos dizer que, por um lado, a morte e o morrer tornaram-se banalizados, e por outro, ela continua sendo um tabu nas conversas ou na disposição para se pensar sobre o impensável – pois nosso inconsciente não tem representação, tal como entendia Freud.

A verdade é que amadurecemos psicologicamente quando encaramos o sofrimento, a dor, a morte ou o vazio existencial. O ideal mesmo seria que todos nós pudéssemos crescer através apenas do amor e não através da dor e de tanto pesar.

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